Arquivos mensais: julho 2019

Moda: tons intensos trazem elegância para a estação fria


Temos pelo menos dois meses de frio para aproveitar a temporada em que as pessoas melhor se vestem no ano. Procure o seu tom, ache o seu estilo e sua melhor versão.

Camisa e blazer Carol Bassi, bolsa Serpui e acessório Joyá. Foto Dari Luz, especial

Moda offline

E lá vou eu novamente ao encontro da arquitetura para produzir a minha coluna da semana. Desta vez fotografamos numa casa em pleno centro de Florianópolis, construída em 1925 e tombada pelo patrimônio histórico. O projeto, que leva a assinatura de Karla Silva, ganhou nova roupagem, porém mantém todas as pinturas internas intactas e volta à cor externa original, misturando assim o mood antigo à decoração atual.

Bata e top Carol Bassi, bota paula Torres, Bolsa Serpui, acessórios Olympiah. Foto Dari Luz, especial

Karla desenvolveu um conceito para realçar as particularidades únicas do imóvel – paredes e afrescos tombados e impossibilitados de furos – e destacar as brands que entram na curadoria realizada por ela e pela sua irmã Bianka. Juntas comandam uma Concept Store que funciona hoje no endereço, com uma pegada moderna, offline, que vem ganhando cada vez mais adeptos pelo mundo.

O mobiliário contemporâneo da loja, todo solto, é composto por peças de designers renomados, nacional e internacionalmente, no cenário da decoração. No espaço externo, batizado de In The Garden, são ministradas aulas de yoga e uma vez por semana, às quartas, tem feira de Hortifruti com a Quitanda do Paredão.

Bolsas que remetem à arquitetura

 Body e saia Cecília Prado, bota Paula Torres, trench coat Carol Bassi, brincos Joyá. Foto Dari Luz, especial

Duas bolsas que usei na coluna são, inconfundivelmente, inspiradas na textura “cannage“, um desenho e técnica utilizada para a produção de objetos decorativos e acessórios. Usada por artesãos de forma manual e que nos primórdios foi vista nas cadeiras de Luís XV, hoje são muito populares em peças de design.

Na Christian Dior, a ideia surgiu depois de seu primeiro desfile, na loja da Avenue de Montaigne em 1947, quando as convidadas sentaram em cadeiras com tressê de palha, inspiradas nos modelos de Napoleão III. Os desfiles da época duravam mais de duas horas e todas saíram com a marca do desenho da palha marcada nas roupas e nas coxas. Claro que imediatamente “ o incidente” virou status e as sortudas amaram passear pela cena chique de Paris, com o carimbo do desfile da Dior. Desde então surgiu a ideia de reproduzir numa bolsa, o clássico matelassê tipo Cannage, constituído por uma rede de costuras oblíquas e perpendiculares, tal como um leito de diamantes com facetas brilhantes.

Vintage

 Body e acessórios Olympiah, saia Canal, blazer Carol Bassi, e bolsa Serpui. Foto Dari Luz, especial

Nas últimas temporadas, os brincos, colares e pulseiras de moedas reinaram como peças de joalheria. A tendência floresceu rapidamente em camadas e camadas de correntes e pingentes retrô. As celebridades e as garotas descoladas exibiram em seus Instagrans de moda modelos minimalistas, com remixes maximalistas, dependendo da vibe. Os cintos de moedas também apareceram para garantir que nunca é tarde demais para embarcar no trem dos acessórios com pegada vintage.

Voltando ao passado, nem tão distante assim, ainda lembro da coleção primavera 2014 da Dolce & Gabbana, com sua silhueta sutil e a inconfundível influência italiana. Aquela estação foi uma das minhas favoritas e toda inspirada na relação entre Sicília e Grécia Antiga. As moedas gregas dominaram a passarela em todos os tamanhos, destacando as grandes e douradas que apareceram como acessórios de cabelo, brincos, cintos, estampas, e detalhes dos vestidos. Se a tendência no passado veio antes de você se dar conta que moedas são itens muito fashion, não se preocupe, pois você ainda tem uma temporada, que mal começou, para abraçar joias de moedas, com toda a sua brilhante glória.

Alguns tons de bordô

Camisa e blazer Carol Bassi, shorts de cousa Fernè, bolsa Serpui, mocassim Paula Torres para Carol Bassi e acessório Joyá. Foto Dari Luz, especial

Red Pear, nome batizado pelo Instituto Pantone, é a cor das peras vermelhas e maduras ou do vinho, uma nuance intensa ideal para a estação fria. Lindo para compor roupas monocromáticas e chiques. O tom dá notas ainda mais quentes e mais intensas quando combinado com o branco, enquanto que, quando combinado com o preto, revela uma alma mais refinada e elegante e perfeita para à noite.

Os tons de vinho são perfeitos para a estação mais fria e para o inverno temos ainda outras nuances como o Merlot, um vermelho escuro com um toque de marrom que exala muita classe.

Stella McCartney criou looks bonitos e alongados nestes tons, com o primeiro vestido em sua passarela, um modelo drapeado Merlot usado sobre botas pretas. Oscar de la Renta usou a cor para longas jaquetas com combinação de brancos, bem como em alguns vestidos de noite realmente lindos.

Não posso esquecer do Biking Red, um tom marrom-avermelhado profundo, mais suave do que o Merlot que apareceu nas passarelas de Nova Iorque. Salvatore Ferragamo também fez uso do tom em couro Biking Red, juntamente com alguns outros tecidos. Vimos um vestido de couro justo, bem como uma combinação de calça e casaco. Um suéter de gola alta vermelha, na marca Tibi, usado sobre uma saia de couro roxa que parecia a coisa mais confortável que poderíamos usar na temporada, enquanto um longo casaco de tweed Biking Red na Chanel, que certamente se tornou fácil, fácil um dos mais quentes da temporada.

Flores de inverno

Vestido Nusca, casaco bomber Cecília Prado e argolas Joyá. Foto Dari Luz, especial

Christian Dior e Saint Laurent carregam uma pegada flower trend como inspiração para as suas coleções, independentemente da atmosfera que pretendem transmitir nas passarelas. As flores são um denominador comum na moda. Alguns estilistas procuram um estilo mais feminino usando flores com cores vivas e fortes, enquanto outros usam tons mais escuros que farão as roupas parecerem sóbrias, dando mais ênfase à estrutura do que ao material usado. Elie Saab já usou flores nas suas peças, flores pequenas e cores vivas em vestidos pretos, o que lhe permitiu ser a principal atração da coleção, dando às roupas um ar de delicadeza e inocência.

Se falarmos sobre os meses da estação fria, então, a melhor opção é combinar roupas florais de tons escuros como nos dois looks da coluna. Se você observar as peças que usei elas fazem parte de um conjunto que separei, um casaco que sobrepuz um vestido de poás e a saia num look mais tradicional com cara de inverno.

Outra coisa, se você acha que os florais só podem ser impressos em vestidos, se engana. Você pode usar flores em calças, casacos e outras peças . Tudo que você precisa é escolher a combinação com seus lindos florais. Use jaquetas ou casacos com estampa de flores, fique de olho em bombers e blazers com a estampa. Eu amo misturar e combinar.

Moda de escola primária, não mais!

O calçado de menino com sola larga, geralmente usado por estudantes e freiras, combinado com meias brancas, tipicamente  amado pelos nossos pais no passado, ressurgem, finalmente, de uma maneira nova e chique. O visual foi um sucesso nas ruas das Fashion Weeks internacionais: em Paris, a it girl Veronika Heilbrunner, com suas pernas longas, foi flagrada  com a combinação clássica dos mocassins que incluía meias esportivas brancas.

E para aqueles que procuram um visual mais delicado, basta substituir o modelo esportivo, por uma meia fina ou usar sem meia mesmo, olha lá o look da nossa produção feita num dia de frio não muito intenso. Na verdade, você tem livre arbítrio para mudar e brincar com as cores dos seus mocassins ou meias. Já vi meninas usando meias vermelhas com mocassins brancos ou modelos de camurça laranja.

Outras tendências para usar ainda nesta estação

1- Os ombros são grandes em 2019, mas não de uma maneira dura e acolchoada ou adornando vestidos e camisas com detalhes exagerados e inchados. Apenas um toque feminino acentuou as mangas dando ar ainda mais feminino nas peças.

2- Embora as bolsas da estação, na grande maioria, sejam pequenas, há uma boa vontade crescente para as enormes, carregadas sob o braço ou penduradas no ombro. Esta é provavelmente uma das tendências mais úteis da temporada, você será capaz de levar tudo que precisa dentro dela.

3- Neste inverno você pode adicionar um toque de amarelo nos seus looks. A cor está em várias coleções e desfilou nas passarelas de Marc Jacobs, Fendi e Balenciaga. Você pode usar apenas um toque em um conjunto ou tentar ousar da cabeça aos pés, há muita inspiração esperando por você.

Camisa Andrea Bogosian, saia Cecília Prado, bota Paula Torres, top Carol Bassi e chamise de couro Fernè. Foto Dari Luz, especial

4- Saias e vestidos parecem ter ficado um pouco mais longos para a nova temporada, com muitos designers optando por bainhas no tornozelo, substituindo estilos mini ou maxi. A tendência foi vista em elegantes roupas de noite de Carolina Herrera e Giambattista Valli – e foi dado um toque legal em um vestido de malha em Alexander McQueen.

5- Se você está precisando de um novo casaco então é melhor investir numa capa. O estilo sem braços foi visto em todas as passarelas e provavelmente é uma das peças essenciais

6- Sapatos com cores de marca texto, sim estão na moda! Visto em Emilio Pucci, Victoria Beckham e, mais proeminentemente, em Saint Laurent, os sapatos com cores neon parecem ser os favoritos das fashionistas. Enquanto Pucci e Saint Laurent certamente os favoreciam para a noite, a passarela de Beckham provou que eles poderiam ser o complemento perfeito para o seu dia a dia também.

7- Não há como negar que o bege está em toda parte. Mostrado nas versões da cabeça aos pés em Jil Sander, Burberry e Max Mara, a cor também foi tocada na Valentino e misturada com outros tons de terra na Fendi. É fácil de adotar e uma tendência que resistirá ao teste do tempo e dos anos.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa

Modelo: Ava Baldissera/DN Models

Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz

Produção de cena: Larissa Maldaner

Beleza: Larissa Maldaner

Agradecimento: Karla e Bianka Silva

Marcas que participaram: Andrea Bogosian,Canal, Carol Bassi, BK Concept Store, Cecília Prado, Gucci, Fernè, Joyá, Serpui Marie, Olympiah, Paula Torres

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Sustentável e politicamente correto: conheça o movimento slow fashion que veio para ficar


Você tem ideia que aquela blusa de tricô feita à mão pela sua mãe nunca esteve tão em alta na moda? Seja pelo trabalho artesanal, pela criatividade, exclusividade ou por ela ter durado, e você guardado até hoje. Existe algo mais sustentável? E isso, lógico, não é nem um terço do que o movimento representa para a indústria do setor. O Slow Fashion prima pela conscientização na moda, dá ênfase aos processos e recursos necessários para confeccionar roupas e acessórios com foco especial, e sintonia, para a sustentabilidade. O movimento envolve a compra de peças de melhor qualidade, que durarão por mais tempo e que valorizam o tratamento justo das pessoas, dos animais e do planeta. O termo foi usado pela primeira vez por Kate Fletcher, do Centre for Sustainable Fashion, da LondonCollege of Fashion. Ela é uma das maiores referências na discussão sobre conexões possíveis e impossíveis, entre moda e sustentabilidade.Por Lise Crippa -13 de julho de 2019

Bolsa Donatela Eco e vestido Ro Fumagalli. Foto Dari Luz, especial

Nos primórdios

No período da revolução pré-industrial, o vestuário era produzido localmente. As pessoas compravam roupas duráveis que serviam por muito tempo, ou faziam seus próprios looks com os têxteis e recursos disponíveis. As roupas refletiam o lugar e a cultura das pessoas e acredito que a atual postura slow fashion possa ser um reflexo daquele tempo. Nos últimos anos, uma onda de mudanças tem dado um novo tom para a indústria da moda. Esta nova era chega alimentada por verdades reais sobre as implicações deste setor na vida do planeta.

Moda em movimento

Óculos Dior, bolsa Donatela Eco, saia e blazer Rina e sapato Cris Felipetti. Foto Dari Luz, especial

Um número crescente de marcas e cidadãos está rejeitando os princípios da fast fashion, à medida em que tem surgido uma abordagem mais politicamente correta de fazer a roupa. Acredito que seja um esforço consciente para se afastar do consumismo excessivo, na maioria das vezes incentivado pela indústria da moda rápida e temporal. Já consigo enxergar uma mudança brusca no comportamento do consumidor, forçando as marcas a abraçar a causa e produzir moda de alta qualidade. O foco é o compromisso de criar menos coleções por ano, mas com peças feitas com materiais de alta qualidade.

Por aqui, as amigas Beatriz Freitas Ribeiro, 27 anos, e Camila Yumi Kawata, 30 anos, ambas manezinhas e formadas em Design de Moda pela Udesc, decidiram unir forças e lançar um espaço para abrigar e dar visibilidade para mulheres que empreendem no setor em Santa Catarina. Acabam de abrir a Local Colab, com marcas com design local e autoral e que apresentam o conceito slow fashion em Florianópolis. Movimentar o setor da moda e empreender também são algumas das premissas das lojas colaborativas.

No endereço das meninas, encontrei 14 marcas, todas produzidas por mulheres, que apresentam roupas, acessórios, cosméticos e itens de decoração. Entre elas estão, Atelier 4797, Be.Cult, Cora Oestrem, Donatelo Eco, Rina Lab, RV Swimwear, Sabrina Melo, The Lilled Small Town e Vanille. A grande maioria destas labels são de Floripa, mas há marcas de Gaspar e Massaranduba. Na coluna desta semana mostrarei algumas para vocês.

Na Capital há cerca de cinco outras lojas colaborativas que comercializam os mais diversos produtos, desde vestuário, acessórios, beleza e itens para decoração e casa. As sócias explicam que, diferente da loja tradicional, nesses espaços é possível consumir e ter uma garantia sobre a procedência dos produtos – de onde vêm e quem os fez.

Algumas marcas vendidas nestas lojas fazem todo o processo, sem precisar de terceiros para a produção. No entanto, outras fazem algumas atividades como modelar e cortar e terceirizam as costuras, o que acaba movimentando, também, a cadeia produtiva e gerando oportunidade de ganhos para as costureiras da região.

Olha as marcas que descobri

Rina Lab

Saia e blazer Rina, bolsa atelier 4797, tênis Cris Felipetti e colares Cora Oestroem. Foto Dari Luz, especial

Criação das sócias Beatriz e Camila, criadoras do Local Colab, é uma marca com design contemporâneo e moderno, valorizando o movimento e a praticidade da mulher moderna. Peças com bolsos, materiais confortáveis e design atemporal. Tudo é feito artesanalmente.

Atelie Ro Fumagalli

Bolsa Donatela Eco e vestido Ro Fumagalli e sapatos Cris Felipetti. Foto Dari Luz, especial

A Ro é designer de moda e responsável por toda parte criativa da marca e, ocasionalmente, conta com ajuda das costureiras da região. Produzidas a partir de materiais de descarte têxtil, com modelagens amplas e confortáveis, estilo atemporal e simples, as roupas transitam em diferentes corpos e ocasiões.

Vanille

Vestido Vanille, bolsa Donatela Eco e cinto Gucci. Foto Dari Luz, especial

A Vanille é a criação da designer de moda Michelle Grumiche, que traz peças femininas de 100% algodão ou viscose, produzidas regionalmente – desde o tecido, linha, botão e detalhes. A marca acredita em uma moda brasileira autêntica e de qualidade.Suas peças podem ser usadas em qualquer ocasião desde do dia a dia a eventos sociais.

The Lilled

Sapatos Cris Felipetti, vestido The Lilled, tiara Atelier 4797, camisa Sabrina Melo e bolsa Donatela Eco. Foto Dari Luz, especial

Criada pela designer de moda Bruna Nesi, a The Lilled Small Town é uma marca focada no consumo consciente e na valorização do saber. A Bruna utiliza materiais que não seriam mais utilizados nas confecções e fábricas locais. Ela também busca aquilo que as cidades pequenas têm de melhor: o contato com a natureza e o fazer com respeito, carinho e tempo.

RV Swimwear

Tênis Cris Felipetti, mantô acervo, bolsa Donatela Eco, body RVSwimwear, cinto Gucci e calça The Lilled. Foto Dari Luz, especial

A RV Swimwar foi criada em 2016 por duas irmãs, Fernanda e Roberta Velloso, que decidiram unir a paixão pela atmosfera do sol e do mar, onde cresceram com suas vontades de empreender, para juntas mergulharem nesse universo cheio de cores, formas e texturas.

Sabrina Melo

Sapatos Cris Felipetti, vestido The Lilled, tiara Atelier 4797, camisa Sabrina Melo e bolsa Donatela Eco. Foto Dari Luz, especial

Saindo do mundo das finanças para criar sua marca autoral, Sabrina Melo desenvolve peças de maneira artesanal em sociedade com a mãe, Elizete Melo, que costura as peças com muito carinho. A principal matéria-prima é o linho, priorizando o conforto.

Donatelo Eco

Bolsa Donatela Eco e vestido Ro Fumagalli. Foto Dari Luz, especial

Marina Sartori é a “faz tudo” da marca. Produz bolsas e acessórios com materiais diferenciados e menos nocivos ao meio ambiente, pensando na sustentabilidade desde a produção até o descarte.Suas peças transmitem a sua personalidade.

Cora Oestroem

Saia e blazer Rina, bolsa atelier 4797, tênis Cris Felipetti e colares Cora Oestroem. Foto Dari Luz, especial

A designer Cora Oestroem é responsável pelas peças delicadas e atemporais da marca que levam seu nome. Seu ateliê se divide entre sua casa e a casa de seus pais em Florianópolis, onde peças de latão e cobre banhados a ouro, prata, grafite e ouro velho ganham forma.

A casa das fotos

Isadora Rubim e Carolina Moreira, ambas mães, empresárias e feministas, são as idealizadoras da Casa Âme. O espaço colaborativo em Floripa, tem portas e janelas abertas para artistas, artesãos e pessoas que tenham como eixo norteador a vontade de se desenvolver com consciência e autonomia, mas que se reconheçam como parte do todo.

Apesar da formação acadêmica distinta – Isa vem do Direito e das Relações Internacionais, enquanto Carol do Design –, as amigas encontraram um propósito em comum: a possibilidade de desenvolverem um ofício que está à serviço de mudanças positivas para as pessoas e para o planeta. Antes sócias do Ateliê-tinturaria Âme, que agora faz parte da Casa, a dupla sentiu necessidade de expandir o olhar e abraçar nessa jornada outras pessoas que acreditassem nas microrrevoluções como força motriz para as grandes transformações que desejam ver no mundo.

Em meio à natureza, num ambiente iluminado e aconchegante, a agenda do espaço traz mensalmente uma curadoria cuidadosa de parceiros que têm o mesmo desejo, o de oferecer ao público técnicas e conhecimentos que fomentem o bem-estar do corpo e da alma, elevando os valores humanos e que cuidem do meio ambiente.

Puro charme

A paranaense radicada em Florianópolis desde 2002, Cris Felipetti, é quem comanda a marca de sapatos homônima que nasceu há 11 meses de um desejo dela em comercializar produtos que expressassem o DNA da mulher brasileira, através de peças
atemporais, sensuais e ao mesmo tempo femininas.

A preocupação de Cris com a escolha dos parceiros e fornecedores está alinhada a toda uma cadeia produtiva, que é a base do propósito slow fashion da marca, estabelecendo a importância da conexão entre artesãos, indústria e órgãos fiscais. A nova coleção, com detalhes de Pirarucu, peixe criado em cativeiro com registro legalizado pelo Ibama, surgiu para proporcionar um novo conceito de moda e estilo, com uma pegada cool e exclusiva.

Há algum tempo o couro do peixe deixou de ser totalmente descartado para ser reaproveitado como um subproduto. Além de ser um material nobre, com grande maciez e maleabilidade, traz um toque único às produções. Nessa coleção foram usados três tons marcantes – o caviar, o vermelho e o crema –, contrapondo com o nude do couro bovino. Já os saquinhos, onde são colocados os sapatos, são feitos a partir de algodão orgânico e confeccionados em Florianópolis pelas mãos das costureiras Salete e sua mãe de 80 anos. Uma maneira segura e sustentável de guardar os calçados, com puro charme!

Participaram deste editorial

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Juliana Amorim – @julianaamorim
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimento: Casa Âme

Marcas e lojas participantes: Atelier 4797,Cora Oestroem, Cris Felipetti, Gucci, Sabrina Melo, RVSwimwear, Ro Fumagalli , Rina, The Lilled, Vanille e Donatela Eco