Peças clássicas e atemporais estarão em evidência no inverno de 2020

Nas últimas colunas tenho falado muito em sustentabilidade, minimalismo e propósito na moda. Caminhando ao lado destas ideias as cores verde, preto e branco fizeram um retorno notável às passarelas, provavelmente, resultado do desejo de consumidores preocupados com o meio ambiente e que procuram investir em peças inspiradas no slow fashion e também atemporais. Outras tendências, clássicas da moda, voltam a estar em evidência e na coluna deste final de semana darei uma prévia do inverno que ainda nem começou por aqui.

Foto: Dari Luz, especial

Estilo Vitoriano

O estilo vitoriano está em voga novamente na moda. Presta atenção na camisa da Zara que usei na coluna, esta do meu acervo pessoal, e possivelmente, a mais icônica de todos os modelos da época que remota o apogeu da Rainha Vitória. Há 150 anos o estilo sofisticado e romântico dos babados, laços, golas altas engomadas, rendas preciosas, veludos finos e sedas ganham inúmeros aditivos, pense nas mangas de renda e golas da Zimmermann, desfiladas na Semana de Moda de New York recentemente.

Jaqueta Fernè, camisa Zara , saia Gucci e anel e brincos Gabriela faraco by Lise Crippa. Foto: Dari Luz, especial

Já a outra camisa que usei na produção é da Lolu. A Marca de Florianópolis surgiu da vontade de empreender e na paixão pela moda do administrador Luiz Henrique Schmit e da advogada Rafaela Lorenzi Schauffler. O nome é composto pelo nome dele e sobrenome dela, Lorenzi + Luiz. A marca segue as tendências de moda, mas a preocupação principal é deixar a mulher sempre elegante e moderna com looks que vão de camisas aos vestidos e calças.

Saia Fernè, camisa Lolu, bolsa Gucci, colete NK anel e brincos Gabriela Faraco by Lise Crippa; Foto: Dari Luz, especial

— Nós que assinamos a criação, juntamente com auxílio da nossa consultora. Nos inspiramos em viagens e lugares que gostamos e visitamos, em pessoas que admiramos, sempre mantendo a essência da marca — diz Luiz.

São duas coleções por ano, sendo primavera/verão e outono/inverno, em média 30 peças, com novidades todos os meses, garantindo a exclusividade e um número baixo de produção, sem reposição.

— Já estamos em multimarcas em São José, Balneário Camboriú, Joinville e São Paulo —  completa Schmit.

Básicas e sustentáveis

A L’essere é a marca da t-shirts usada na produção. A label produz também camisas clássicas e blusas com um propósito bem claro: sustentabilidade. O valor agregado dos produtos advém das matérias-primas naturais, orgânicas e sustentáveis, como o micromodal, o linho, o algodão orgânico e as fibras provenientes da reciclagem da garrafa PET.

Calça e botas Carmem Steffens, camiseta L’essere, jaqueta Fernè, bomsa e boné Gucci. Foto: Dari Luz, especial

Ainda, da experiência de 25 anos da diretora criativa Nancy Bortolini como modelista nas principais marcas de roupas brasileiras como TUFI DUEK, Forum, Triton, Colcci, Coca-Cola, Sommer, Malwee e Dalmar.

— São com esses diferenciais que buscamos preencher as expectativas de uma modelagem perfeita e atraente, utilizando de matéria-prima excelente e, principalmente, consciente. Esses desejos combinam com a necessidade de uma moda brasileira, já que todas as peças são construídas a partir do nosso perfil antropométrico, do estilo, do clima, do gosto brasileiro e da nossa cultura — revela Nancy.

Outro ponto importante é o significado da palavra italiana L’essere: o SER, o indivíduo:

—  São nas pessoas e no meio em que elas vivem que pensamos na hora de criar e produzir as peças. Afinal, são as pessoas que podem transformar a forma de pensar, de vestir, de consumir — finaliza.

Universo em acessórios

O ano de 2020 será regido pelo Sol. O luminar que, nestes tempos remotos, é reverenciado como o doador de vida, aquele que nos alimenta e dá energia! Pensando em tudo isso a Gabi Faraco, sob o signo de Virgem e eu, Lise Crippa, de Áries, nos unimos para criar uma coleção batizada de Universo. Os 12 signos do zodíaco, e alguns elementos do cosmos, foram desenvolvidos por nós durante os 12 meses de 2019, resultando em brincos, anéis, colares e pulseiras. As 12 peças, em dourado, fazem dobradinha com as pérolas numa coleção totalmente inspirada nos astros e viagens do “universo” fashion de Dior, Chanel e outras. Eu a a Gabi viajamos pelo nosso mundo criativo e o resultado foi uma coleção dividida em linhas de acessórios que remetem aos signos, estrelas, lua, cometas e que mostro, em primeira mão, aqui para você!

Brincos e anel Gabriela Faraco By Lise Crippa. Foto: Dari Luz, especial

Trincheira

Se você tem seguido a moda nos últimos meses, saiba que a tendência com inspiração militar estará por toda parte na próxima temporada. A estampa camuflada é apenas uma das formas populares do shape, mas não é a única.

Blazer Carmem Steffens, cinto Fernè, bota Chanel, pulseira hermès e saia de tule acervo. Foto: Dari Luz, especial

Estes looks aparecem há muito tempo. O trench coat, por exemplo, vem dos anos 1850 quando surgiu como uma alternativa leve aos casacos usados por soldados britânicos e franceses durante a Primeira Guerra Mundial. Logo depois foram vistos em homens e mulheres civis em todo o mundo. Destaque também para os bolsos de carga, dragonas, botas de combate e estampas de camuflagem são detalhes de uniformes militares que se tornaram parte do vestuário moderno.

O estilo utilitário voltou à moda na década de 1970, durante a ascensão do feminismo quando foi sinalizada uma vitória para as mulheres. A inspiração ascendeu novamente nos anos 1990 e início dos anos 2000. Atualmente, as calças cargo aparecem em tons bege com pegada minimalista.

Preste atenção ainda

Ilhoses: Sabe aquele pequeno orifício, geralmente dourado ou prata, projetado para receber um cordão ou usado para decoração? Chama-se ilhoses e voltou à moda. Na verdade, é um acessório que vai e volta e já vimos em coleções passadas e muito nas passarelas de Alexander McQueen. Sob a forma de vestidos e blusas, com perfurações que se assemelhavam a belos e grandes doilies, aquelas toalhinhas de crochê bem típicas da casa da vovó, há quem ame e quem odeie o detalhe.

Vestido Caos para Raquel Ávila, boné gucci, casaco Acerv. Foto: Dari Luz, especial

Soquete: O início do inverno não significa que seu calçado sofisticado precise ser guardado. Dê às suas sandálias, uma atualização de inverno e use meias ou meias-calças ou meias abaixo do joelho.

Bonés: O boné de beisebol é muito onipresente na cultura americana. Inspirados em chapéus de abas do final do século 19, foram popularizados pelas ilustrações de Sherlock Holmes. Os primeiros modelos eram feitos de lã e couro usados exclusivamente por jogadores de beisebol em meados do século XIX.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Katia Dumke/ DN Models
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Marcas e lojas participantes: Carmem Steffens, Chanel, Caos, Fernè, Gabriela Faraco By Lise Crippa, Hermès, Gucci, Lolu, L’essere, Loja Raquel Ávila, NK, Zara.

Elementos impactantes na moda, cores e texturas naturais estão em alta

Quando se trata de moda e design, não há um elemento único mais impactante que a cor. Os tons que você incorpora no dia a dia podem mudar completamente a aparência, a sensação, o humor e a percepção de todo o seu trabalho.

Maio Inti Swim, argola Ruth Grieco e óculos Dior. Foto: Dari Luz.

Cor do ano

As tendências mudam constantemente então, se você deseja que suas paletas se ajustem a essa definição, fique ligada ao que está acontecendo no mundo e quais os tons que estão surgindo como padrão para este ano. A empresa americana que dita cores, a Pantone, escolheu o Classic Blue, ou Pantone 19-4052, um pouco mais claro que o conjunto que mostro na coluna, como a cor para 2020. Os especialistas da Pantone fazem a sua escolha com base no “que é necessário em nosso mundo hoje”.

Em 2019, escolheram o Living Coral energizante e vibrante, para restaurar a positividade. Para iniciar a nova década, no entanto, os experts selecionaram uma amostra muito diferente pois a cor do ano transmite calma, confiança e conexão. Este azul duradouro destaca o desejo de se ter uma base confiável e estável sobre a qual construir, à medida que cruzamos o limiar para uma nova era. Enquanto o Living Coral sugeria manhãs quentes e luz solar, o Classic Blue lembra um céu noturno destinado a inspirar uma mente clara e pacífica.

Saia e camisa de linho Vix, maio listrado Clube Bossa, argola Ruth Grieco e chapéu acervo. Foto: Dari Luz.

Vivemos em uma cultura focada em tecnologia e somos constantemente bombardeados por informações, distrações e uma variedade, aparentemente, interminável de novidades que exigem nossa atenção. Toda essa tecnologia está deixando muitas pessoas sobrecarregadas e estressadas — e é por isso que faz sentido que uma das maiores tendências de cores do próximo ano seja encontrar calma dentro do caos. Quanto mais rápida a tecnologia se move, e mais conveniências ela oferece, mais procuramos atividades, experiências e estilos de vida que tragam lentidão e propósito em nossas vidas A necessidade de buscar simplicidade, fugir um pouco da tecnologia é, em parte, a razão pela qual os consumidores desejam cores que remetam à natureza.

Cores inspiradas no natural já estão provocando ondas em outras áreas de design e têm sido muito fortes no design gráfico desde 2019. Ilustrações delicadas de plantas são usadas como elementos de design e as paletas de cores neutras estão definidas como uma grande tendência, graças à capacidade de oferecer uma alternativa moderada à cultura, às vezes estressante de hoje em dia.

Enfim, mesmo com toda esta tendência ao natural, não tenha medo de ousar. O emparelhamento de cores marcantes, contrastadas com neutros pode ajudar a tonificar a intensidade da paleta, criando um visual impactante. Escolha uma ou duas cores vibrantes e ousadas e deixe os neutros fazerem o resto.

Flores em couro Ferné, Maio Lenny Niemeyer, canga seda da Lenny Niemeyer, óculos D&G. Foto: Dari Luz.

Onda verde

Quanto mais os consumidores se conscientizam do impacto do consumo excessivo no meio ambiente, e do efeito do estresse sobre a saúde mental, mais eles desejam desacelerar e voltar ao básico. As cores, formas e materiais com probabilidade de ganhar popularidade refletirão, portanto, esse desejo de repensar nossos hábitos e se reconectar com a natureza.

Os verdes obviamente tinham que fazer parte da lista de cores importantes para a nova década, considerando que a “bola da vez” é estar em harmonia. Verdes escuros da floresta e amarelos cítricos serão vistos em itens como calças cargo, coletes de pesca e camisas com bolsos multifuncionais. A moda utilitária chegará para ficar e este tema também representará inovação tecnológica, pois é provável que o verde seja combinado com tecidos técnicos leves.

O serviço de previsão de tendências WGSN revelou inclusive, um outro tom de verde, trata-se de uma cor pastel, o “neo mint”, que dominará também o mundo da moda e do interior, além das passarelas, é claro. O neo mint é neutro em termos de gênero, fresco e oxigenador que alinha a ciência e a tecnologia com a natureza. Ainda este ano, a conclusão do edifício mais alto do mundo na Arábia Saudita; o início da missão Mars 2020 Rover da NASA; e a introdução dos táxis voadores da Uber — ajudou a equipe a identificar o neo mint como uma cor importante para o início desta década.

Vestido PatBo. Foto: Dari Luz.

Ainda falta

As Fashion Weeks nunca foram tão pró-verde. Isso se traduz em novos métodos de consumo, design e criação de moda. Quanto às tendências, a moda sustentável se torna realidade, embora a indústria do setor seja uma das mais lucrativas e uma das mais poluentes do mundo. Então, como falar em sustentabilidade na moda? Há investimentos no setor? E o capital é usado o suficiente? À medida que cresce a pressão pública sobre a moda para reduzir seu desperdício e a pegada de carbono, os investimentos aumentam. Porém a visibilidade das questões de sustentabilidade no vestuário está, provavelmente, dois anos atrás do foco em canudos de plástico e sacolas descartáveis. Segundo a Revista Vogue Bussines, de janeiro de 2020, a indústria da moda precisaria investir até US $ 30 bilhões por ano em sustentabilidade, muitos múltiplos além do que está gastando atualmente. Isso está de acordo com um novo relatório do Fashion for Good e do Boston Consulting Group, que argumenta que a moda precisa gastar de US $ 20 bilhões a US $ 30 bilhões anualmente para ocorrer mudanças transformadoras.

Em novembro passado, a Prada assinou um empréstimo de € 50 milhões vinculado à sustentabilidade com o Crédit Agricole que permite taxas de juros anuais mais baixas se a marca atender às metas de sustentabilidade. Já a pioneira da moda sustentável, Stella McCartney, anunciou recentemente que se juntaria à LVMH para impulsionar sua estratégia de desenvolvimento, com mais de 75% de suas peças ecologicamente corretas. Alguns investimentos individuais beneficiaram a indústria como um todo e vão da reciclagem de têxteis, ao tingimento biológico para substituir os métodos atuais em tecnologias de reciclagem.

Rainha do Crochet

À medida que a indústria da moda procura maneiras de se tornar mais sustentável, há algo de especial em uma “tendência” que adota uma técnica lenta e artesanal e que pode ser passada geração após geração. Valorizar heranças de família e que duram para sempre é uma delas, outra são os looks artesanais, com detalhes feitos à mão. As roupas de crochê e bordados chegaram à cena da alta moda em setembro de 2019, quando Oscar de la Renta, Michael Kors e Phillip Lim exibiram peças na New York Fashion Week. Eles optaram por modelos que transcendiam a sazonalidade e os três desfilaram looks atemporais.

Vestido crochê e bordados PatBo. Foto: Dari Luz.

O crochê está no meu radar já faz algum tempo, mas agora que as temperaturas subiram para quase 40 graus, as escapadelas da praia para baladinhas à beira transformam o visual no que há de mais chique para se usar, eu amo! Pense em vestidos ultra femininos, saídas de praia e roupas de noite ultra modernas com um toque especial do crochê feito à mão da vovó.

Se você está ansiosa para começar a fazer como hobby, a hora pode ser agora, com este renascimento nas passarelas e nas ruas de vestidos longos e esvoaçantes como o mostrado na coluna de hoje. Dependendo da tonalidade do branco e da silhueta, eles podem assumir uma variedade de interpretações. A tendência pode parecer intimidadora no começo, mas, não se preocupe está longe de parecer com os guardanapos e almofadas vintage da sua avó.

Participaram deste editorial

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Marisa Sforni
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Marcas e lojas participantes: Clube Bossa, Lenny Niemeyer, Inti Swin, Vix, PatBo, Santalina, Fernè, Ruth Grieco, Dolce & Gabanna e Dior.