O realismo é a palavra-chave da temporada de inverno


Nesta nova década, as tendências descartáveis estão se tornando cada vez mais obsoletas e as roupas chegam com um impacto duradouro, dentro de um closet atemporal. As passarelas de moda, que iniciaram em 2020, foram mais comerciais do que o habitual e tiveram foco nas compras clássicas herdadas, contrariando criações conceituais.

Foto: Dari Luz

Mulheres com coletes

Kate Moss, no festival de música Glastonbury de 2005, usou shorts com camisas esvoaçantes e, ocasionalmente, sem nada por baixo. A moda reinventou um colete preto, que foi o centro das atenções do visual de Moss da época, para inspiração primavera / verão 2020 de Saint Laurent , renovado e desfilado por Kaia Gerber. Em outras passarelas também ficou claro que os coletes estarão em destaque na próxima temporada fria. O modelo passeou nos anos 1970, com jeans e blusas crepe, voltou recentemente para Celine na versão elegante e alongada e com uma combinação marrom chocolate na Hermès.

Bolsa Isla, colete Skunk, camisa Iorane, calça Le Lis Blanc e colar e brincos Hector Albertazzi. Foto: Dari Luz

O colete se destaca hoje na moda, graças à abundância de alfaiataria nas passarelas internacionais. Vários designers, incluindo Max Mara, Louis Vuitton e Gucci os colocaram em camadas como parte de um traje de três peças. Celine contou com a inspiração mais cool de estilo, com um exemplar preto sobre uma blusa branca. Use ainda camisas de seda e jeans para um look boho parisiense. Pense em investir em um colete preto de boa qualidade, para combinar com jeans e saltos altos e ter uma aparência ou um modelo comprido em três cores como o editorial para a coluna.

Camisa branca

Considere esta a sua peça mais curinga da estação e de investimento mais amigável e atemporal do closet. Símbolo do minimalismo moderno, comemore dias felizes usando o modelo em diferentes shapes e cores. Das brancas tradicionais às listradas, com ombreiras, como chemises, curtas ou compridas e ainda as roubadas do armário do marido. Estão no topo da moda, sendo combinadas com tudo, desde saias glamourosas na à calças boxy de couro ou veludo cotelê dos anos 1970 ou sob micro/mini vestidos. A camisa branca é um item universal e está sendo tratada como elemento de luxo. Um chemise com babados nos punhos está tão perto do céu, quanto qualquer uma peça de alta costura nesta temporada.

Saias da hora

Você imaginou que uma saia plissada na altura dos joelhos seria o novo must-have? Nas versões da Celine, e fora da passarela, bem como saias vintage – o ponto é que você não percebe a diferença e pode usar o modelo da mãe mesmo. Geralmente com blusas de gola alta, blazers elegantes e botas até o joelho, as saias entraram com tudo na moda há um tempinho. Ótima para combinar com o clima de outono perfeito que exige uma saia, botas de couro e talvez um suéter leve e se necessário, um casaco ou blazer.

Saia Verosenso, body Eva, bolsa Isla, sapato acervo. Foto: Dari Luz

Há uma saia para todos os gostos, ocasiões e personalidades nesta temporada, desde balonê, as ultra-curtas (particularmente fofas em camadas sobre uma camiseta!). Mesmo que você nunca tenha sido uma pessoa chegada no modelo, há sempre muitas opções para mudar de ideia.

Saia e body Iorane, cinto BCBG e bolsa Isla. Foto: Dari Luz

Bege ganha status no frio

As passarelas do outono de 2019/2020 estavam cheias de tons bege, cinza e camelo. Uma maneira de usá-lo agora é da cabeça aos pés, monocromático, uma tendência que vimos na forma de alfaiataria fácil e descomplicada. Nos círculos da moda, o bege já teve uma má reputação. Mas o interesse do consumidor foi despertado: as pesquisas globais por roupas bege no Lyst aumentaram 21% nos últimos três meses, enquanto as pesquisas de bege na categoria SS19 no Tagwalk aumentavam 118%. A Net-a-Porter, maior site de compras de moda on line do mundo, aumentou seu investimento na tonalidade em 25% para a temporada. Sem dúvida é uma das maiores tendências de moda feminina de luxo do últimos anos.

Look Skunk, carteira Louis Vuitton e brincos Hector Albertazzi. Foto: Dari Luz

Os editores geralmente se referiam a certos tons desta nuance como a ovelha negra da moda. Eu mesma já tive preconceito com a cor, mas em 2018 o tom dominou as passarelas na coleção de estreia de Riccardo Tisci para a Burberry, bem como nas passarelas Chloé e Chanel. Sua ascensão marca uma mudança mais ampla em direção ao “luxo adulto” e ao investimento discreto , uma decepção sartorial após temporadas de neon, logomania e roupas esportivas. Em um mar de estampas contrastantes com cores fortes, favorecidas por tanta luz, o bege hoje é uma maneira de realmente se destacar da multidão.

Dê de ombros

Eles aparecem abundantes mais uma vez e viva os anos de 1980! Embora o estilo possa parecer antiquado, as peças são precursoras de mudanças. Sua popularidade se alinhou com momentos significativos da história das mulheres e o retorno de hoje à forma exagerada dos estilistas, não é mero acidente.

Originalmente inventada como uma camada protetora para jogadores de futebol americano no final do século 19, as ombreiras não entraram na moda feminina até a década de 1930. Elsa Schiaparelli precisou da mente criativa para sonhar em adicionar o estofamento às roupas femininas. A designer francesa, que se interessou pelo movimento artístico surrealista, era conhecida por apresentar detalhes ilusionistas em seus projetos e experimentar a forma das silhuetas femininas. Schiaparelli costumava usar ombreiras em suas jaquetas estruturadas, um vislumbre das décadas posteriores, quando o visual chique da época da guerra dominava a moda.

Bolsa Isla, anel Hector Albertazzi calça e casaqueto Strass. Foto: Dari Luz

Antes disso, no entanto, Adrian Adolph Greenburg, vulgo Adrian, figurinista americano, trouxe ombreiras em seus designs transmitindo o visual de ombros fortes para um público mais amplo nos anos 1930. Seu relacionamento com a atriz Joan Crawford foi especialmente importante nisso, pois as ombreiras se tornaram uma característica definidora de seu estilo de assinatura. Tudo começou com a personagem de Crawford no filme de 1932, Letty Lynton, que é amplamente lembrada por um vestido com foco nos ombros. Em 1945, também para Crawford, no drama de 1945, Mildred Pierce, onde interpreta uma mulher determinada que, depois que o marido a deixa, decide criar seu próprio sucesso financeiro e criar suas duas filhas sozinha. A escolha de colocá-la em ombreiras reflete a conexão do estilo com a mudança de papéis de gênero, o que estava acontecendo no mundo real quando as mulheres começaram a entrar no mercado de trabalho durante a Segunda Guerra Mundial.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Amanda Golini – DN Models
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Marcas e lojas participantes: BCBG, Cholet, EVA, Hector Albertazzi, Isla, Skunk, Le Lis Blanc, Louis Vuitton, Iorane, Verosenso, Strass Acessórios e Roupas