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Sobre Lise Crippa

Sou formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e Moda. Atuo em assessoria de comunicação e jornalismo de Moda. O universo Fashion faz parte da minha vida e do meu trabalho.

Nova coleção Fernè com algumas peças assinadas por mim

Les Cinq Sens é a nova coleção da Fernè, marca catarinense de roupas em couro legítimo. Tati Greuel, diretora criativa, viajou pela França para buscar inspiração e referências de moda. Eu assino uma collab com  cinco peças, além de todo o conceito e styling da campanha . FOTOS: DARI LUZ/ MAKE Lari Maldaner

Vestido criado por mim para a Fernè

São cinco tons pastel batizados de baby blue, menta, rosa quartz, off white e lavanda divididos em 15 peças. Tati viajou para Giverny, DIJON , AVIGNON, L’Isle-sur-la- Sorgue, Gordes, Le Verdon, Marselha, Cassis, SAINT TROPEZ , NICE entre outros lugares especiais da região.A França é uma profusão de sensações e descobertas.

Outro vestido que leva a minha assinatura

-A região da Provence é linda, charmosa e surpreendente. Para quem vai a Valensole, região das mais famosas plantações de lavanda, espera ver milhares delas mas além de todo este colorido, não é só isso que se encontra, diz.

-Pelas estradas fomos surpreendidos por plantações enormes de trigo com colorações que vão do verde mais claro ao escuro, revela também. O vento sopra e nos presenteia com um espetáculo que parecem ondas dançantes de trigos em todos os seus tons de verde. Mais à frente, na beira da própria estrada, encontramos campos extensos de flores de todas as cores, vermelhas, amarelas e nos tons de rosa.

Macaquinho by me


Em todas as regiões que Tati conheceu pôde tirar uma informação para a coleção, que exaltou os cinco sentidos da natureza humana, o olfato, a audição, a visão, o tato e o paladar.

-A riqueza dos detalhes, da arquitetura, da gastronomia, dos aromas, da vegetação, das cores, dos sons faz da França um dos lugares mais fantásticos que já desvendei, finaliza.

Blusa da minha collab

Arquiteta catarinense lança marca de loungewear

A moda sempre caminhou ao lado da catarinense, de Criciúma, Mônica Peressoni Castro (foto) e recentemente, pouco mais de um ano, lançou a marca loungewear Francesca. Mônica exerce a arquitetura há mais de 20 anos e atua, principalmente, na área de interiores. Já teve algumas participações  em mostras como Casa Cor de Santa Catarina. Habitue de feiras em Milão, sempre  reserva um tempo para um passeio nas grandes grifes para  pesquisar o que há de mais atual na moda e design. Baseada nisso já realizou alguns cursos na Itália e na Espanha  e visita anualmente, a Casa Cor de São Paulo e Buenos Aires. Curiosa, se formou em história e explica que sempre foi apaixonada por arte.

-Como a arquitetura, a vestimenta representa o momento histórico em que foram concebidos, revela.

Designer de moda e arquiteta Mônica Peressoni Castro FOTO: Augusto Zanellato

-Sempre achei importante conhecer a cultura de outros países, pois só assim, vendo de fora, conseguimos enxergar nossa própria cultura e nosso modo de viver e vestir, diz.

Modelo Lara Meneghel para Francesca FOTOS: Renata Cechinel

         E é ela quem cria todos os looks da Francesca, aproximadamente 20 a cada coleção. As roupas são inspiradas nas últimas tendências europeias, com o objetivo de trazer peças chave para reforçar o DNA da marca. A equipe de curadoria e estilo tem dado foco aos tecidos e shapes que representam bem a essência trazida dos pequenos refúgios europeus, porém sempre adaptadas ao nosso clima e às necessidades da mulher brasileira. Combinações com cores neutras, o uso das listras, a malha e o tecido plano caminham em perfeita harmonia, proporcionando versatilidade à cada modelo. A atual campanha e coleção é inspirada em Anafi, uma ilha na Grécia que fica a leste de Santorini.

 -Para as coleções me inspiro em pessoas simples e sofisticadas, como elas se expressam, através do que vestem no Instagram, Pinterest, sempre buscando algum tema. Já estamos com três e pretendo lançar a quarta no próximo mês num e vento super exclusivo na BK Concept, em Floripa onde fazemos parte do seleto grupo de collabs. Meu plano é ter duas grandes coleções e ir lançando cápsulas entre elas”, destaca.

-A Francesca é um projeto antigo, há mais de 20 anos, porém adormecido. O objetivo sempre foi criar peças confortáveis e elegantes e veio da vontade de estar bem vestida em casa, onde passamos muito tempo com a família e com amigos.

Mônica tem muitas referências familiares na sua trajetória. As tias avós alemãs costuravam como hobby e estavam sempre envolvidas em bordados e trabalhos manuais, assim como a mãe que sempre foi muito criativa e habilidosa nos trabalhos manuais.

-Sempre gostei de costura e sei costurar. Me identifico muito com o estilo italiano de arquitetura de interiores que é onde mais atuo. Seja na moda ou na arquitetura penso da mesma forma: a primeira olhada temos que fazer a leitura do significado,tem que ser entendido logo, se temos que pensar muito para entender, decifrar Como dizia o arquiteto que trabalhei quando me formei em Porto Alegre, “não acredito em arquiteto de fachada, todo o projeto precisa ser pensado junto, tem que expressar o que desejamos, em todas as suas dimensões”, finaliza.

Cores e suas misturas estarão em alta no verão


Os cítricos apareceram em quase todos os desfiles internacionais, incluindo Oscar de la Renta, e na coluna usei o pistache, que após a temporada do verde limão, reina como uma tendência mais suave, e alternativa, para se usar com o laranja.

Blusa Agilitá, saia Rosa Dahli, mule Paula Torres e brincos Ruth Grieco. Foto: Dari Luz, especial

Mais cor

Estou chegando de uns dias na Europa, mas para escrever a coluna destacarei a primeira semana que abriu o calendário mundial da moda, a de Nova Iorque. A cidade, até então, era conhecida por vestir os fashionistas com os looks pretos dos pés à cabeça. Porém a última temporada mostrou-se com muito mais “luz” que o normal. Após um último verão de neon, as tendências de cores, da New York Fashion Week, e de outras semanas europeias, incluíram os pastel como verde pistache, azul bebê e laranja clarinho, na lista de tons desejo. E por mais que a gente ame as tendências apresentadas pela Pantone são os designers que ditam o que será desfilado nas ruas.

Orange is a new black

Definitivamente, sem fazer analogia ao seriado apresentado na Netflix, laranja é o novo preto da moda. Francamente, a cor pode ser intimidadora mas se você achar isso, tente um tom mais claro, tá valendo! Dion Lee, em Nova Iorque, trabalhou com força total e misturou várias tonalidades de laranja pastel em seu visual da passarela, enquanto Jonathan Simkhai usou o mesmo tom, mas com diferentes materiais, na sua apresentação. Tory Burch e Area seguiram um outro caminho, espalhando uma versão suave da cor em vestidos elegantes.

Lilás

Tons lilás continuam em alta. Kate Spade mostrou como misturar lilázes contrastando com laranjas e beges. E Maki Oh defendeu a cor, mostrando como combinar roxo claro e escuro para criar uma aparência atraente. Eu arrisquei o lilás com o amarelo queimado, gostou? Aliás, mocassin amarelo é a “cereja do bolo”.

Blusa Rosa Dahlia, saia Fernè, cinto Fernè, brincos Ruth Grieco e mule Paula Torres. Foto: Dari Luz, especial

Nativa

A arquiteta Juliana Pippi emprestou seu loft–composto, produzido e arranjado por ela para a CasaCor SC 2019, para fotografarmos a coluna deste finde. Ju buscou para o projeto, essencialmente, um mood pé no chão, na faixa da areia, a tal “beiramar”, mas sem folclores ou alegorias.

— Tenho uma relação forte com o mar,com o vento e com as areias das praias. Nasci perto dele e sempre que posso recarrego ali minha energia. Tenho a paisagem do mar constantemente em minha vida e em meus projetos . Costumo dizer que minha arquitetura é somente uma moldura para as paisagens dos projetos que faço. As texturas e cores das dunas, as falésias e a beira me inspiram — comenta.

O ambiente possui uma atmosfera com amálgama de tons, texturas e tramas mais sépias, naturais, limpas, com certa rusticidade cool, chique. Com 135 metros quadrados, “Pra Perto do Mar” apresenta um layout com espaços integrados.

Da França

Cinto Cheroy, vestido Fernè, brincos Ruth Grieco e mocassin Paula Torres. Foto: Dari Luz, especial

Les Cinq Sens é a nova coleção da Ferné, marca catarinense de roupas em couro legítimo. Tati Greuel, diretora criativa, viajou pela França para buscar inspiração e referências de moda. Eu assino uma collab com cinco peças, além de todo o conceito e styling da campanha. São cinco tons pastel batizados de baby blue, menta, rosa quartz, off white e lavanda divididos em 15 peças. Tati viajou para Giverny, Dijon, Avignon, L’Isle-sur-la-Sorgue, Gordes, Le Verdon, Marselha, Cassis, Saint Tropez, Nice e outros lugares especiais da região.

— Pelas estradas fomos surpreendidos por plantações enormes de trigo com colorações que vão do verde mais claro ao escuro. O vento sopra e nos presenteia com um espetáculo que parecem ondas dançantes de trigos em todos os seus tons de verde. Mais à frente, na beira da própria estrada, encontramos campos extensos de flores de todas as cores, vermelhas, amarelas e nos tons de rosa.

Em todas as regiões que Tati conheceu pode tirar uma informação para a coleção, que exaltou os cinco sentidos: olfato, audição, visão, tato e paladar.

— A riqueza dos detalhes, da arquitetura, da gastronomia, dos aromas, da vegetação, das cores, dos sons faz da França um dos lugares mais fantásticos que já desvendei — finaliza.

Cinto Fernè, vestido Loungewear Francesca, sapato Paula Torres e brincos Ruth Grieco. Foto: Dari Luz, especial

Loungewear catarinense

A moda sempre esteve caminhando junto com a catarinense, de Criciúma, Mônica Peressoni Castro que lançou há um ano a marca Loungewear Francesca. Mônica, que exerce a arquitetura há mais de 20 anos e atua, principalmente, na área de interiores, já teve algumas participações na CasaCor SC.

Habitue das feiras em Milão, capital da moda e do design, sempre guarda um tempo para pesquisar as grandes grifes internacionais e para ver o que há de mais atual na moda. Já fez alguns cursos na Itália, de arte contemporânea da Università de Pavia e na Espanha, sobre história do mobiliário na Universidade de Leon, e visita anualmente a CasaCor de São Paulo e Buenos Aires. Curiosa, se formou em história e explica que sempre foi apaixonada por arte.

— Sempre achei importante conhecer a cultura de outros países, pois só assim, vendo de fora, conseguimos enxergar nossa própria cultura e nosso modo de viver e vestir — diz.
Mônica é quem cria todos os looks da Francesca, aproximadamente 20, a cada coleção. As roupas são inspiradas nas últimas tendências europeias, com o objetivo de trazer peças chave para reforçar o DNA da marca. A equipe de curadoria e estilo da Francesca tem dado foco aos tecidos e shapes que representem bem a essência trazida dos pequenos refúgios europeus, porém sempre adaptadas ao nosso clima e às necessidades da mulher brasileira. Combinações com cores neutras, o uso das listras, a malha e o tecido plano caminham em perfeita harmonia, proporcionando versatilidade à cada modelo.

— Para as coleções me inspiro em pessoas simples e sofisticadas, como elas se expressam, através do que vestem no Instagram, Pinterest, sempre buscando algum tema. Já estamos com três coleções e pretendo lançar a quarta em setembro. Meus planos é ter duas grandes coleções e ir lançando cápsulas entre elas — destaca Monica.

Mônica tem muitas referências familiares na sua trajetória. As tias avós alemãs e a mãe costuravam como hobby e estavam sempre envolvidas em bordados e trabalhos manuais.

Um pouco da história

Sylvia Pedlar foi uma renomada designer de lingerie americana. Em meados do século XX, lançou as tendências históricas para luxuosas roupas de dormir e lingerie. A forma da toga foi uma de suas primeiras, e mais destacadas, criações, que ela continuou a usar, e mudar, ao longo de sua carreira.

Este exemplo é muito vanguardista, não apenas em sua simplicidade de corte, mas em seu padrão brilhante, quase psicodélico, que pressagia a era dos anos 1960. Por 41 anos as mulheres americanas confiaram no bom gosto de Sylvia para looks de dormir. Tecidos finos, acabamento cuidadoso e estilo imaginativo distinguiam suas criações. Ela entendeu que uma mulher pode preferir se vestir de certa maneira para a rua, mas desempenha uma variedade maior de papéis na privacidade de sua própria casa. Ela não viu nenhuma razão para que um closet para dormir não fosse tão versátil quanto um para o dia. Dizia-se que Pedlar havia criado o visual de boneca, um rótulo que ela não gostava, como resposta à escassez de tecidos da época da guerra de 1942. Ela interpretou a clássica camisola de flanela, dando-lhe sofisticação, decote bateau e mangas abertas e esvoaçantes.

Vencedora de dois prêmios Coty, foi citada pelo comitê americano de críticos de moda por “seu talento em combinar luxo, beleza e feminilidade com desenvolvimentos modernos de tecidos e silhuetas contemporâneas”.

Saia Viviane Furrier, brincos Ruth Grieco e blusa Canal. Foto: Dari Luz, especial

Pantone

Logo nos primeiros dias da NYFW, que encerrou início de setembro e abriu as temporadas de moda no mundo, foi possível destacar algumas nuances diferentes nas passarelas de marcas como Brandon Maxwell, Carolina Herrera e Jason Wu. Elas aparecem em peças de alfaiataria despojada, conjuntos modernos, vestidos e casacos. Falando ainda das cores, o Flame Scarlet , escarlate, em português, dá início à lista de 12 tons principais que segundo o relatório da Pantone, transmite determinação e confiança. Já o Saffron , ou açafrão, é um amarelo marcante que acrescenta à paleta um “ certo “sabor”… Biscay Green, ou verde Biscaia, é um tom de verde próximo ao que se popularizou no Brasil como menta. Eu gosto de chamar de pistache! Faded Denim, ou jeans desbotado, é um azul acinzentado parecido com a loungewear que usei nas fotos. Dá uma sensação de conforto e facilidade. E ainda o Mosaic Blue, ou azul mosaico, que lembra também o jeans. O Orange Peel, ou casca de laranja, é a cor picante e agradável assim como o Cinnamon Stick, ou pau de canela, um tom terroso e quente.1 of 7  

Mocassin Paula Torres, calça Cheroy, bolsa YSL e blusa Morina. Foto: Dari Luz, especial
Cinto Cecília Prado, vestido Francesca, brincos Ruth Grieco e mocassin Paula Torres. Foto: Dari Luz, especial
Saia Viviane Furrier, brincos Ruth Grieco e blusa Canal. Foto: Dari Luz, especial
Foto: Dari Luz, especial
Cinto Cheroy, vestido Fernè, brincos Ruth Grieco e mocassin Paula Torres. Foto: Dari Luz, especial
Cinto Ferner, vestido Loungewear Francesca, sapato Paula Torres e brincos Ruth Grieco. Foto: Dari Luz, especial
Blusa Agilitá, saia Rosa Dahli, mule Paula Torres e brincos Ruth Grieco. Foto: Dari Luz, especial

Participaram deste editorial

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Juliana Schmidt – DN Models
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimento: CASACOR/ Santa Catarina – Florianópolis 2019
Ambiente: Loft “Pra perto do Mar”, arquiteta Juliana Pippi
Marcas e lojas participantes: Ana Mayra , Brant Store, BK Concept, Canal, Cecília Prado, Fernè Leather, Cheroy, Francesca Loungewear, Morina, Rosa Dahlia, Paula Torres, Ruth Grieco, YSL, Viviane Furrier

Exposição: 100 anos de moda em Santa Catarina

A exposição “A moda sai de moda, o estilo jamais!”, organizada pelo programa de extensão Modateca, do Centro de Artes (Ceart) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), termina este fim de semana e deixa a sensação de que o nosso estado merece um espaço permanente dedicado à moda.  A mostra  foi realizada no Museu Histórico de Santa Catarina (MHSC), no Palácio Cruz e Sousa, sob a curadoria do querido professor  José Alfredo Beirão Filho, coordenador do projeto na Udesc.

Eu, entre vestidos da estilista Patricia Sabiá

Contando a história dos 100 anos de moda em Santa Catarina, a exposição exibiu roupas, fotos e objetos que retratam o lifestyle do século 20. As peças foram reunidas pela Modateca, que visa resgatar a história da moda catarinense. 

 Santa Catarina Século a século 

Com título inspirado na frase da estilista francesa Gabrielle (Coco) Chanel, a mostra apresentou trajes de todas as décadas do século passado, resgatando o trabalho de profissionais da terra, como Galdino Lenzi e peças de acervos pessoais, como o da família Beirão. Com estilo e soluções para atender clientes, as peças fazem parte da história local e representam o estilo de vida de parte dos catarinenses.


O movimento da vida e da moda

Projeto com moradores do Maciço do Morro da Cruz, em Florianópolis, faz a ponte entre crianças e adolescentes com o mundo fashion, sobretudo promovendo a melhora do aprendizado, desenvolvimento da autoconfiança e estabelecendo relacionamentos mais equilibrados

Foto: Dari Luz, especial

Promover algo de bom para alguém pode ser transformador, principalmente em se tratando de crianças e adolescentes. Hoje, dediquei a coluna para falar no projeto Vidas em Movimento + Conexões, realizado com moradores do Maciço do Morro da Cruz, em Florianópolis. O objetivo era atender 20 crianças, de 8 a 12 anos, e 30 adolescentes de até 16 anos, totalizando 50 participantes, com atividades relacionadas ao mundo da moda, em especial os desfiles, sendo a edição batizada de Passarela’s.

Foram oito encontros, uma vez por semana, no total de dois meses, finalizando com uma apresentação no Ceart, na Udesc, e contou com apoio de estilistas locais que confeccionaram os looks.

A movimentação contou ainda com profissionais e empresas especializadas em moda, beleza, teatro, psicologia, fotografia, marketing e eventos que ofereceram cursos, workshops e oficinas, tudo na Sede da Associação de Moradores do Morro do Céu (Amorceu), entidade que abraçou o projeto sem distinção.

Vidas em Movimento foi muito além da experiência fashion, oferecendo, sobretudo, uma lição para o dia a dia, promovendo a melhora do aprendizado, desenvolvimento da autoconfiança e estabelecendo relacionamentos mais equilibrados:

– É provado que crianças e adolescentes que desenvolvam estas habilidades interpessoais crescem com melhores perspectivas em aspectos profissionais e pessoal – destaca a coordenadora do projeto, Glauci Santos.

Os participantes descobriram que as diferenças, muitas vezes, são apenas superficiais e que, na verdade, devemos nos relacionar com a essência das pessoas. No aspecto econômico, o projeto Passarela’s estreitou as distâncias entre as comunidades, empresas e profissionais que ali estiveram expondo seus produtos e serviços. Para os futuros modelos, como Jéssica de Oliveira Custódio e Raquel Santana de Oliveira, que estão nesta edição da Versar, a visibilidade poderá dar oportunidade no mercado da moda e artístico, que sempre está em busca de novos talentos.

Jéssica usa colar Nakana, camiseta ER Freitas, saia Redaviqui Davilli, lenço de cabeça coach. Raquel usa trench coat Burberry, camisa Abercrombie, saia Redaviqui Davilli, camiseta Beirão e arranjo floral We Plant Atelier. Foto: Dari Luz, especial

Identidade de moda

Embalado nas curvas, nos becos e no colorido do morro, com peças que dialogam com o africano que existe em cada um, o estilista Redaviqui Davilli, nascido em Garopaba mais “manezinho” que conheço, criou uma coleção com sete saias e camisetas. As peças foram inspiradas na expressão “o ponto fora da curva”, buscando representar os conceitos atribuídos ao ser “menina/mulher negra” nos contextos periféricos atuais. O estilista resgatou a identidade afrobrasileira expressada por tecidos, recortes e cores vibrantes.

O trabalho do designer apresenta é uma crítica ao julgamento do estereótipo do ser da periferia, propondo a reflexão sobre o feminino, a periferia e a moda. Para desenvolver as peças para o projeto, o estilista utilizou tecidos com estampas africanas e bordados que evidenciaram a riqueza da conexão histórica do continente africano com o Brasil.

Com o trabalho voltado para a moda como uma ferramenta de transformação social, Redaviqui tem sua trajetória inspirada na cultura afro-brasileira e cultura italiana:

– Sou amante do made em Italy, essa coisa de artesão me encanta!

O estilista desde muito jovem era apaixonado por moda, se formou em Design de Moda e é aluno do programa de Mestrado profissional em Design de Vestuário e Moda da Udesc.

Marca com propósito

Inspiradas na história dos seus ancestrais, nas suas próprias realidades e na de outras mulheres, as irmãs Elisa Freitas e Rosangela Freitas resolveram empreender e criaram a ER FREITAS, uma marca social que já nasceu fortalecida pela cultura negra e pela sua importância na sociedade.

Por meio de projetos e produtos, a ER FREITAS é uma mobilizadora de ações que tem o objetivo de fortalecer a autoestima das mulheres negras, tirando-as da invisibilidade, contando as suas histórias, melhorando o que está no seu entorno e mostrando o seu papel social.

Para alavancar o seu objetivo e promover impacto positivo na vida dessas pessoas, a marca precisava criar algo que simbolizasse a sua causa e viabilizasse financeiramente as ações planejadas. Assim, nasceu a primeira coleção de camisetas que leva os nomes das irmãs empreendedoras nascidas em Florianópolis. As camisetas estampadas, sempre nas cores preta, branca e cinza, representam a cultura negra e são mais do que peças de vestuário, levam mais do que frases, são canal de comunicação que ecoam expressões, que emociona e dá orgulho, que gera simpatia e empatia de quem usa.

– Não é o simples apoio a uma causa, é a confirmação da necessidade da mulher negra se posicionar e de ocupar o seu importante lugar na sociedade – enfatiza a ex miss Elisa.

Jéssica usa brincos Nakana, macacão Cami To Me. Raquel usa camiseta Beirão, saia Redaviqui e jaqueta Moncler. Foto: Dari Luz, especial

Naturalmente

Agente de transformação socioambiental que desenvolve produtos, projetos e outras soluções de forma criativa, inovadora e eco eficiente. A marca do Campeche Raiz Natural, uma das colaboradoras do Vidas em Movimento + Conexões utiliza recursos naturais, com todo o respeito ao meio ambiente do início a fim dos seus processos. Focada na proteção e preservação do meio ambiente, propõe, sobretudo, a percepção da necessidade urgente de mudança de hábitos de vida e de consumo para uma forma sustentável de viver.

Quando num processo de produção existe a conexão com a essência de cada passo, uma rede de habilidades, de sentimentos, de histórias e isso resulta em produtos únicos, pessoas valorizadas, natureza respeitada e crescimento em comunidade. Pequenas transformações são realizadas e despertares possibilitam e incentivam a deixar para as próximas gerações um mundo justo, limpo e bonito. O vestido que usei nesta produção é no tecido tricoline orgânico, da Cooperativa Justa Trama, tingido naturalmente através da técnica de impressão botânica com cosmos, macela, eucalipto e acácia negra.

Movimento jovem

A Cami To Me, de Camyle Vieira, é uma marca jovem que tem como objetivo fazer as pessoas se expressarem através da moda, de forma divertida e autêntica. Para a coleção Movimente-se, apresentada recentemente no Ceart, foi usado um clássico do inverno, o xadrez, de forma diferenciada e trazendo cor para a estação, sempre brincando com o contraste do azul com rosa, mostrando que sempre é possível transformar o tradicional em algo novo. Nas modelagens, aviamentos utilitários e bolsos oversized combinados com detalhes fashion trazem a pegada urbana da marca.

Raquel usa acessório de cabeça Nakana, camiseta e saia Beirão e colete Polo/Ralph Lauren. Jéssica usa vestido e camiseta Beirão. Foto: Dari Luz, especial

Ciclos, recicle

A coleção “Rhythm and blues”, do figurinista e mestre José Alfredo Beirão Filho, foi inspirada por uma das últimas tendências internacionais, upcycling, ou seja, técnica que consiste em, com criatividade, dar um novo e melhor propósito para um material que seria descartado sem degradar a qualidade e composição deste material. Upcycling nada mais é do que uma forma de customizar roupas, mas que leva em consideração muito mais do que apenas transformar uma camiseta velha ou roupas paradas no armário há algum tempo.

A partir de vestes compradas em brechós de caridade, bermudas, calças, casacos e vestidos se transformaram numa coleção de 10 looks inspiradas nos primórdios das danças de rua. O termo “Rhythm and blues” foi usado originalmente para descrever gravações comercializadas, predominantemente, por artistas afro-americanos, num momento em que um estilo baseado no jazz com uma batida pesada e insistente estava se tornando mais popular, sendo hoje utilizado principalmente para se referir a um subgênero com influencias de soul, funk e hip- hop na música pop.

Para o desenvolvimento da coleção, tudo começou pelo universo dos grafites, as sobreposições oversized, como maxi jaquetas, e elementos para detalhes. Foram resgatadas nesta busca aos brechós, vestimentas em jeans, algodão preto e um vestido estampado para ser o fio condutor de toda a coleção. Para finalização, a artista plástica catarinense Juliana Hoffmann fez a intervenção plástica em todas as peças, dotando-as de um colorido único e peculiar. Algumas dessas referências deram formas a peças da coleção, que para sair do papel passaram por um processo de pesquisa e identificação envolvendo muito cuidado, para serem transformadas numa peça desejo.

Jéssica usa vestido Raiz Natural e colar Nakana. Raquel usa casaco e saia Beirão, brincos Nakana. Foto: Dari Luz, especial

Inspiração na Benetton

E viva Oliviero Toscani, diretor de arte da italiana Benetton, que abriu o caminho para as campanhas de moda inclusivas que vemos hoje. A coluna deste fim de semana foi inspirada na marca que teve belas sacadas do fotógrafo, hoje com 76 anos, que ficou na direção criativa por 18 anos e que três décadas mais tarde retorna ao comando.

A United Colors of Benetton, em meados da década de 1990, era sem dúvida um dos nomes mais reconhecidas no mundo. Famosos, os visuais impressionantes de seus anúncios e campanhas, a postura política e a lista diversificada de modelos a tornou influente na moda e na cultura pop. Toscani ingressou em 1982 e recebeu plenos poderes da empresa; o uso de modelos de todas as raças e tons de pele em suas icônicas imagens de grupo tornou-se a marca registrada.

A diversidade virou sinônimo da Benetton. Depois dela, outras labels pegaram carona no sucesso deste conceito, como Balmain, em 2014, uma campanha da Gap que contou com um grupo misto de alto nível, incluindo Yara Shahidi, Priyanka Chopra e Adwoa Aboah, e a campanha que mostra a coleção de Tommy Hilfiger, com desenhos para ajudar as pessoas com deficiência a se vestirem com facilidade, que era igualmente inclusiva.

A Benetton sempre priorizou a inclusão de todos, independentemente de sexo, raça ou sexualidade. Toscani disse que a maior parte da reação que ele enfrentou foi interna e não do público em geral.Tocador de vídeo00:0000:001. “Editorial O Movimento da vida e da moda”0:59

Participaram deste editorial
Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelos: Jéssica de Oliveira Custódio e Raquel Santana de Oliveira
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldane