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Sobre Lise Crippa

Sou formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e Moda. Atuo em assessoria de comunicação e jornalismo de Moda. O universo Fashion faz parte da minha vida e do meu trabalho.

Loja Tida recebe estilista da Dhuo, na capital

Na última quinta (05), foi dia de conhecer e prestigiar Leonam Dantas, CEO e estilista da  Dhuo, que há 15 anos é uma das marcas mais admiradas no cenário contemporâneo nacional e traz no seu DNA, estampas digitais exclusivas e autorais . Todo este  movimento foi  organizado pela empresária, e visionária do cenário da moda catarinense, Tida Zanatta , da Loja Tida, no Beiramar Shopping. Fotos Angelo Santos e arquivo DHUO

Eu e Tida Zanatta de DHUO

A marca nasceu no Mato Grosso do Sul com Giuliano Mazeti (sócio e criador de todas as estamparias ) e era exclusiva  de camisetas com dizeres de protestos. Quando Leonam conheceu Giu, o nome Dhuo já existia com outro sócio que hoje segue carreira solo, aqui mesmo em Santa Catarina. Na época Leonam  tocava uma multimarcas e começou a trabalhar com as camisetas em Presidente Prudente (SP). A identidade do estilista sempre foi de moda e ele  acabou entrando com a sua bagagem,  para, a partir daí,  num  universo mais feminino, levar as estampas para os tecidos. 

-São 15 anos realizando estampas e em algumas épocas chegamos a 20  tipos diferentes  por coleção,  revela Dantas.

Leonam Dantas e eu

 Nas araras da Tida, um público exigente  apreciou os shapes florais, grafismos, bordados, transparências, volumes interessantes e com modelagens confortáveis.  O estilo peculiar é marca registrada da label que não tem medo de ousar, através da sua identidade e personalidade. Muitas vezes com uma pegada pop art, maximalista; outra, de uma tropicalidade bem brasileira, alegre, sedutora. Entre as matérias-primas, muito jérsei, algodão e seda pura.

Estampa exclusiva 

-Uma das principais características da Dhuo, e de outras grifes nacionais e internacionais, é que a estampa  acaba dando mais identidade à marca.  No início  fazíamos apenas malharia, mas a seda estampada entrou como divisor de águas e foi quando a DHUO se encontrou. Hoje, 80 % do tecido usado é a seda, diz também o estilista.

O realismo é a palavra-chave da temporada de inverno


Nesta nova década, as tendências descartáveis estão se tornando cada vez mais obsoletas e as roupas chegam com um impacto duradouro, dentro de um closet atemporal. As passarelas de moda, que iniciaram em 2020, foram mais comerciais do que o habitual e tiveram foco nas compras clássicas herdadas, contrariando criações conceituais.

Foto: Dari Luz

Mulheres com coletes

Kate Moss, no festival de música Glastonbury de 2005, usou shorts com camisas esvoaçantes e, ocasionalmente, sem nada por baixo. A moda reinventou um colete preto, que foi o centro das atenções do visual de Moss da época, para inspiração primavera / verão 2020 de Saint Laurent , renovado e desfilado por Kaia Gerber. Em outras passarelas também ficou claro que os coletes estarão em destaque na próxima temporada fria. O modelo passeou nos anos 1970, com jeans e blusas crepe, voltou recentemente para Celine na versão elegante e alongada e com uma combinação marrom chocolate na Hermès.

Bolsa Isla, colete Skunk, camisa Iorane, calça Le Lis Blanc e colar e brincos Hector Albertazzi. Foto: Dari Luz

O colete se destaca hoje na moda, graças à abundância de alfaiataria nas passarelas internacionais. Vários designers, incluindo Max Mara, Louis Vuitton e Gucci os colocaram em camadas como parte de um traje de três peças. Celine contou com a inspiração mais cool de estilo, com um exemplar preto sobre uma blusa branca. Use ainda camisas de seda e jeans para um look boho parisiense. Pense em investir em um colete preto de boa qualidade, para combinar com jeans e saltos altos e ter uma aparência ou um modelo comprido em três cores como o editorial para a coluna.

Camisa branca

Considere esta a sua peça mais curinga da estação e de investimento mais amigável e atemporal do closet. Símbolo do minimalismo moderno, comemore dias felizes usando o modelo em diferentes shapes e cores. Das brancas tradicionais às listradas, com ombreiras, como chemises, curtas ou compridas e ainda as roubadas do armário do marido. Estão no topo da moda, sendo combinadas com tudo, desde saias glamourosas na à calças boxy de couro ou veludo cotelê dos anos 1970 ou sob micro/mini vestidos. A camisa branca é um item universal e está sendo tratada como elemento de luxo. Um chemise com babados nos punhos está tão perto do céu, quanto qualquer uma peça de alta costura nesta temporada.

Saias da hora

Você imaginou que uma saia plissada na altura dos joelhos seria o novo must-have? Nas versões da Celine, e fora da passarela, bem como saias vintage – o ponto é que você não percebe a diferença e pode usar o modelo da mãe mesmo. Geralmente com blusas de gola alta, blazers elegantes e botas até o joelho, as saias entraram com tudo na moda há um tempinho. Ótima para combinar com o clima de outono perfeito que exige uma saia, botas de couro e talvez um suéter leve e se necessário, um casaco ou blazer.

Saia Verosenso, body Eva, bolsa Isla, sapato acervo. Foto: Dari Luz

Há uma saia para todos os gostos, ocasiões e personalidades nesta temporada, desde balonê, as ultra-curtas (particularmente fofas em camadas sobre uma camiseta!). Mesmo que você nunca tenha sido uma pessoa chegada no modelo, há sempre muitas opções para mudar de ideia.

Saia e body Iorane, cinto BCBG e bolsa Isla. Foto: Dari Luz

Bege ganha status no frio

As passarelas do outono de 2019/2020 estavam cheias de tons bege, cinza e camelo. Uma maneira de usá-lo agora é da cabeça aos pés, monocromático, uma tendência que vimos na forma de alfaiataria fácil e descomplicada. Nos círculos da moda, o bege já teve uma má reputação. Mas o interesse do consumidor foi despertado: as pesquisas globais por roupas bege no Lyst aumentaram 21% nos últimos três meses, enquanto as pesquisas de bege na categoria SS19 no Tagwalk aumentavam 118%. A Net-a-Porter, maior site de compras de moda on line do mundo, aumentou seu investimento na tonalidade em 25% para a temporada. Sem dúvida é uma das maiores tendências de moda feminina de luxo do últimos anos.

Look Skunk, carteira Louis Vuitton e brincos Hector Albertazzi. Foto: Dari Luz

Os editores geralmente se referiam a certos tons desta nuance como a ovelha negra da moda. Eu mesma já tive preconceito com a cor, mas em 2018 o tom dominou as passarelas na coleção de estreia de Riccardo Tisci para a Burberry, bem como nas passarelas Chloé e Chanel. Sua ascensão marca uma mudança mais ampla em direção ao “luxo adulto” e ao investimento discreto , uma decepção sartorial após temporadas de neon, logomania e roupas esportivas. Em um mar de estampas contrastantes com cores fortes, favorecidas por tanta luz, o bege hoje é uma maneira de realmente se destacar da multidão.

Dê de ombros

Eles aparecem abundantes mais uma vez e viva os anos de 1980! Embora o estilo possa parecer antiquado, as peças são precursoras de mudanças. Sua popularidade se alinhou com momentos significativos da história das mulheres e o retorno de hoje à forma exagerada dos estilistas, não é mero acidente.

Originalmente inventada como uma camada protetora para jogadores de futebol americano no final do século 19, as ombreiras não entraram na moda feminina até a década de 1930. Elsa Schiaparelli precisou da mente criativa para sonhar em adicionar o estofamento às roupas femininas. A designer francesa, que se interessou pelo movimento artístico surrealista, era conhecida por apresentar detalhes ilusionistas em seus projetos e experimentar a forma das silhuetas femininas. Schiaparelli costumava usar ombreiras em suas jaquetas estruturadas, um vislumbre das décadas posteriores, quando o visual chique da época da guerra dominava a moda.

Bolsa Isla, anel Hector Albertazzi calça e casaqueto Strass. Foto: Dari Luz

Antes disso, no entanto, Adrian Adolph Greenburg, vulgo Adrian, figurinista americano, trouxe ombreiras em seus designs transmitindo o visual de ombros fortes para um público mais amplo nos anos 1930. Seu relacionamento com a atriz Joan Crawford foi especialmente importante nisso, pois as ombreiras se tornaram uma característica definidora de seu estilo de assinatura. Tudo começou com a personagem de Crawford no filme de 1932, Letty Lynton, que é amplamente lembrada por um vestido com foco nos ombros. Em 1945, também para Crawford, no drama de 1945, Mildred Pierce, onde interpreta uma mulher determinada que, depois que o marido a deixa, decide criar seu próprio sucesso financeiro e criar suas duas filhas sozinha. A escolha de colocá-la em ombreiras reflete a conexão do estilo com a mudança de papéis de gênero, o que estava acontecendo no mundo real quando as mulheres começaram a entrar no mercado de trabalho durante a Segunda Guerra Mundial.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Amanda Golini – DN Models
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Marcas e lojas participantes: BCBG, Cholet, EVA, Hector Albertazzi, Isla, Skunk, Le Lis Blanc, Louis Vuitton, Iorane, Verosenso, Strass Acessórios e Roupas

Peças clássicas e atemporais estarão em evidência no inverno de 2020

Nas últimas colunas tenho falado muito em sustentabilidade, minimalismo e propósito na moda. Caminhando ao lado destas ideias as cores verde, preto e branco fizeram um retorno notável às passarelas, provavelmente, resultado do desejo de consumidores preocupados com o meio ambiente e que procuram investir em peças inspiradas no slow fashion e também atemporais. Outras tendências, clássicas da moda, voltam a estar em evidência e na coluna deste final de semana darei uma prévia do inverno que ainda nem começou por aqui.

Foto: Dari Luz, especial

Estilo Vitoriano

O estilo vitoriano está em voga novamente na moda. Presta atenção na camisa da Zara que usei na coluna, esta do meu acervo pessoal, e possivelmente, a mais icônica de todos os modelos da época que remota o apogeu da Rainha Vitória. Há 150 anos o estilo sofisticado e romântico dos babados, laços, golas altas engomadas, rendas preciosas, veludos finos e sedas ganham inúmeros aditivos, pense nas mangas de renda e golas da Zimmermann, desfiladas na Semana de Moda de New York recentemente.

Jaqueta Fernè, camisa Zara , saia Gucci e anel e brincos Gabriela faraco by Lise Crippa. Foto: Dari Luz, especial

Já a outra camisa que usei na produção é da Lolu. A Marca de Florianópolis surgiu da vontade de empreender e na paixão pela moda do administrador Luiz Henrique Schmit e da advogada Rafaela Lorenzi Schauffler. O nome é composto pelo nome dele e sobrenome dela, Lorenzi + Luiz. A marca segue as tendências de moda, mas a preocupação principal é deixar a mulher sempre elegante e moderna com looks que vão de camisas aos vestidos e calças.

Saia Fernè, camisa Lolu, bolsa Gucci, colete NK anel e brincos Gabriela Faraco by Lise Crippa; Foto: Dari Luz, especial

— Nós que assinamos a criação, juntamente com auxílio da nossa consultora. Nos inspiramos em viagens e lugares que gostamos e visitamos, em pessoas que admiramos, sempre mantendo a essência da marca — diz Luiz.

São duas coleções por ano, sendo primavera/verão e outono/inverno, em média 30 peças, com novidades todos os meses, garantindo a exclusividade e um número baixo de produção, sem reposição.

— Já estamos em multimarcas em São José, Balneário Camboriú, Joinville e São Paulo —  completa Schmit.

Básicas e sustentáveis

A L’essere é a marca da t-shirts usada na produção. A label produz também camisas clássicas e blusas com um propósito bem claro: sustentabilidade. O valor agregado dos produtos advém das matérias-primas naturais, orgânicas e sustentáveis, como o micromodal, o linho, o algodão orgânico e as fibras provenientes da reciclagem da garrafa PET.

Calça e botas Carmem Steffens, camiseta L’essere, jaqueta Fernè, bomsa e boné Gucci. Foto: Dari Luz, especial

Ainda, da experiência de 25 anos da diretora criativa Nancy Bortolini como modelista nas principais marcas de roupas brasileiras como TUFI DUEK, Forum, Triton, Colcci, Coca-Cola, Sommer, Malwee e Dalmar.

— São com esses diferenciais que buscamos preencher as expectativas de uma modelagem perfeita e atraente, utilizando de matéria-prima excelente e, principalmente, consciente. Esses desejos combinam com a necessidade de uma moda brasileira, já que todas as peças são construídas a partir do nosso perfil antropométrico, do estilo, do clima, do gosto brasileiro e da nossa cultura — revela Nancy.

Outro ponto importante é o significado da palavra italiana L’essere: o SER, o indivíduo:

—  São nas pessoas e no meio em que elas vivem que pensamos na hora de criar e produzir as peças. Afinal, são as pessoas que podem transformar a forma de pensar, de vestir, de consumir — finaliza.

Universo em acessórios

O ano de 2020 será regido pelo Sol. O luminar que, nestes tempos remotos, é reverenciado como o doador de vida, aquele que nos alimenta e dá energia! Pensando em tudo isso a Gabi Faraco, sob o signo de Virgem e eu, Lise Crippa, de Áries, nos unimos para criar uma coleção batizada de Universo. Os 12 signos do zodíaco, e alguns elementos do cosmos, foram desenvolvidos por nós durante os 12 meses de 2019, resultando em brincos, anéis, colares e pulseiras. As 12 peças, em dourado, fazem dobradinha com as pérolas numa coleção totalmente inspirada nos astros e viagens do “universo” fashion de Dior, Chanel e outras. Eu a a Gabi viajamos pelo nosso mundo criativo e o resultado foi uma coleção dividida em linhas de acessórios que remetem aos signos, estrelas, lua, cometas e que mostro, em primeira mão, aqui para você!

Brincos e anel Gabriela Faraco By Lise Crippa. Foto: Dari Luz, especial

Trincheira

Se você tem seguido a moda nos últimos meses, saiba que a tendência com inspiração militar estará por toda parte na próxima temporada. A estampa camuflada é apenas uma das formas populares do shape, mas não é a única.

Blazer Carmem Steffens, cinto Fernè, bota Chanel, pulseira hermès e saia de tule acervo. Foto: Dari Luz, especial

Estes looks aparecem há muito tempo. O trench coat, por exemplo, vem dos anos 1850 quando surgiu como uma alternativa leve aos casacos usados por soldados britânicos e franceses durante a Primeira Guerra Mundial. Logo depois foram vistos em homens e mulheres civis em todo o mundo. Destaque também para os bolsos de carga, dragonas, botas de combate e estampas de camuflagem são detalhes de uniformes militares que se tornaram parte do vestuário moderno.

O estilo utilitário voltou à moda na década de 1970, durante a ascensão do feminismo quando foi sinalizada uma vitória para as mulheres. A inspiração ascendeu novamente nos anos 1990 e início dos anos 2000. Atualmente, as calças cargo aparecem em tons bege com pegada minimalista.

Preste atenção ainda

Ilhoses: Sabe aquele pequeno orifício, geralmente dourado ou prata, projetado para receber um cordão ou usado para decoração? Chama-se ilhoses e voltou à moda. Na verdade, é um acessório que vai e volta e já vimos em coleções passadas e muito nas passarelas de Alexander McQueen. Sob a forma de vestidos e blusas, com perfurações que se assemelhavam a belos e grandes doilies, aquelas toalhinhas de crochê bem típicas da casa da vovó, há quem ame e quem odeie o detalhe.

Vestido Caos para Raquel Ávila, boné gucci, casaco Acerv. Foto: Dari Luz, especial

Soquete: O início do inverno não significa que seu calçado sofisticado precise ser guardado. Dê às suas sandálias, uma atualização de inverno e use meias ou meias-calças ou meias abaixo do joelho.

Bonés: O boné de beisebol é muito onipresente na cultura americana. Inspirados em chapéus de abas do final do século 19, foram popularizados pelas ilustrações de Sherlock Holmes. Os primeiros modelos eram feitos de lã e couro usados exclusivamente por jogadores de beisebol em meados do século XIX.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Katia Dumke/ DN Models
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Marcas e lojas participantes: Carmem Steffens, Chanel, Caos, Fernè, Gabriela Faraco By Lise Crippa, Hermès, Gucci, Lolu, L’essere, Loja Raquel Ávila, NK, Zara.

Elementos impactantes na moda, cores e texturas naturais estão em alta

Quando se trata de moda e design, não há um elemento único mais impactante que a cor. Os tons que você incorpora no dia a dia podem mudar completamente a aparência, a sensação, o humor e a percepção de todo o seu trabalho.

Maio Inti Swim, argola Ruth Grieco e óculos Dior. Foto: Dari Luz.

Cor do ano

As tendências mudam constantemente então, se você deseja que suas paletas se ajustem a essa definição, fique ligada ao que está acontecendo no mundo e quais os tons que estão surgindo como padrão para este ano. A empresa americana que dita cores, a Pantone, escolheu o Classic Blue, ou Pantone 19-4052, um pouco mais claro que o conjunto que mostro na coluna, como a cor para 2020. Os especialistas da Pantone fazem a sua escolha com base no “que é necessário em nosso mundo hoje”.

Em 2019, escolheram o Living Coral energizante e vibrante, para restaurar a positividade. Para iniciar a nova década, no entanto, os experts selecionaram uma amostra muito diferente pois a cor do ano transmite calma, confiança e conexão. Este azul duradouro destaca o desejo de se ter uma base confiável e estável sobre a qual construir, à medida que cruzamos o limiar para uma nova era. Enquanto o Living Coral sugeria manhãs quentes e luz solar, o Classic Blue lembra um céu noturno destinado a inspirar uma mente clara e pacífica.

Saia e camisa de linho Vix, maio listrado Clube Bossa, argola Ruth Grieco e chapéu acervo. Foto: Dari Luz.

Vivemos em uma cultura focada em tecnologia e somos constantemente bombardeados por informações, distrações e uma variedade, aparentemente, interminável de novidades que exigem nossa atenção. Toda essa tecnologia está deixando muitas pessoas sobrecarregadas e estressadas — e é por isso que faz sentido que uma das maiores tendências de cores do próximo ano seja encontrar calma dentro do caos. Quanto mais rápida a tecnologia se move, e mais conveniências ela oferece, mais procuramos atividades, experiências e estilos de vida que tragam lentidão e propósito em nossas vidas A necessidade de buscar simplicidade, fugir um pouco da tecnologia é, em parte, a razão pela qual os consumidores desejam cores que remetam à natureza.

Cores inspiradas no natural já estão provocando ondas em outras áreas de design e têm sido muito fortes no design gráfico desde 2019. Ilustrações delicadas de plantas são usadas como elementos de design e as paletas de cores neutras estão definidas como uma grande tendência, graças à capacidade de oferecer uma alternativa moderada à cultura, às vezes estressante de hoje em dia.

Enfim, mesmo com toda esta tendência ao natural, não tenha medo de ousar. O emparelhamento de cores marcantes, contrastadas com neutros pode ajudar a tonificar a intensidade da paleta, criando um visual impactante. Escolha uma ou duas cores vibrantes e ousadas e deixe os neutros fazerem o resto.

Flores em couro Ferné, Maio Lenny Niemeyer, canga seda da Lenny Niemeyer, óculos D&G. Foto: Dari Luz.

Onda verde

Quanto mais os consumidores se conscientizam do impacto do consumo excessivo no meio ambiente, e do efeito do estresse sobre a saúde mental, mais eles desejam desacelerar e voltar ao básico. As cores, formas e materiais com probabilidade de ganhar popularidade refletirão, portanto, esse desejo de repensar nossos hábitos e se reconectar com a natureza.

Os verdes obviamente tinham que fazer parte da lista de cores importantes para a nova década, considerando que a “bola da vez” é estar em harmonia. Verdes escuros da floresta e amarelos cítricos serão vistos em itens como calças cargo, coletes de pesca e camisas com bolsos multifuncionais. A moda utilitária chegará para ficar e este tema também representará inovação tecnológica, pois é provável que o verde seja combinado com tecidos técnicos leves.

O serviço de previsão de tendências WGSN revelou inclusive, um outro tom de verde, trata-se de uma cor pastel, o “neo mint”, que dominará também o mundo da moda e do interior, além das passarelas, é claro. O neo mint é neutro em termos de gênero, fresco e oxigenador que alinha a ciência e a tecnologia com a natureza. Ainda este ano, a conclusão do edifício mais alto do mundo na Arábia Saudita; o início da missão Mars 2020 Rover da NASA; e a introdução dos táxis voadores da Uber — ajudou a equipe a identificar o neo mint como uma cor importante para o início desta década.

Vestido PatBo. Foto: Dari Luz.

Ainda falta

As Fashion Weeks nunca foram tão pró-verde. Isso se traduz em novos métodos de consumo, design e criação de moda. Quanto às tendências, a moda sustentável se torna realidade, embora a indústria do setor seja uma das mais lucrativas e uma das mais poluentes do mundo. Então, como falar em sustentabilidade na moda? Há investimentos no setor? E o capital é usado o suficiente? À medida que cresce a pressão pública sobre a moda para reduzir seu desperdício e a pegada de carbono, os investimentos aumentam. Porém a visibilidade das questões de sustentabilidade no vestuário está, provavelmente, dois anos atrás do foco em canudos de plástico e sacolas descartáveis. Segundo a Revista Vogue Bussines, de janeiro de 2020, a indústria da moda precisaria investir até US $ 30 bilhões por ano em sustentabilidade, muitos múltiplos além do que está gastando atualmente. Isso está de acordo com um novo relatório do Fashion for Good e do Boston Consulting Group, que argumenta que a moda precisa gastar de US $ 20 bilhões a US $ 30 bilhões anualmente para ocorrer mudanças transformadoras.

Em novembro passado, a Prada assinou um empréstimo de € 50 milhões vinculado à sustentabilidade com o Crédit Agricole que permite taxas de juros anuais mais baixas se a marca atender às metas de sustentabilidade. Já a pioneira da moda sustentável, Stella McCartney, anunciou recentemente que se juntaria à LVMH para impulsionar sua estratégia de desenvolvimento, com mais de 75% de suas peças ecologicamente corretas. Alguns investimentos individuais beneficiaram a indústria como um todo e vão da reciclagem de têxteis, ao tingimento biológico para substituir os métodos atuais em tecnologias de reciclagem.

Rainha do Crochet

À medida que a indústria da moda procura maneiras de se tornar mais sustentável, há algo de especial em uma “tendência” que adota uma técnica lenta e artesanal e que pode ser passada geração após geração. Valorizar heranças de família e que duram para sempre é uma delas, outra são os looks artesanais, com detalhes feitos à mão. As roupas de crochê e bordados chegaram à cena da alta moda em setembro de 2019, quando Oscar de la Renta, Michael Kors e Phillip Lim exibiram peças na New York Fashion Week. Eles optaram por modelos que transcendiam a sazonalidade e os três desfilaram looks atemporais.

Vestido crochê e bordados PatBo. Foto: Dari Luz.

O crochê está no meu radar já faz algum tempo, mas agora que as temperaturas subiram para quase 40 graus, as escapadelas da praia para baladinhas à beira transformam o visual no que há de mais chique para se usar, eu amo! Pense em vestidos ultra femininos, saídas de praia e roupas de noite ultra modernas com um toque especial do crochê feito à mão da vovó.

Se você está ansiosa para começar a fazer como hobby, a hora pode ser agora, com este renascimento nas passarelas e nas ruas de vestidos longos e esvoaçantes como o mostrado na coluna de hoje. Dependendo da tonalidade do branco e da silhueta, eles podem assumir uma variedade de interpretações. A tendência pode parecer intimidadora no começo, mas, não se preocupe está longe de parecer com os guardanapos e almofadas vintage da sua avó.

Participaram deste editorial

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Marisa Sforni
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Marcas e lojas participantes: Clube Bossa, Lenny Niemeyer, Inti Swin, Vix, PatBo, Santalina, Fernè, Ruth Grieco, Dolce & Gabanna e Dior.

Mercado da moda: marcas catarinenses em destaque

A produção neste segmento cresceu 6,1% em 2018, sendo um dos responsáveis por aditivar a economia do estado. Vou falar de moda catarinense e o nicho de mercado que movimenta, e muito, a economia do estado. Na coluna desta semana mostrarei seis marcas daqui e que se destacaram em 2019.

Foto: Dari Luz, especial

Mercado Promissor

O setor cresceu em relação às vendas industriais e segundo um relatório da Fiesc, Federação das Indústrias de SC, das 13 atividades que cresceram de outubro de 2017 a outubro de 2018, a área de vestuário e acessórios teve o terceiro melhor desempenho (20,9%), atrás apenas de produtos alimentícios (34,9%) e produtos de metal (25,5%).

A produção neste segmento cresceu 6,1% em 2018, sendo um dos responsáveis por aditivar a economia do estado. Além disso, Santa Catarina é hoje o segundo maior polo têxtil e de confecção do país — com 13,83% das empresas — atrás de São Paulo. Com relação ao comércio exterior, o estado enfrenta concorrência da China, maior produtor e exportador de vestuário no mundo.

O segmento é bastante representativo, respondendo por 18,8% dos empreendimentos industriais e por 21,8% dos empregos na indústria, segundo o Sebrae .

Acessórios made in Floripa

Apaixonada por moda e beleza, a manezinha Mariana Amaral, de 30 anos, criou e está à frente da marca homônima há mais de 12 anos. A empresária, e diretora criativa, gerência uma equipe com aproximadamente 30 mulheres, responsáveis em idealizar e fabricar mais de 10 mil peças por mês, distribuídas para mais de 300 pontos de venda em todo o país. Para a última coleção, a aposta foi o fundo do mar, as conchas, búzios e itens marítimos.

Vestido Flow, brincos Mariana Amaral Acessórios e chapéu da Chapéu e Estilo. Foto: Dari Luz, especial

Mari explica que são quatro grandes coleções lançadas ao longo do ano e mais de 500 modelos, inspirados nos principais canais de moda e lifestyle mundo afora. Em 2019, a empresa cresceu mais de 30% e para este ano as metas são ainda mais audaciosas.

— Em 2019 abrimos a primeira loja própria, localizada no badalado balneário Jurerê Internacional. A expectativa é que mais pontos físicos da marca sejam abertos ao longo desse ano — explica.

Fluxo da moda

A também catarinense Flow lançou sua segunda coleção neste verão. As amigas Paola de Lucca e Carol Lobato, com Bernadette de Lucca na modelagem, tocam a label criada para mulheres entre 25 a 60 anos. A ideia de ter uma marca própria surgiu em uma viagem de réveillon para Trancoso, Bahia, onde em uma festa encontraram quatro meninas usando o mesmo vestido de uma badalada grife brasileira. Resolveram, então, unir forças para criar e produzir peças mais exclusivas, no máximo quatro de cada modelo, divididas em coleções cápsulas de 60 peças lançadas em coletivos de marcas pelo Brasil, vendas em eventos e online.

Vestido Flow, brincos Mariana Amaral Acessórios e chapéu da Chapéu e Estilo. Foto: Dari Luz, especial

— Nossa segunda coleção combina silhuetas ultra-femininas com tecidos naturais, cores claras e estampas sutis. Vestidos, blusas e saias de espírito livre com detalhes feitos à mão, que proporcionam um toque de luxo contemporâneo. As mangas diferenciadas, recortes e conjuntos continuam fazendo parte do nosso DNA — diz Carol que produziu kaftans com modelagem de inspiração libanesa trazida em recente viagem para Beirute. Carol trouxe ainda alguns tipos de “renda guipire”, para peças especiais e exclusivas.

Do sul

Fundada em 2018, em Criciúma, sul do estado, pela administradora Beatriz de Luca Sartor e sua mãe Simone, a marca Saint C. tem o nome inspirado em Santa Catarina, padroeira das costureiras e também do estado, ou Saint que também significa santa em francês. Com uma empresa ainda pequena, as sócias conseguem acompanhar todos os processos de perto, garantindo que as etapas sejam feitas com carinho, de forma ética e cuidada nos mínimos detalhes.

Vestido Saint C, Chapéu com Estilo, bolsa Catarina Mina e lenço Joyeux. Foto: Dari Luz, especial

— Por enquanto não temos um número certo de coleções e peças por ano, vamos fazendo conforme vamos criamos. Atualmente vendemos pelo nosso Instagram, mas em 2020 já estamos trabalhando para abrir o nosso site — destaca Bea.

— É uma marca destinada para mulheres, assim como nós, românticas de carteirinha — lembra Simone.

Do Vale

Desde 2017, a estilista Débora Luz está à frente da marca de Balneário Camboriú, Olivias 504. Com duas coleções principais e coleções cápsulas de couro e seda lançadas durante o ano, a distribuição é feita para multimarcas no sul e São Paulo.

— Pretendo em 2020 investir na plataforma virtual e aumentar os pontos de venda pelo Brasil — revela Débora.

Vestido Olivia’s 504. Foto: Dari Luz, especial

Os vestidos longos em algodão de seda traduzem mulheres de espírito jovem e que priorizam boas experiências, desde uma sunset party até um casamento no campo, de salto ou rasteira.

— Proporcionar sofisticação e estilo, com originalidade, despertando a confiança, segurança e auto-estima da mulher é a missão da Olivia’s. E ainda valorizar a identidade da consumidora da marca, fortalecendo a imagem de uma mulher que pode ser versátil, jovem e elegante ao mesmo tempo, diz ainda a estilista.

Sonho de irmãs

A marca existe há 10 anos, mas as sócias e irmãs Letícia e Patrícia Silveira estão há dois anos vivendo um novo e bom momento da Le Iris. Letícia Silveira tem formação em odontologia mas nunca exerceu a profissão e Paty Iris é nutricionista. Letícia é quem cria as peças, junto de uma equipe de estilo que ajuda no desenvolvimento, mas as irmãs estão sempre trocando ideias e novos insights e desejos.

— Qualquer coisa nos inspira, temos esse lado criativo muito evidente. Estamos sempre pensando em qual seria a mala dos nossos sonhos para a próxima viagem e assim fazer a próxima coleção — diz.

Vestido Le Iris e lenço Joyeux (acervo). Foto: Dari Luz, especial

— Nossa marca é feita para a mulher moderna que trabalha, viaja, cuida dos filhos e não esquece de florir a casa, colocar uma mesa linda e cheia de amor para as refeições em família — completa.

As vendas da Le Iris são online ou direto para consumidor final, através do Instagram e de eventos realizados pelo país. A atual coleção, batizada de Capri Ciao Bella, foi inspirada no estilo Easy & cool da badalada Ilha italiana. Os babados e detalhes remetem às ondas do mar que quebram nas pedras formando paisagens acidentadas e deslumbrantes. Vestidos são inspirados nas ruas de pedras que convidam para uma tarde incrível e mágica, regada à vinho rose , lemoncello e o mais saboroso spaguetti al limone. O pink intenso dos bugganvilles, que desabrocham na piazzeta, pintou de rosa o verão da marca.

Tradicional e sustentável

Referência no mercado nacional há mais de 40 anos, a Damyller tem no seu DNA o universo jeanswear. Há mais de oito anos, a marca catarinense de Nova Veneza, é uma das poucas no Brasil que utiliza em seu método de beneficiamento têxtil, dois equipamentos que reduzem drasticamente o uso de água. Com tecnologia espanhola, a máquina de Ozônio e laser, por exemplo, economizam energia e, juntas, reduzem o uso de 6,6 milhões de litros de água, e mais de dez toneladas de produtos químicos que deixam de ser usados no processo todos os meses.

Blusa e saia Damyller, bolsa Tai Dai. Foto: Dari Luz, especial

A marca traz na criação das suas mais de 12 coleções anuais todas as inovações e tendências do mercado de moda. Antenada e comprometida com o futuro, a sustentabilidade no desenvolvimento dos seus produtos é um dos pilares. Com abrangência nacional distribui suas coleções semanalmente em todas as suas mais de 120 lojas. Focada na qualidade de seus produtos é através deles que busca realizar o sonho de cada um de seus consumidores.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Eloisa Martins/ DN Models
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimento: Casa de La Gracia Comunica
Marcas e lojas participantes: Damyller, Flow, Le Iris, Mariana Amaral Acessórios, Saint C, Olivia’s 504, Joyeux (acervo), Catarina Mina e Tai Dai