Arquivos mensais: junho 2019

Jeans: a mais clássica das clássicas

Chamamos de jeans as calças feitas de tecido denim, inventadas por Jacob Davis e Levi Strauss em 1873. Strauss saiu da Alemanha e foi para Nova York em 1851, para se juntar ao irmão mais velho que tinha uma loja de produtos de secos e molhados – uma espécie de armazém da época. Lá, vendiam, entre outras coisas, tecidos de algodão. Strauss fabricava também itens funcionais, como tendas, cobertores de cavalo e capas de carroça. Um belo dia, um cliente encomendou um tecido que pudesse suportar o trabalho duro. Esta pessoa era o alfaiate Jacob W. Davis. Ele confeccionou o modelo com o denim, que comprou da Levi Strauss & Co, e o tornou mais forte colocando rebites de cobre nos lugares em que as calças rasgam mais. Bingo! Quando quis patentear, escreveu para Levi Strauss para se tornarem parceiros, e abriram uma fábrica maior. O resto da história, já sabemos!

Foto: Dari Luz/Especial

Fique de olho

  • As estampas xadrez, e as misturas delas com outras, já são hits no mundo do street style.
  • Os ponchos (aqueles que usamos na Serra, sabe?) chegaram na moda graças ao clima em constante mudança. O modelo se tornou uma solução para sair quentinha e fashion.
  • Calças de cintura alta prometem uma silhueta moderna e em denim ficam ainda mais cool.
  • Acreditem, as sobreposições pegaram mesmo e não se surpreenda se cruzar com alguém com o visual saia-sobre-calças por aí. Visto em todos os lugares, de Proenza Schouler a Calvin Klein, o truque de estilo cria um efeito de alongamento das pernas e adiciona um certo nível de peculiaridade fashion.
  • Nada de anormal cruzar com Lady Gaga usando algumas penas por ai. Num dia normal, para a maioria das mulheres, será aceitável usar alguns detalhes ou acessórios de penas. Sim, elas estão em alta!
  • Bolsas grandes, sapatos estranhos e até mesmo os acessórios mais extravagantes tomaram rumo neste inverno.
  • O denim foi estampado com logotipos, símbolos, pinturas e customizações, prova de que um apelo gráfico está cada vez mais em alta.

Marca de Santa Catarinaa

Foto: Dari Luz/Especial

A história da marca catarinense Monnari Jeans, de Rio do Sul, começou graças à matriarca, Laura Pasqualini, que trabalhava na Singer como costureira instrutora. Na época, ajudava na profissionalização de pessoas para o setor da indústria da região. Quando ficou viúva, criou e sustentou a família costurando para fora. Amava criar suas próprias roupas até os 87 anos, quando faleceu. Para a filha Lucélia, transmitiu a maior herança, a expertise, valores e gosto pela moda. Laura foi a responsável pelo legado e criatividade da marca que existe desde 1990.

Atualmente, a direção de estilo e desenvolvimento das coleções está por conta da dupla Jacqueline Lodetti e Janaina Molinari. A inspiração da coleção outono/ inverno 2019 surgiu numa viagem cultural por Milão, Firenze e Veneza, na Itália. Deste passei, nasceu a coleção batizada de Provaci.

— Para fugir do senso comum e imprimir sofisticação ao jeans, trouxemos novos shapes, inspirados na alfaiataria. O jeanswear vai muito além de uma calça, é um estilo que revela o espírito livre e faz um convite para a mulher se reinventar — define Jacque.

Urbana

A designer de Floripa, Giane Urbano, desenvolveu uma coleção batizada de Urbana para a conclusão do curso Superior em Tecnologia em Design de Moda da Unisul, em 2017. Inspiradas no estilo das ruas, as peças foram desenvolvidas com a técnica de dripping, com pinturas que são gotejamentos de tinta sobre o tecido. A coleção mostrou peças oversize, inspiradas no street style e na moda sustentável. “Foram gastos R$ 5 na coleção. Todo o material foi doado por amigos e eram roupas em jeans que não estavam sendo usadas”, conta Gi. “De cinco calças e quatro bermudas, eu consegui criar quatro peças para a minha coleção”, conclui.

Moda, arte e balada

O baiano Victor Nicoladeli é quem assina a arte das paredes do Social Spot Bar, na Pedra Branca, em Palhoça, a locação desta edição. Artista intuitivo, expressa em suas obras o universo da imaginação e busca sensibilizar por meio da introspecção. Segue a vertente da Arte Psicodélica, em que retrata uma percepção que questiona os sentidos das formas abstratas. Contrasta entre o monocromático e as cores, transformando pigmentos em sentimentos. O conjunto de elementos irregulares utilizados contextualiza uma expressão visualmente harmônica. “A arte está nos detalhes, enxergue tudo ao seu redor e viva a ilusão constantemente”, sugere o artista.

Ecológica

Foto: Dari Luz/Especial

A coleção outono/inverno da marca catarinense Colcci foi batizada de Denim Soul, destacando a presença do jeans. Nesta temporada, ele foi coroado com personalidade e rebeldia expressiva, além de pitadas de sex appel. A linha Eco Soul nasceu a partir da preocupação com os impactos ambientais causados pela indústria da moda. Os modelos seguem meios inovadores e sustentáveis. Funciona da seguinte forma: os resíduos do processo de fiação e sobras de fios são desfibrados e transformados novamente em fibra, reiniciando um novo ciclo. No tingimento, a seleção de químicos é desenvolvida sob as mais rigorosas normas ambientais e de qualidade. Contribuem para a redução de 80% do consumo da água. E, no processo de acabamento, o consumo de energia na secagem dos produtos é reduzido devido À união da fórmula de químicos, com a nova tecnologia de processo. Cem por cento da água utilizada na produção dos tecidos é tratada, sendo que 70% é reutilizada. 

Foto: Dari Luz/Especial
Foto: Dari Luz/Especial
Foto: Dari Luz/Especial
Foto: Dari Luz/Especial
Foto: Dari Luz/Especial
Foto: Dari Luz/Especial

:: Participaram deste editorial

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Lais Tomaselli (DN Models)
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Locação: Social Spot Bar (Rua Albatroz, 26, Pedra Branca – Palhoça)
Marcas e lojas participantes: Adidas, Colcci, Carmen Steffens, Giane Urbano, Gabriela Faraco, Forever 21, Monnari Jeans, Kenzo, Vans, Zara.

Western: uma das fortes tendências na moda inverno 2019

Estar na Itália é uma excelente oportunidade para se atualizar em tudo o que diz respeito à moda e design. E é daqui que estou escrevendo a minha coluna deste fim de semana para a Revista Versar, fotografada há duas semanas no Haras Duas Meninas, em Floripa.

Saia A Teen para Danna e blusa Andrea Bogosian para Dana, bota acervo e cinto Dior. Foto Dari Luz, especial

Recentemente ocorreu aqui em Milão o Salone del Mobile, super aguardado no setor de móveis e arquitetura mundial, com iniciativas que também foram dedicadas ao mundo fashion. Como de costume, inúmeras marcas participaram ativamente do evento, mostrando sua estética através de exposições, performances e dando vida a novos produtos em colaboração com nomes do design contemporâneo. Um calendário repleto de atividades que se espalhou por todos os cantos da cidade.

Os eventos Fuorisalone, como são chamados, são exposições que animam toda a cidade de Milão durante a semana e reúnem nomes da moda como Gucci, Etro, Filosofia, Louis Vuitton, Dolce & Gabbana, Missoni, entre outros.

A Gucci , por exemplo, mostrou uma coleção idealizada pelo diretor criativo Alessandro Michele. No acervo estavam móveis e acessórios de decoração, todos com motivos e símbolos retirados do ambiente visual de Michele. Ele celebrou a natureza com suas inspirações baseadas na flora e na fauna, mostradas nas cerâmicas pintadas à mão, alças em forma de serpente, castiçais com estampas florais, tigres desenhados em almofadas bordadas e paredes cobertas com papel de parede colorido de vinil ou seda.

Cowgirl moderna

Casaco acervo, blusa e saia Galiani, botas Paula Torres, cinto Dior e Chapéu Zara. Foto Dari Luz, especial

O tema desta semana é uma das tendências fortes do inverno 2019, a Western. Embora o estilo ainda seja muito associado aos cantores country, de vez em quando aparece na moda com nova roupagem. Madonna já exibia jeans, chapéu, camisa xadrez e botas no clipe Don’t tell Me, em 2000, nos primeiros momentos da década, em que todas as garotas da nova geração quiseram adotar o visual forever.

Versão refinada

Vestido Fernè, pulseira Hermès, bota acervo e chapéu Zara. Foto Dari Luz, divulgação

O mundo da moda, num passado distante, acordou com uma versão mais refinada do estilo, graças a Marilyn Monroe. A icônica loira posou em uma sessão de fotos, com tema para o Dia dos Namorados, em look duas peças numa versão cowgirl, no início de sua curta carreira. Kitsch e divertido, o estilo foi adorado como traje de fantasia pelas próximas três décadas, até que a atriz Raquel Welch usou o mood em outro filme de 1970. Chegou ao pico na era disco, e as botas de cowboy surgiram como uma escolha sólida para dançar à noite toda com Grace Jones no Studio 54. Os frequentadores de clubes combinavam seus calçados com calças quentes e vestidos profundos em decote em “v”.

Diana, a princesa de Gales, mostrou a referência no final dos anos 1980. Ela usou uma bota de cowboy marrom, um boné de beisebol, blazer e jeans para uma partida de polo em Windsor. A roupa foi considerada controversa na época, mas desde então abriu caminho para outros membros da família real britânica romperem com a tradição e serem fotografados com jeans e looks mais descontraídos. Em 2014, o texano nativo Tom Ford reinventou a bota de cowboy para a alta moda. O designer revelou uma visão glamourosa do clássico americano num desfile em Londres.

Garota ocidental

Bota Gucci, chapéu Zara, calça e blusa Fernè e brincos Gabriela Faraco. Foto Dari Luz, especial

Em Nova York, Milão, Londres e Paris recentemente vimos algumas coleções inspiradas no Velho Oeste chegando às passarelas como tendências de moda. Isabel Marant sempre dedica grande parte das suas peças ao estilo em particular, enquanto muitas outras grifes optaram por trazer jaquetas e vestidos com franjas, botas, cintos rústicos de metal e cachecóis com estampa de animais. De Maison Margiela a Saint Laurent , não há como negar, as botas deram uma palhinha, assim como todo o estilo e a vibe do visual western. Desde então, a tendência ganhou impulso em todos os lados do mundo, chegando às marcas mais comerciais.

A bota cowboy entrou e saiu de moda várias vezes desde o final da década de 1940, quando a atriz Wendy Waldron posou com um par no comprimento da panturrilha, em uma cena de um velho filme de Hollywood. Foram originalmente projetadas para verdadeiros cowboys americanos que cuidavam de gado com referências resgatadas do modelo britânico Wellington, ou também na marca Hunter como referência, aquela que falei aqui na última coluna, lembra?

A história conta que o italiano Sam Lucchese imigrou da Sicília com seus irmãos e viu uma lacuna no mercado local do Texas em busca de botas duráveis e econômicas para os trabalhadores das fazendas. A marca foi adquirida pela Blue Bell Corporation – a matriz para outro produto básico americano, a Wrangler – em 1970, mas um par clássico de Lucchese permaneceu como o padrão da indústria desde então. Diz a lenda que o cantor de voz suave Bing Crobsy foi uma das primeiras celebridades a solicitar um design personalizado e que John Wayne era um cliente leal por mais de 50 anos.

Geração boêmia

Vestido Galiani, casaco de franjas Andrea Bogosian para Danna, chapéu Zara. Foto Dari Luz, especial

A marca catarinense Galiani está completando quatro anos em 2019 e acaba de ganhar espaço no cenário nacional. As peças, elaboradas pela estilista Rafaela Galiani, estarão em multimarcas em São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Brasília.
A Coleção deste inverno foi batizada de Bohemian e representa o estilo de vida boêmia dos anos 1960 e 1970, onde as pessoas andavam pelo mundo sem muito compromisso ou laços permanentes.
– Foi uma geração que respirava música, arte e literatura, sem deixar de lado o espírito livre e aventureiro, sem julgamentos para a liberdade e o amor – diz a estilista.

Do Rio para Floripa

Vestido Marie Lafayette, lenço Louis Vuitton, bota acervo e chapéu Zara. Foto Dari Luz, especial

A estilista Marie Lafayette e a empresária Paula Lindenberg abriram um atelier com roupas de noivas e festas em Jurerê internacional. O grande diferencial da loja de Jurerê é a linha Day Wear com looks prontos em alfaiataria e acabamento diferenciado.

Há 12 anos trabalhando na área, a estilista é formada em moda na Esmod Paris, uma das mais renomadas escolas em âmbito internacional e trabalhou em diversos países na área de Haute Couture, como França, Espanha, Itália e Estados Unidos.

Além das noivas tem no currículo trabalhos de grande porte em produções para novelas e seriados da Rede Globo. A empresária Paula Lindenberg era professora de hipismo e jornalista de formação, porém nunca atuou na área.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa

Modelo: Mariana Fernandes– DN Models

Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz

Produção de cena: Larissa Maldaner

Beleza: Larissa Maldaner

Agradecimento: Haras Duas Meninas

Marcas e lojas participantes: A Teen, Andrea Bogosian, Dior, DANNA Boutique, Galiani, Gucci, Hermès, Fernè, Gabriela Faraco, Marie Lafayette, Louis Vuitton, Paula Torres