Sociedade em evolução: casais homossexuais assumem seus relacionamentos

A tendência da sociedade é evoluir e aceitar determinadas maneiras de vida e escolha sexual. Respeitar é a palavra chave para vivermos em harmonia, com quem quer que seja, independente de credo, cor ou sexualidade. Tenho vários amigos gays, conheço algumas lésbicas e são pessoas admiráveis, trabalhadoras, bonitas por dentro e por fora. São pessoas que nunca me causaram qualquer problema ou mal, muito pelo contrário são, na grande maioria, queridos, sinceros e animados e para mim, isso que importa! Li o artigo do psicólogo Paulo Cogo e realmente gostei e resolvi passar para desmistificar qualquer ideia deturpada sobre o assunto. Em tempos de tantos casamentos homossexuais e polêmica em torno do assunto, abordá-lo de uma maneira correta e sensata é a melhor solução para esclarecê-lo. Vamos lá, então, ler esse incrível e corajoso depoimento:

“Conheci o Jeff  em fevereiro de 2012,  na Praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis. Foi amor à primeira vista. Estava saindo de um relacionamento de 19 anos que me fazia muito mal. Tê-lo conhecido foi o fator fundamental para que eu tivesse a coragem de romper de forma definitiva uma relação que, apesar de longa, já tinha acabado há muito tempo. A partir daí foi tudo muito rápido. Somos muito parecidos em tudo aquilo que é essencial para uma relação a dois: temos uma visão de mundo muito semelhante, somos muito dedicados ao trabalho, perfeccionistas, honestos, amorosos, românticos, intelectuais e criativos. Adoro tudo nele, da beleza física à forma como ele encara a vida. Conviver com ele é não ter monotonia, pois ele é a pessoa mais criativa que eu conheço, pois além de um grande artista, é um grande profissional da área da comunicação e da moda com múltiplos talentos. Moramos em torno de um ano na praia de Jurerê Internacional, período de grandes alegrias e grandes decepções, pois no primeiro dia que nos mudamos para a casa sofremos homofobia de dois vizinhos que, em pleno domingo, bateram em nossa casa e tentaram nos expulsar alegando que em Jurerê Internacional não era permitido habitarem cachorros de grande porte. Tínhamos na época quatro cachorros de raça, todos muito dóceis e adestrados. Foi a primeira vez em minha vida que sofri esse tipo de agressão. E durante todo o ano de 2012 a situação não foi muito diferente, o que acabou fazendo com que nos mudássemos temporariamente de Jurerê para Araranguá, cidade natal do Jeff, e depois para Porto Alegre, onde eu moro. Durante o ano de 2012 passei praticamente na ponte aérea de Porto Alegre a Floripa e de Floripa para Porto Alegre, pois fui para Floripa praticamente todos os finais de semana, com exceção daqueles em que necessitei ficar em Porto Alegre ou viajar a trabalho para outros locais do país, pois dou aulas em pós-graduação e atuo como consultor na área de gestão de carreira.

Paulo Cogo e Jeff Machado

Em Araranguá conheci a família do Jeff e foi outra grande decepção, devido ao alto nível de homofobia existente. Como sou especialista nesta área, pois atuo na clínica dentro da abordagem da Psicologia Afirmativa que tem como objetivo ajudar os membros do grupo GLBT, especialmente os homossexuais a lidarem com a sua orientação sexual ou de gênero, isso não representou uma novidade, pois é a regra no Brasil. A maioria das famílias brasileiras que tem membros homossexuais são homofóbicas e rejeitam essa orientação, criando uma série de barreiras e traumas ao membro homossexual. Em alguns casos, agridem fisicamente e até mesmo expulsam o indivíduo de casa. A homofobia que é a aversão que alguns heterossexuais têm aos homossexuais é ainda muito grande no Brasil e tem causado muitos danos emocionais aos indivíduos que apresentam essa orientação sexual. Hoje me considero um ativista da causa gay e luto pela afirmação dos direitos dos homossexuais em nossa sociedade. Escrevo para várias revistas e em uma delas trato exclusivamente dessa temática.

Apesar de ser um grande otimista não acredito que estarei vivo para ver o fim da homofobia no Brasil, mas torço para que ela ocorra o quanto antes, impedindo que muitos homossexuais tirem a própria vida como, infelizmente ocorre devido ao preconceito e à exclusão social. Apesar de ter assumido publicamente a minha orientação sexual há pouco tempo, tenho sofrido preconceito a minha vida inteira. Quando você é pequeno você percebe algo diferente no ar, mas ainda não é capaz de se dar conta que o que está sentindo é o preconceito emanado pelos outros. Na medida em que vai crescendo, o preconceito sexual e de gênero vai ficando mais explícito. Vivemos em uma sociedade heteronormativa, ou seja, centrada na orientação sexual e de gênero heterossexual, assim toda a vida social é organizada para os heterossexuais, ocorrendo, logicamente, uma exclusão dos homossexuais na vida social. Por exemplo, datas comemorativas como o dia dos namorados, a não ser que você opte por uma celebração privada ou naqueles poucos locais GLS, e são muito poucos mesmo em comparação com os locais heterossexuais, o preconceito é inevitável, e começa do agendamento de uma reserva para uma mesa em um restaurante onde, normalmente, o atendente pergunta o nome da acompanhante. Se o homossexual tem coragem de ir a um local repleto de casais heterossexuais, ao chegar ao local será inevitavelmente encarado por olhares de estranhamento ou repulsa e, normalmente, muito mal atendido.

Em relação ao meu relacionamento com o Jeff, temos uma relação de parceria em todos os sentidos, pois temos os mesmos gostos e valorizamos o que cada um tem de singular. Realizamos vários trabalhos juntos na área de comunicação de moda, pois ele é jornalista e eu sou publicitário, assim os conhecimentos se complementam. A minha família é apaixonada pelo Jeff e o admiram muito. Todos têm muito orgulho dele e da competência que ele tem para realizar trabalhos na área da comunicação e da moda. Meus pais amam profundamente o Jeff e já o adotaram como um filho. Meus irmãos e irmãs idem. Quanto ao preconceito, ele é diário e ocorre de diferentes formas e por diferentes meios. O mais cruel, no meu ponto de vista, é o que ocorre no ambiente de trabalho. A minha experiência infelizmente confirma o que os estudos dizem: o preconceito contra os homossexuais e a homossexualidade no local de trabalho é muito grande no Brasil. Os homossexuais têm menos oportunidade de crescimento profissional dentro das empresas e sofrem preconceitos diários por parte de colegas, chefes e clientes. No caso dos homossexuais que assumem publicamente sua orientação sexual e de gênero no ambiente de trabalho esse preconceito é ainda maior, levando-os a invisibilidade ou até mesmo a demissão. Essa realidade muda um pouco quando os homossexuais são empresários, ou seja, donos e dirigentes de seu próprio negócio ou quando atuam profissionalmente em profissões consideradas femininas, tais como cabeleireiro e esteticista, profissões estas que apresentam, na maioria das vezes, uma chance menor de crescimento profissional. Em relação ao casamento, sempre fui contra o casamento de “papel passado”, como se dizia antigamente, pois sempre considerei o casamento tradicional uma instituição falida. Ainda considero, porque é um modelo que normalmente não dá certo nem para os heterossexuais e alguns homossexuais acabam reproduzindo esse modelo. Porém acredito no amor, na parceria e na construção de uma relação harmoniosa entre duas pessoas, baseada na fidelidade e no companheirismo. E o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma forma de garantir os direitos dos homossexuais, especialmente em relação a bens materiais que, no caso de morte de um dos parceiros, acabam indo parar nas mãos das famílias, normalmente homofóbicas e que passaram a vida inteira rejeitando e excluindo o homossexual da convivência familiar. Dessa forma, penso em me casar em uma cerimônia diferente da tradicional e cercado das pessoas que realmente fazem diferença na minha vida e do Jeff”.

 

Paulo Cogo é:  Psicólogo graduado na UFRGS, atuando nas áreas clínica e organizacional; Bacharel em Direito pela PUCRS, com curso de formação na Escola Superior da Magistratura do RS; Publicitário graduado pela PUCRS, atuando em projetos de comunicação de moda; Especialista em Administração de Recursos Humanos pela PUCRS, atuando como personal coach na área de planejamento e gestão de carreira; Especialista em Psicologia Transpessoal pela Universidade Holística Internacional – UNIPAZ;Doutor e Mestre em Sociologia pela UFRGS; Professor Adjunto dos cursos de Psicologia, Comunicação Social na área de Publicidade e Propaganda, Design e Administração do Centro Universitário Ritter dos Reis – UniRitter – Laureate International Universities; Professor de cursos de pós-graduação na área de Comunicação Social na UCPEL (Universidade Católica de Pelotas) e na área de Gestão de Recursos Humanos na CENEX (Faculdade Cenecistade Bento Gonçalves).

*****Casais homosexuais famosos que assumiram a relação: Fotos:  Revista Caras

 Daniela Mercury e Malu Verçosa

Elton John e David Furnish são pais de Zachary e Elijah

Cláudia Jimenez foi casada por 10 anos com Stella Torreão

Victor Garber e Rainer Andreesen estão juntos há cerca de 13 anos

Anderson Cooper teria se casado com Ben Maisani no final de 2012

Ian McKellan disse que vai oficializar a união com Patrick Stewart ainda este ano

Christian Chavez e BJ Murphy foram casados por mais de três anos

Adriana Calcanhoto é casada com Suzana de Moraes

 

Cynthia Nixon, de Sex And The City, e Christine Marinoni

 

Neil Patrick Harris e David Burtka são casados desde 2004

Matt Bomer é casado com o assessor Simon Hall

Jodie Foster e Cydney Bernard terminaram o casamento de 14 anos em 2008

Lara Embry e Jane Lynch

Marc Jacobs e Lorenzo Martone terminaram o casamento após dois anos

Ellen DeGeneres e Portia de Rossi

George Michael e Kenny Goss

Marc Jacobs e Harry Louis

Ricky Martin e Carlos González com os filhos do cantor

3 comentários sobre “Sociedade em evolução: casais homossexuais assumem seus relacionamentos

  1. Ser homossexual é responsabilidade da evolução, O HOMEM É O ÚNICO ANIMAL QUE TEM BUNDAS, MACIAS, SENSUAIS, ERÓTICAS, SEXY ENFIM GOSTOSAS, imagine a bunda de um cavalo ou cachorro. como são grosseiras. Enfim é um órgão de desperta desejos induz á tentação desejos e cobiças no próximo. Eu sei do lado da genética, mas com genética ou sem genética, a bunda do homem sempre foi muito admirada em toda historia da humanidade, grandes imperadores tiveram em suas cama amantes, homens, por causa das bundas firmes e sexy.Principalmente em uma época que as mulheres tinham muitos filhos e um corpo flácido s e r c e l

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