Arquivos mensais: fevereiro 2019

Básicas e versáteis: camisas brancas vão dos looks mais simples aos mais sofisticados

Você pode usá-la com diamantes ou com nada – cabe a você. Isso significa que as tendências podem ir e vir, mas nada vai bater uma camisa branca. Camisas combinam com sobreposições ou looks mais sofisticados. Coco Chanel pode ter popularizado o Little Black Dress, mas Carolina Herrera difundiu seu próprio estilo através das camisas brancas.

Por Lise Crippa

Brincos e colar Nakana Biojoias, saia Closet Camila Fraga, camisa Jacque Lodetti e joias Bárbara K (Fotos: Dari Luz/Divulgação)

Carolina Herrera e as camisas brancas

Joias Bárbara K, colar Nakana Biojoias, saia Fernè, carteira A Clutch e chemise Atelier Jacque Lodetti

A designer criou o item clássico já em sua primeira coleção, em 1981. A parte superior pode ser combinada com jeans, saias mais produzidas e blazers: “elas me fazem sentir segura”, explicou Herrera. “Quando não sei o que vestir, escolho uma camisa branca.” Bingo!

Você pode usá-la com diamantes ou com nada – cabe a você. Isso significa que as tendências podem ir e vir, mas nada vai bater uma camisa branca. A filha de Herrera, também chamada Carolina, comentou que a chave por trás da intemporalidade da camisa é sua versatilidade: “o que você quer que seja, a camisa branca se torna”.

Aquela peça básica

O Studio Jacque Lodetti, de Criciúma, nasceu da vontade da busca da independência de códigos e tendências para recriar o closet feminino de forma atemporal e versátil: “acreditamos na força da camisa branca como plataforma de múltiplas combinações e expressão de singularidade”, me confessa a designer homônima à marca.

Usando algodão e seda, por sua durabilidade e qualidade, o Studio traz interpretações da camisa branca com coleções cápsula cuidadosamente produzidas por mão de obra local,
seguindo o conceito slow fashion.

Jacque se desenvolveu como estilista em ateliê de alta costura e na indústria jeanswear, complementando sua experiência no Instituto Marangoni, em Milão. Com 30 anos de trajetória como designer de produto, percebendo a necessidade de buscar um novo significado entendendo a moda como expressão da própria vida, mergulhou no seu universo interno para repensar valores e resgatar outros que realmente fizessem sentido para o momento atual.

Tranças da Terra

Saia Closet Camila Fraga, bolsa Tranças da Terra, camisa Atelier Jacque Lodetti e joias Bárbara K

O artesanato feito em palha de trigo é a marca registrada da região montanhosa situada em Joaçaba, no Meio-Oeste de Santa Catarina. A técnica dessa produção foi resgatada pelo projeto Tranças da Terra, nascido da necessidade de encontrar uma atividade que identificasse a região e gerasse renda para as comunidades rurais. Lançado em 2005, o projeto alcançou resultados esperados em termos econômicos, sociais e ambientais. Atualmente, são 22 artesãos e 11 produtores de trigo envolvendo mais de 50 pessoas que, de forma associativa e em rede, mantêm a essência do desenvolvimento, levando em conta a sustentabilidade social, econômica, ecológica, territorial, cultural e os princípios do comércio justo.

O projeto proporcionou capacitação em gestão administrativa, financeira, mercado e consultoria em design de produto, em que foram desenvolvidos mais de 30 produtos que estão à venda no site Tranças da Terra. São chapéus, sportas (sacolas), sousplat, capitéis, porta-vela, trilho de mesa, jogos americanos, bolsas, cesta para pães, luminárias, cestas de flores, revisteiro, flores para arranjo, colares, adorno de bolsa, prendedor de cabelo, entre outros itens.

Politicamente correta

A Nakana Biojoias – o nome significa no dialeto havaiano “Prenda de Deus” – tem peças criadas pela designer e artesã Elaine Almeida. Todas feitas à mão, com sustentabilidade, mesclando cordas ecológicas extraídas das garrafas pets, revestidas com fios de seda e algodão, tingidos organicamente com café, cebola e outros produtos. Muitas peças também são feitas de conchas, búzios, pedras naturais, madeira, açaí, palhas e fios de buriti.

Algumas banhadas em metal, ouro e rodium, que vem com um antialérgico especial, o que dá garantia e durabilidade. Nascida em São Paulo e criada no interior, numa região rica e com vocação à arte, foi com o pai, um ourives especialista em confeccionar bijuterias finas e semijoias, e com a mãe, que tinha o dom da costura, da pintura, tricô e crochê, que Elaine se motivou a confeccionar suas próprias peças. Em 2014, mudou-se para Florianópolis com o marido e incentivador Robson, e começou a trabalhar como artesã.

No entanto eles se viram em meio a um dilema: no local onde foram morar, conhecido pela “ desova” de animais velhos, abatidos por maus tratos e filhotes indesejados, a designer e o marido começaram a acolher os bichinhos, alguns cães e gatos. Dedicados à causa, todo o lucro arrecadado com a venda das bijuterias é revertido para comprar comida, pagar veterinário e manter 42 animais.

Em camadas

Joias Bárbara k, cinto Chanel, saia e corset Fernè e camisa Atelier
Jacque Lodetti

As sobreposições estarão muito em evidência no próximo inverno. Assim que comecei a cruzar com a tendência, quando ainda estava na minha temporada na Itália, logo associei à marca Balenciaga, com seus looks em camadas sem igual e inconfundíveis. Na verdade, dois dos principais nomes das semanas de moda, Balenciaga e Chanel levaram essa ideia da sobreposição ao extremo nas passarelas de outono-inverno 2018-2019, o que acabou inspirando o inverno 2019 aqui pelo Brasil.

O legal é saber brincar com os comprimentos e as cores, garimpando peças nas quais os tons possam conversar entre si. Para a diretora-criativa da Fernè, marca catarinense de roupas em couro e pelica, Tatiana Greuel, “a regra para as camadas é meio que não ter regra. Porém ter uma cor, um material, algo na proporção, sempre facilita”.
Outra ideia legal é apostar em peças monocromáticas e eu particularmente amo este shape. A combinação de texturas também fica bacana. Neste editorial todas as peças sobrepostas combinam com couro + renda + tricoline ou couro + tricoline das camisas.

Icônicos

Joias Bárbara K, corset Fernè, saia Iorane, camisa Atelier Jacque Lodetti e carteira A Clutch

A peça responsável por dar postura, afinar e alongar a silhueta feminina já foi batizada de diferentes nomes, desde os primórdios, de acordo com a região e com a época. O corset, ou espartilho, também já foi chamado de payre of bodies, corps ou vasquina. Exatamente onde e quando surgiram eu não achei nenhuma referência, mas parece que os gregos já usavam uma peça muito similar.

Recentemente, a diretora-artística da Dior, Maria Grazia Chiuri, trouxe todos os seus sentimentos nascentes para o feminismo em um poderoso e significativo show da Dior Cruise destacando duas peças: corset e saia. O foco da coleção foram as mulheres mexicanas montadas em cavalos. A estilista revelou, por meio das roupas, que as mulheres podem fazer as coisas que quiserem: “as formas são realmente Dior – bonitas e leves – mas ao mesmo tempo também são fortes”. Apareceram cinturas marcadas em cintos largos e os corsets para contrastar com a agitação de babados nas saias, além de algumas camisas.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Ariella Pretto – Ford Models SC
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Locação: Igreja de Nossa Senhora das Necessidades (Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis)
Marcas e lojas participantes: A Clutch, Atelier Jacque Lodetti, Bárbara K, Closet Camila Fraga, Chanel, Fernè, Iorane, Nakana Biojoias, Tranças da Terra

Minha coluna Revista Versar: navy: o estilo que navega de geração em geração


O estilo náutico na moda é atemporal e praticamente qualquer pessoa, de qualquer idade, pode incorporar a aparência em seu dia a dia. São peças icônicas, que incluem casacos e blazers bem estruturados, blusas de malha com gola alta, sapatos e cintos de corda trançados, calças boca de sino, além das pulseiras com elos e as icônicas blusas listradas. A combinação branco com azul marinho, com toques de vermelho, é a mais comum. Não importa de que maneira você vai adotá-lo, mas pode ter certeza: é garantia de sucesso em qualquer estação!

Pulseiras acervo, blazer Ammis, body Água de Coco para lojas Mariella, brincos Lize Acessórios e sandálias Antônia Handbags (Fotos: Dari Luiz/Divulgação)

Da marinha para a moda

O clássico uniforme azul marinho e branco listrado que conhecemos são originários da região costeira francesa da Bretanha. O traje dos oficiais da marinha francesa carrega 21 faixas horizontais, uma para cada uma das vitórias de Napoleão. O vestuário nasceu da funcionalidade: o decote reto permitia que os marinheiros se vestissem rapidamente para atender qualquer imprevisto à bordo.


Brincos Lize Acessórios, pulseiras de elos acervo, pulseira branca Hermès e vestido Skazi para Tida

Origem com Chanel

Quando Coco Chanel abriu sua primeira loja de roupas em 1913, na estância balnear de Deauville, na Normandia, introduziu na coleção várias peças vindas do figurino dos pescadores normandos, completamente reinventadas e adaptadas para a moda e para as mulheres.

Graças a sua irmã Antoinette e a tia Adrienne, que usaram os modelos pela cidade, a elegante inspiração náutica de Chanel tornou-se bastante atraente para moças bem vestidas, tanto dentro quanto fora da praia. Poucos anos depois, os modelos estavam nas páginas das Vogue britânica e americana.

 Macacão Skazi para Tida, colar acervo

Outra referência que Chanel reinventou foram os trajes dos marinheiros franceses. Desta vez, ela criou uma coleção com tema náutico, lá por 1917. Chanel favoreceu silhuetas masculinas para dar poder à sua clientela e foi fotografada ostentando uma blusa listrada, batizada de camiseta bretão, e um par de calças com pernas largas que chamou a atenção das mulheres da época. A alta sociedade logo se convenceu que a estilista estava no caminho certo. O shape rende ótimos looks até hoje.

Reinventado em várias épocas

Seja no vestido marinheiro criado por Mary Quant em 1967 ou por Yohji Yamamoto, que lançou uma versão do estilo exagerado para a primavera / verão de 2007, o visual foi visto várias e várias vezes na moda e até na decoração. Alguns designers captaram mais notavelmente o espírito da Marinha, como Vivienne Westwood, cujo pirata inspirou a coleção “World’s End”, em 1981, e John Paul Gaultier, que em muitas de suas coleções mostrou o fascínio pelo personagem infantil Popeye. Lembrando ainda que Ralph Lauren, cuja marca é um clássico chique americano, apoia fortemente a estética náutica.

Houve tantas reencarnações do estilo desde que as blusas listradas de Chanel se tornaram populares no início do século 20 que seria quase impossível mensurar aqui. Que seja eterno, então, pois eu amo muito!


Cinto Chanel, argolas e pulseira Lize Acessórios, chapéu Vero, vestido Cheroy para lojas Mariella

Nos primórdios

Acreditem: os créditos do estilo náutico, segundo a história, vão para a rainha Vitória. Ela foi a primeira dama a experimentar, em um dos filhos, o estilo navy: em 1846, vestiu Albert Edward, Príncipe de Gales, de quatro anos de idade, em um terno de marinheiro para usar a bordo do Royal Yacht. Quando o menino apareceu diante do público, oficiais e marinheiros que estavam reunidos no convés para vê-lo o aplaudiram. O príncipe William usou uma cópia exata no casamento do príncipe André e da duquesa de York em 1986. 

Bolsa e sapatos Carmen Steffens, macacão Hit Closet

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda:
Lise Crippa
Modelo: Lara Meneghel – Ford 
Models SC
Fotos e tratamento de fotos: 
Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Ajudante de produção: Luisa Lobato
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimento especial: Evandro e Graciele Parente e ao marinheiro Willian Pinheiro
Marcas e lojas participantes: Água de Coco, Ammis, Cheroy, Antonia Handbags, Carmen Steffens, Chanel, Hit Closet, Hermès, Lojas Mariella, Lize Acessórios, Mariana Pelegrini, Renata Ouro, Skazi, Tida, Vero ChapéuL