Elementos impactantes na moda, cores e texturas naturais estão em alta

Quando se trata de moda e design, não há um elemento único mais impactante que a cor. Os tons que você incorpora no dia a dia podem mudar completamente a aparência, a sensação, o humor e a percepção de todo o seu trabalho.

Maio Inti Swim, argola Ruth Grieco e óculos Dior. Foto: Dari Luz.

Cor do ano

As tendências mudam constantemente então, se você deseja que suas paletas se ajustem a essa definição, fique ligada ao que está acontecendo no mundo e quais os tons que estão surgindo como padrão para este ano. A empresa americana que dita cores, a Pantone, escolheu o Classic Blue, ou Pantone 19-4052, um pouco mais claro que o conjunto que mostro na coluna, como a cor para 2020. Os especialistas da Pantone fazem a sua escolha com base no “que é necessário em nosso mundo hoje”.

Em 2019, escolheram o Living Coral energizante e vibrante, para restaurar a positividade. Para iniciar a nova década, no entanto, os experts selecionaram uma amostra muito diferente pois a cor do ano transmite calma, confiança e conexão. Este azul duradouro destaca o desejo de se ter uma base confiável e estável sobre a qual construir, à medida que cruzamos o limiar para uma nova era. Enquanto o Living Coral sugeria manhãs quentes e luz solar, o Classic Blue lembra um céu noturno destinado a inspirar uma mente clara e pacífica.

Saia e camisa de linho Vix, maio listrado Clube Bossa, argola Ruth Grieco e chapéu acervo. Foto: Dari Luz.

Vivemos em uma cultura focada em tecnologia e somos constantemente bombardeados por informações, distrações e uma variedade, aparentemente, interminável de novidades que exigem nossa atenção. Toda essa tecnologia está deixando muitas pessoas sobrecarregadas e estressadas — e é por isso que faz sentido que uma das maiores tendências de cores do próximo ano seja encontrar calma dentro do caos. Quanto mais rápida a tecnologia se move, e mais conveniências ela oferece, mais procuramos atividades, experiências e estilos de vida que tragam lentidão e propósito em nossas vidas A necessidade de buscar simplicidade, fugir um pouco da tecnologia é, em parte, a razão pela qual os consumidores desejam cores que remetam à natureza.

Cores inspiradas no natural já estão provocando ondas em outras áreas de design e têm sido muito fortes no design gráfico desde 2019. Ilustrações delicadas de plantas são usadas como elementos de design e as paletas de cores neutras estão definidas como uma grande tendência, graças à capacidade de oferecer uma alternativa moderada à cultura, às vezes estressante de hoje em dia.

Enfim, mesmo com toda esta tendência ao natural, não tenha medo de ousar. O emparelhamento de cores marcantes, contrastadas com neutros pode ajudar a tonificar a intensidade da paleta, criando um visual impactante. Escolha uma ou duas cores vibrantes e ousadas e deixe os neutros fazerem o resto.

Flores em couro Ferné, Maio Lenny Niemeyer, canga seda da Lenny Niemeyer, óculos D&G. Foto: Dari Luz.

Onda verde

Quanto mais os consumidores se conscientizam do impacto do consumo excessivo no meio ambiente, e do efeito do estresse sobre a saúde mental, mais eles desejam desacelerar e voltar ao básico. As cores, formas e materiais com probabilidade de ganhar popularidade refletirão, portanto, esse desejo de repensar nossos hábitos e se reconectar com a natureza.

Os verdes obviamente tinham que fazer parte da lista de cores importantes para a nova década, considerando que a “bola da vez” é estar em harmonia. Verdes escuros da floresta e amarelos cítricos serão vistos em itens como calças cargo, coletes de pesca e camisas com bolsos multifuncionais. A moda utilitária chegará para ficar e este tema também representará inovação tecnológica, pois é provável que o verde seja combinado com tecidos técnicos leves.

O serviço de previsão de tendências WGSN revelou inclusive, um outro tom de verde, trata-se de uma cor pastel, o “neo mint”, que dominará também o mundo da moda e do interior, além das passarelas, é claro. O neo mint é neutro em termos de gênero, fresco e oxigenador que alinha a ciência e a tecnologia com a natureza. Ainda este ano, a conclusão do edifício mais alto do mundo na Arábia Saudita; o início da missão Mars 2020 Rover da NASA; e a introdução dos táxis voadores da Uber — ajudou a equipe a identificar o neo mint como uma cor importante para o início desta década.

Vestido PatBo. Foto: Dari Luz.

Ainda falta

As Fashion Weeks nunca foram tão pró-verde. Isso se traduz em novos métodos de consumo, design e criação de moda. Quanto às tendências, a moda sustentável se torna realidade, embora a indústria do setor seja uma das mais lucrativas e uma das mais poluentes do mundo. Então, como falar em sustentabilidade na moda? Há investimentos no setor? E o capital é usado o suficiente? À medida que cresce a pressão pública sobre a moda para reduzir seu desperdício e a pegada de carbono, os investimentos aumentam. Porém a visibilidade das questões de sustentabilidade no vestuário está, provavelmente, dois anos atrás do foco em canudos de plástico e sacolas descartáveis. Segundo a Revista Vogue Bussines, de janeiro de 2020, a indústria da moda precisaria investir até US $ 30 bilhões por ano em sustentabilidade, muitos múltiplos além do que está gastando atualmente. Isso está de acordo com um novo relatório do Fashion for Good e do Boston Consulting Group, que argumenta que a moda precisa gastar de US $ 20 bilhões a US $ 30 bilhões anualmente para ocorrer mudanças transformadoras.

Em novembro passado, a Prada assinou um empréstimo de € 50 milhões vinculado à sustentabilidade com o Crédit Agricole que permite taxas de juros anuais mais baixas se a marca atender às metas de sustentabilidade. Já a pioneira da moda sustentável, Stella McCartney, anunciou recentemente que se juntaria à LVMH para impulsionar sua estratégia de desenvolvimento, com mais de 75% de suas peças ecologicamente corretas. Alguns investimentos individuais beneficiaram a indústria como um todo e vão da reciclagem de têxteis, ao tingimento biológico para substituir os métodos atuais em tecnologias de reciclagem.

Rainha do Crochet

À medida que a indústria da moda procura maneiras de se tornar mais sustentável, há algo de especial em uma “tendência” que adota uma técnica lenta e artesanal e que pode ser passada geração após geração. Valorizar heranças de família e que duram para sempre é uma delas, outra são os looks artesanais, com detalhes feitos à mão. As roupas de crochê e bordados chegaram à cena da alta moda em setembro de 2019, quando Oscar de la Renta, Michael Kors e Phillip Lim exibiram peças na New York Fashion Week. Eles optaram por modelos que transcendiam a sazonalidade e os três desfilaram looks atemporais.

Vestido crochê e bordados PatBo. Foto: Dari Luz.

O crochê está no meu radar já faz algum tempo, mas agora que as temperaturas subiram para quase 40 graus, as escapadelas da praia para baladinhas à beira transformam o visual no que há de mais chique para se usar, eu amo! Pense em vestidos ultra femininos, saídas de praia e roupas de noite ultra modernas com um toque especial do crochê feito à mão da vovó.

Se você está ansiosa para começar a fazer como hobby, a hora pode ser agora, com este renascimento nas passarelas e nas ruas de vestidos longos e esvoaçantes como o mostrado na coluna de hoje. Dependendo da tonalidade do branco e da silhueta, eles podem assumir uma variedade de interpretações. A tendência pode parecer intimidadora no começo, mas, não se preocupe está longe de parecer com os guardanapos e almofadas vintage da sua avó.

Participaram deste editorial

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Marisa Sforni
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Marcas e lojas participantes: Clube Bossa, Lenny Niemeyer, Inti Swin, Vix, PatBo, Santalina, Fernè, Ruth Grieco, Dolce & Gabanna e Dior.

Sobre Lise Crippa

Sou formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e Moda. Atuo em assessoria de comunicação e jornalismo de Moda. O universo Fashion faz parte da minha vida e do meu trabalho.