Moda e arquitetura em movimento


A maior mudança que está ocorrendo na moda e no design são as marcas tradicionais descobrindo que não podem mais se garantir com os louros que ganharam no passado. O consumidor, cada vez mais exigente, não ficará facilmente impressionado como costumava ser.

O conceito de “Novo Luxo” tem uma abrangência, e impactos enormes, na moda, design, no turismo e no setor hoteleiro que deverão se reinventar, e inventar, sem limites com novas equipes de vendas, serviços e criação de novos relacionamentos e experiências. Terão que pensar , e repensar, da maneira mais criativa possível, utilizando “não-fórmulas” para clientes altamente exclusivos. Não é algo que iremos notar da noite para o dia, isso exige um verdadeiro compromisso de transformação do paradigma atual.

Camisa Mara Mac, saia Lorane, brincos Gabriela Faraco e sapatos Capodarte. Foto: Dari Luz/Especial

O luxo está sendo repensado já faz algum tempo e para seduzir o novo consumidor, a indústria precisa mudar. Acompanho evoluções neste sentido pelo mundo, através das minhas viagens e aqui, bem perto, com marcas que já adotaram esta nova postura. O dono da Osklen, Oskar Metsavaht, já falava em 2012, no evento Rio + 20, que os produtos sustentáveis só teriam mais espaço na moda se tivessem também qualidade e design: “não adianta ser sustentável, se não for belo e bem feito. E não adianta também ter tudo isso se você não criou uma sedução com a linguagem de moda para ser desejado”, deixou claro em matéria para o site G1 da época. Naquele momento a Osklen já havia desenvolvido 23 tipos de materiais inovadores para suas coleções, através de parcerias com cooperativas e pequenas empresas.

O internacional Kering, grupo cujas marcas incluem Balenciaga, Gucci, Yves Saint Laurent e Bottega Veneta comprometeu-se a transformar seu próprio negócio e a indústria em todos os níveis. Lançada em 2018, a estratégia ética para 2025 afirma: vemos a sustentabilidade como uma necessidade que tem tudo a ver com luxo. O conglomerado francês ficou em segundo lugar como grupo global mais sustentável no Corporate Knights’ 2019 Global 100 Index. O ranking que analisa o desempenho, a longo prazo, das companhias nos aspectos econômico, ambiental e social.

Design catarinense

Vestido Single, camiseta Eva, colar e brincos Gabriela Faraco, bolsa Lenny e sapatos Capodarte. Foto: Dari Luz/Especial

Nesta nova era da moda e arquitetura, as mãos habilidosas de um artesão, ou de um artista, nunca estiveram tão valorizadas. O catarinense Jader Almeida se encaixa, e muito bem, neste quesito. Ele comanda com visão estratégica a materialização de seus projetos, uma linha de mobiliário e objetos, que aliam o mais avançado sistema de fabricação serial moveleira, tratamento requintado e insubstituível do acabamento manual.

– Crio peças não para protagonizar um espaço, mas para serem coadjuvantes. Meu design é fruto de um trabalho extremo de simplificação projetual e, ao mesmo tempo, do ponto de vista da produção, minhas peças são muito detalhadas – diz.

Formado em arquitetura, com peças premiadas nos principais concursos nacionais e internacionais de design, Jader conquista cada vez maior destaque e segue aprimorando seu trabalho com a participação em feiras, exposições, visitas técnicas e cursos em diversos países. Em 2019, já faturou os prêmios Good Design Award Chicago – USA com a cadeira BELL, German Design Award 2019 com a poltrona CELINE (nominee), Prêmio Casa Vogue de Design 2019 – Designer do Ano, Prêmio Casa Vogue de Design 2019 – com a coleção AIR (aparadores e mesa de centro).

Peças eternizadas

Calça e blusa Alice, argola Gabriela Faraco e sandálias Capodarte. Foto: Dari/Luz

Quando eu vi a poltrona Mole (mesma da foto), desenhada em 1957, soube que seria um caso de amor platônico. Seu criador, o arquiteto carioca Sergio Rodrigues, é um dos grandes mestres do móvel moderno no mundo. Infelizmente faleceu em 2014, ano em que comemorou seis décadas de atuação continuada no design de móveis e na arquitetura. Desde o início suas cadeiras romperam com o sentar elegante e bem-comportado. Robusta, a poltrona é composta de estrutura em madeira maciça torneada, por cintas de couro e almofadões estofados. O móvel convida ao relaxamento e ao aconchego, oferecendo um conforto que lembra o da rede, o mais tradicional equipamento da casa brasileira. O modelo recebeu o primeiro prêmio no Concurso Internacional do Móvel em Cantù, Itália, em 1961.

Outras obras-chave de sua trajetória são o banco Mocho, de 1954, a poltrona Kilin, de 1973 e a poltrona Diz, de 2002, um projeto da sua plena maturidade, apenas em madeira, que permite um extremo conforto ao usuário. Sergio recebeu diversos outros prêmios, entre eles o Lapiz de Plata, na Bienal de Arquitetura de Buenos Aires, em 1982; e o primeiro lugar no 20º Prêmio Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, em 2006, pela poltrona Diz. Em 1955 fundou a Oca, um estúdio de arquitetura de interiores, ambientação, cenografia e componentes de decoração aliados a uma galeria de arte e a exposição do mobiliário de sua autoria. Por meio dessa empresa, forneceu parte significativa do mobiliário para os interiores dos prédios da então nascente capital federal, Brasília.

Moda e arquitetura

Camisa Mara Mac, saia Lorane, brincos Gabriela Faraco e sapatos Capodarte. Foto: Dari Luz/Especial

Nascida em Florianópolis, a designer Gabriela Faraco começou a montar as suas bijus há 20 anos, em casa mesmo. A mãe vendia para as tias e a menina, na época com 14 anos, vendia para as amigas no colégio. Típica história adolescente que poderia ter caído no esquecimento, caso o talento já não fosse nato.

Hoje Gabi cria quatro coleções ao ano, vende para lojas de todo o Brasil e no exterior, como Miami e Amsterdam, e toca uma loja no centro da capital.

– Minha intenção é estar presente em mais de 300 pontos de vendas pelo Brasil em dois
anos. Atualmente tenho minhas peças em 100. Minha ideia é abertura de franquias e acredito que em dois anos isso já seja viável pois estamos nos estruturando – revela.

A designer comanda tudo de perto, da criação às vendas, porém com a grande demanda de coleções tem “um braço” que a ajuda em alguns desenvolvimentos fora do teu atelier.
Sobre a sua inspiração revela que:

– Gosto muito de viajar e acredito que viagens são sempre a minha maior fonte de inspiração. A nova coleção, por exemplo, foi toda inspirada em um arquiteto francês chamado Joseph Dirand que realiza projetos incríveis e que conheci após almoçar num restaurante, com projeto assinado por ele.1 of 6  

Foto: Dari Luz/Especial
Calça e blusa Alice, argola Gabriela Faraco e sandálias Capodarte. Estante Icon, luminária de piso Asti, luminária de Mesa Gramp (na estante), de Jader Almeida, e Poltrona e pufe Mule, de Sérgio Rodrigues. Foto: Dari Luz/Especial
Camisa Mara Mac, saia Iorane, brincos Gabriela Faraco e sapatos Capodarte. Poltrona Voltaire, banco Sonia, banqueta Sonia, todos Sérgio Rodrigues. Foto: Dari Luz/Especial
Bolsa e sapato Capodarte, vestido e calça Alice. Em primeiro Plano: aparador aéreo Air, luminária de parede Pinn, e poltrona Moon. Foto: Dari Luz/Especial
Vestido Single, camiseta Eva, colar e brincos Gabriela Faraco, bolsa Lenny e sapato Capodarte. Mesa de Jantar Legg, cadeiras Malha (esquerda), Mia (ponta), Dinna 146 (direita), luminárias pendente Ponto. Foto: Dari Luz/Especial
Vestido Tig, brincos Gabriela Faraco. Em primeiro plano: luminárias pendente Phi, mesa de jantar Bank. Foto: Dari Luz/Especial

Fica de olho

Queridinhos
Há algumas tendências da moda que não podem ser encontradas em nenhuma década em particular, mas são cobiçadas em qualquer tempo. As últimas passarelas mostraram os anos 1970, 80 e 90, dos ombros largos às bolsas micro, aliás, um modelo bem pequeno e estruturado que pode ser a nova sensação da estação. Trata-se de um acessório quase que impraticável que cabe dentro, tipo, um esqueiro! O absurdo faz parte do charme. Jacquemus, jovem estilista francês e queridinho das fashionistas, criou a peça batizada de Le Chiquito e que já virou febre entre as antenadas na moda.

Acessório da vez
Siga sua intuição e aperte os cintos! Tai um look que gosto! Cinto em cima de blazers, camisas, camisetas e vestidos. Eles podem ser finos ou grossos. A melhor parte dessa tendência é que você não precisa investir muito em vários looks, basta comprar um cinto novo e bonito e brincar!

Cores de primavera, amo!

Roxo antigo
Ano passado o rosa antigo reinou absoluto, mas de agora em diante abra alas para o roxo que pode ser num look monocromático, ou um toque de lavanda nos acessórios.

Pressed Rose
Leve o ar e estilo princesa até o âmago! O Pressed Rose é a cor que engloba toda a feminilidade descarada e icônica das passarelas. Este precioso rosa pastel possui apenas um toque de calor, especialmente, quando comparado ao seu parente próximo,o Sweet Lilac.

Lilás doce
Este rosa bebê tem um toque de lavanda, tornando-o uma das opções de cores mais lindas da primavera/verão.
É um tom suave, feminino, mas não doentio, elegantemente, minimalista.

Açafrão
O tempero homônimo está tendo um momento de glória graças aos benefícios à saúde. Se você não planeja tomar sucos ou fazer máscaras faciais com iogurte, talvez possa absorver alguns desses benefícios usando a cor como uma das tendências de cores.

Gema de ovo Pastel Amarelo
Esta linda sombra de gema de ovo combina bem com outros pastel, para o visual perfeito durante o dia de primavera.

Lemon Verbena
Combina especialmente com alguns dos azuis e tons pastel que também vimos
nas passarelas.

Verde neon
Todos os tipos de neons apareceram como parte das tendências de cores da
primavera/verão, especialmente nas passarelas inspiradas na sensibilidade punk dos anos 1980.

Prata
O único metal desta lista, com um ponto muito merecido. A prata é uma cor que é simultaneamente luxuosa, mas feroz, futurista e histórica e, de fato, nas passarelas vimos o shape em todas essas interações.

Participaram deste editorial

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Clari Iagher/ DN Models
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimento: Icon Interiores Florianópolis
Marcas e lojas participantes: Alice, Capodarte, BK Concept, Tida, Loja Maria Claudia, Eva, TIG Renata Figueiredo, Iorane, Single, Mara Mac, Rosa Dahlia, Gabriela Faraco e Lenny.

Color bloking: os últimos tons do inverno


As passarelas de moda internacionais revelaram peças repletas de psicodelia e ousadia, desde os suéteres verde-acastanhados aos vestidos de penas de néon da Gucci. Admito que duvidei se a tendência pegaria no dia a dia. A mistura de cores fortes e texturas estranhas não era exatamente o que eu pretendia aderir para a vida real, mas cheguei à conclusão de que estava enganada…

Espectro de luz

Sandalia Arezzo, vestido Le Lis Blanc e blusa Colcci. Foto: Dari Luz

Tons neon e outras cores de peso estão tomando força. Tenho filhas adolescentes e com elas aprendo a olhar para algumas tendências que, normalmente, passariam despercebidas. Através das meninas foi que dei conta que Kendall Jenner, uma das irmãs Kardashian, combinou um top verde com make do mesmo tom, e a modelo Bella Hadid compensou um colete fluorescente usando branco no resto do look.

Outra moda que entra ano, sai ano, vai e volta, é o color bloking, que destaco na coluna desta semana. Ela é nada mais, nada menos que uma combinação de cores vibrantes usadas num mesmo look, mas que no final convivem em harmonia. Para entender melhor a ideia, pense na composição de Mondrian, nas suas obras abstratas em tons de vermelho, amarelo e azul, na qual a pintura resulta unicamente em linhas e blocos de cores bem equilibradas. Agora atualize este colorido para as mil possibilidades que a indústria têxtil pode oferecer e eis um look color blocking que, inclusive, pode ser tom sobre tom na mesma cor ou de diferentes tonalidades. O que parece ser um estilo vindo dos anos 1960 foi rapidamente adotado nas ruas, depois de ser revivido nas passarelas.

Protocolo fashion

A monarca britânica Elizabeth II foi quem impulsionou a criação da hashtag #NeonAt90 e isso está nas páginas de um livro dedicado ao closet mais colorido da realeza. Com fotografias que vão desde a década de 1950 até hoje, e com cores brilhantes que passeiam pelos rosados, que a rainha usava na infância, até o vestido verde neon que incitou a hashtag badalada. Our Rainbow Queen, é uma leitura obrigatória para fãs da rainha e de moda. O livro faz uma viagem fotográfica através das dez décadas do inconfundível estilo color blocking de Elizabeth. As fotografias, que abrangem as cores do arco-íris e um século de estilo, aparecem em legendas e comentários do jornalista e radiodifusor Sali Hughes, que dá contexto fascinante para cada imagem. Os leitores aprenderão como a queen usou a cor e a moda de maneiras estratégicas e discretamente políticas, como o azul da bandeira da união européia para uma reunião pós-Brexit. Ao longo de décadas o coroado closet tornou-se tão icônico, quanto a própria mulher.

Nos primeiros anos ela foi ajudada por dois costureiros em particular: Norman Hartnell e Hardy Amies. Hartnell criou o vestido de noiva e o traje da coroação. Amies, entretanto, tornou-se o conselheiro de estilo do dia-a-dia. Hoje a a rainha tem uma coleção de “marcas registradas” de estilo próprio, instantaneamente reconhecíveis e verdadeiros códigos de moda: lenços na cabeça, cores vivas e brilhantes, muitas vezes combinadas com luvas brancas e pérolas – e sempre com um chapéu perfeitamente coordenado.

O que descobri sobre o closet da rainha

  • l Ela usou calças uma vez na vida, durante a Royal Tour do Canadá em 1970, quando um jovem alfaiate fez um terno de seda matte, em um esforço para atualizar seu visual.
  • A rainha tem um guarda-chuva enfeitado combinando com o look do dia.
  • Tem uma grife de bolsa de mão preferida e mais de 200 modelos Launer, uma marca britânica cujos designs custam mais de 1 mil dólares. De acordo com o The Telegraph, suas preferidas são o Royale e Traviata, graças às suas alças mais longas, que facilitam o aperto de mão.
  • O chapéu dela não pode ser muito largo. A chapeleira favorita da rainha, Rachel Trevor-Morgan, recebeu instruções para fazer chapéus que não obscurecem seu rosto e que não fossem muito altos, caso contrário, poderiam ficar presos quando ela sai do carro.
  • Só usa lenços de seda da icônica Hermés.
  • Bainhas dos vestidos sempre abaixo dos joelhos, porque Elizabeth não quer ser pega de surpresa.
  • Fã da Gucci (eu também sou!), uma fashionista nata, experimentou várias tendências de moda da marca, inclusive color bloking e mocassins.
  • Compareceu ao casamento do seu neto, em 2018, vestindo um casaco verde-limão e um vestido do estilista inglês Stewart Parvin.
  • Para finalizar, e talvez decepcionar as fashionistas que estão lendo a coluna, a rainha não é exatamente uma fã das cores berrantes: os looks com cores forte são, na verdade, um protocolo de segurarança adotado para ela nunca, jamais, ser mais uma na multidão, e assim chamar a atenção da sua guarda, esteja ela onde estiver.

Pós-treino

Sandália Arezzo, calça e acessórios Strass e casaco Colcci. Foto: Dari Luz

Tenho visto muitas mulheres saindo para um brunch ou sunset, pós-treino, usando seus looks de academia. Isso tornou-se não só um sinal de saúde mas uma opção de roupa confortável e estilosa, bem diferente da antiga ideia das marcas esportivas padronizadas. O esporte-chique existe desde os anos 1990, mas até 2010 ninguém o considerou fashion. Roupas de academia eram usadas apenas para malhar e só depois que o mood foi para as passarelas de marcas consagradas, e para a vida real, novas marcas surgiram e as antigas passaram a ganhar mercado. A linha sportswear não está mais rotulada apenas para os rappers e atletas: o esporte hoje é moda.

As mídias sociais tiveram uma tremenda influência no crescimento do movimento activewear. O Instagram permitiu que blogueiros e celebridades compartilhassem seu estilo de vida saudável e o que eles vestissem desse uma audiência massiva. Mais uma vez Kendall Jenner e as irmãs Bella e Gigi Hadid ditaram tendências no mercado de roupas. As Spice Girls, em 1996, na estreia do vídeo do single Wannabe, usaram looks Adidas e top de algodão com performance acrobática e muita cor neon já dando um trend alert do que estava por vir.

Não é por acaso que algumas marcas históricas, que foram ofuscadas desde o início dos anos 2000, estão passando por um segundo renascimento e voltaram a competir com empresas multinacionais de esportes como Nike e Adidas. As marcas de luxo estão tomando emprestada a inspiração de designers de roupas esportivas para coleções de alta-costura e tudo tem dado muito certo. O sportswear reinterpretado de forma luxuosa é uma maneira possível de se fazer moda e se há o nome de Gucci, Versace, Dior ou Alexander Wang por trás, torna-se uma garantia de sucesso. A revolução do chique esportivo começou quando as três peças básicas de roupas (camisetas, tênis e legging) foram emancipadas de sua função puramente utilitária para serem realocadas para roupas casuais e glamourosas.

Sapato aberto no inverno

Vestido Carmen Steffens, sandália Carmen Steffens, bolsa, blusa e cinto Colcci. Foto: Dari Luz

Usar sapatos abertos no inverno é controverso, não acha? Mas é uma regra de moda que deve ser quebrada e prestada atenção. O que acontece quando a roupa perfeita só combina com sandálias abertas e estamos na estação mais fria do ano? Segundo a Vogue, o veredicto sobre sapatos abertos no inverno depende da situação: se você é um fashionista ou está indo para a Fashion Week fazendo seu trajeto de carro, vá em frente. A chave para esse visual dar certo é fazer com que a combinação pareça intencional, caso contrário, dará a impressão que você realmente esqueceu que era a noite mais fria do ano.

Outro dia mesmo usei sandálias abertas com meia calça e o look super foi aprovado. Aliás, meias são uma boa alternativa de sucesso neste caso. Kate Moss, o último dos grandes ícones do século XX, ainda usa meias pretas; as garotas que amadureceram nos anos 2000, não. Lembro novamente das minhas filhas, não tem jeito delas usarem um exemplar de meias calças. Quando o modelo é opaco aparece nas passarelas a cada temporada ou a três, muitas vezes em homenagem aos anos 1990, com sandálias com tira no tornozelo e vestidos deslizantes.

Ah, e vale lembrar: a atriz Sienna Miller já foi flagrada em Nova York, em um dia frio, com saltos altos abertos, enquanto Kate Hudson usava peep-toes para climas semelhantes. Anna Wintour inventou as pernas nuas como um movimento de poder: a semana de moda de Nova York, realizada em fevereiro, às vezes é de -10ºC e Wintour abandonou as meias pretas e começou a chegar aos desfiles com as pernas nuas e com calçados indefectíveis de Manolo Blahnik. Se você realmente quer usar sapatos com os dedos de fora no inverno, vá em frente, eu acho cool!1 of 3  

Sandalia Carmen Steffens, saia AP 03, blusa e blazer Super Suite Seventy Seven
Sandalia Arezzo, vestido Printing e blazer NXTLVL
Saia Iorane, sandalias Carmen Steffens e blusa Tida

Participaram deste editorial

  • Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
  • Modelo: Dora Marafon/DN Models
  • Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
  • Produção de cena: Larissa Maldaner
  • Beleza: Larissa Maldaner
  • Lojas e marcas participantes: AP 03, Arezzo, Carmen Steffens, Colcci, Eva, Iorane, Iódice, Le Lis Blanc, NXTLVL, Printing, Super Suíte Seventy Seven, Strass Acessórios e Roupas, Tida.

Kaftan: peças viram itens super fashion


Você acha que não pode usar um kaftan em locais mais formais? Depois de ler a minha coluna deste fim de semana você mudará, definitivamente, de ideia. Não sei se já ouviu falar da ex-editora da Vogue britânica, Pippa Holt. Vou começar contando como ela me convenceu que estas peças, até então desfiladas nas praias e no máximo em barzinhos, viraram itens super fashion e foram parar nos principais cenários e passarelas de moda.

Vestido feito artesanalmente em voil de algodão com delicados fios de lurex. A estampa é feita com a técnica milenar do block printing, que utiliza carimbos de madeira. A carteira é feita em palha de palmeira por artesãos marroquinos. Foto: Dari Luz/Especial

Você acha que não pode usar um kaftan em locais mais formais? Depois de ler a minha coluna deste fim de semana você mudará, definitivamente, de ideia. Não sei se já ouviu falar da ex-editora da Vogue britânica, Pippa Holt. Vou começar contando como ela me convenceu que estas peças, até então desfiladas nas praias e no máximo em barzinhos, viraram itens super fashion e foram parar nos principais cenários e passarelas de moda.

A ex-editora da Vogue

Pippa vende seus kaftans num dos endereços que mais amo no mundo, a Bergdorf Goodman da Quinta Avenida, em Nova Iorque. Lá ela tem uma pop-up, vende também no site Netaporter, mas sua maior vitrine é o seu insta, o @pippa_holt_kaftans.

Há algum tempo se encantou com algumas peças que garimpou num pequeno grupo de tecelões do sul do México. Quando voltou para a Europa, começou a usar as roupas no dia a dia e as pessoas perguntavam sobre os looks. Alguns anos, e bebês, mais tarde, percebeu que as mulheres ainda procuravam esse tipo de vestido fácil e fluído. Foi então que fez uma parceria com os mesmos artesãos mexicanos para realizar uma collab oficial. Em Dublin, naIrlanda, onde mora atualmente, também mantém algumas mulheres que tecem manualmente os tecidos de algodão nos teares de apoio, usando os padrões e técnicas indígenas. Seus kaftans apresentam uma tradicional silhueta reta de manga e três comprimentos: midi, mini e um novo supermini com paletas de cores, formas e acabamentos de alta qualidade. Tudo é feito à mão e pode levar até seis meses para ser finalizado; esse processo lento os torna muito difíceis de conseguir e esta sensação de raridade faz com que sejam vendidos muito rápido. Vale a pena esperar e pagar pelo investimento de peças únicas e e que podem se tornar heranças colecionáveis.

Sustentáveis

Os kaftans são feitos de algodão natural e corantes. Alguns artesãos pelo mundo conseguem confeccionar tecidos, inclusive, a partir de insetos cochonilhados e amassados. Geralmente são peças realizadas em aldeias indígenas ou zonas rurais que fornecem trabalho estável para muitas mulheres. A matéria-prima final se transforma, conforme o olhar, em objetos de desejo, modernos, chiques e perfeitamente adequados para o o uso diário na cidade. Em outras palavras, você não precisa estar de férias ou numa praia para adotar o mood, a combinação costuma funcionar com quase todos os acessórios, desde sandálias a saltos, bijus ou joias. Dá para usar o seu kaftan com um cinto de peso, mocassins, tênis e alguns braceletes. Eu já adotei o estilo e estou amando!

Tenho visto uma multidão de influenciadores de estilo usando. Miroslava Duma, Poppy Delevingne e Yasmin Sewell – fizeram muito para popularizar o kaftan, anunciando-o como um item indispensável que tem o poder de levar você no verão ao outono ou inverno.

Esse vestido com tingimento manual chamado Shibori é feito em seda pura mulberry, uma das mais leves e delicadas que existe. A pashmina é feita em tear por artesãos do Vale da Caxemira, no norte da India. O chapéu por toquilleras do Equador. Brincos de ráfia. Foto: Dari Luz/Especial

Versão catarinense

casa Ethne, onde fiz as fotos da coluna desta semana, trata-se de um local que proporciona um modelo de compras diferente, um cross cultural, com uma história de shopping, porém sempre oferecendo uma experiência a ser vivida. Quem me apresentou a ideia foi a idealizadora e curadora do local, a jornalista e designer Samira Campos. O espaço foi inaugurado recentemente, em Santo Antônio de Lisboa, em Floripa, fortalecendo a nova vibe difundida pelo mundo, de se comprar roupas com conteúdo, através de muitas histórias paralelas de vidas, de lugares e de artesãos . Uma proposta de uma moda com mais tempo de confecção, mais aprofundamento, uma roupa com compromisso de valorizar o trabalho manual, o trabalho ancestral de tecelagem, tingimento, voltando às origens.

Samira me contou também o quanto valoriza as palhas naturais, buscadas em tribos indígenas, ou os trecês, couro e ráfias feitas pelos artesãos marroquinos e transformados em peças exclusivas, com pitadas de contemporaneidade dadas por ela. Ainda este ano lançará uma linha de joias, em parceria com a tribo Pataxó do sul da Bahia. Serão usadas plumas, penas cerificadas pelo Ibama e pedras preciosas.

A casa funciona com agendamento e está aberta das 14h às 19 h, inclusive aos sábados. Já está sendo criada também uma agenda cultural ligada à moda, com oficinas de macramê,  bordados e pinturas.

Outra paixão fashionista

Vestido Leheryia, mesmo nome de outra técnica de tingimento artesanal muito praticado no deserto do Rajastão, na India. A bolsa de palha é uma criação da Ethne com artesãs de Marrakech no Marrocos. O cinto de macramê colocado como turbante é feito no Marrocos com Sabre. Os brincos são confeccionados por indígenas de Cuenca, no Equador numa collab com a designer de acessórios Dani Depi, de Floripa. Foto: Dari Luz/Especial

As bolsas de palha e ráfia que estamos vendo por aí carregadas por celebridades e fashionistas, já não são mais aquelas que você, antigamente, jogava o protetor solar e acessórios para ir à praia, mas bolsas chiques, elaboradas e grifadas. Circulam por lugares badalados e adornam mulheres de extremo bom gosto e visão na moda. Tenho batido nesta mesma tecla aqui faz horas, pois estou realmente apaixonada por tudo isso. O apetite de compra em torno destes shapes chegou ao ápice: de acordo com o Lyst, um instrumento de busca global de moda, as buscas incluindo os termos “palha”, “ráfia” e “vime” aumentaram 56% em relação ao ano anterior. No Pinterest, houve 573% mais consultas em relação ao último ano.

Como tudo começou

A arte de tecer sacolas de materiais naturais, grama seca ou bambu, tem milênios com técnicas de cestaria que remontam ao Egito antigo. Foi na década de 1950, que a sacola de palha passou a ser vista como um item elegante associado a viagens de luxo, vendidas em destinos de férias como uma lembrança chique. Mas o momento icônico do vime surgiu no final dos anos 1960 e 1970, quando a atriz e cantora Jane Birkin, mais tarde associada à Hermès Birkin, fez da cesta de piquenique seu acessório exclusivo quando estava em Paris, Cannes e Londres. Já a chiquérrima Audrey Hepburn, que viveu na Holanda e na Bélgica quando criança, muitas vezes carregava uma cesta de palha entre um passeio e outro. O que elas não imaginavam é que estavam plantando a semente por um milhão  de posts e hastags do Instagram.

Kaftan feito em seda pura artesanal com estampa também artesanal em silk screen. Colar de contar e pompons feito à mão por uma cooperativa de mulheres bordadeiras da India. Foto: Dari Luz/Especial

Viagem étnica da Dior

O desfile da coleção Resort 2020 da Dior, ocorreu no final de abril, em um dos locais mais deslumbrantes do mundo: Marrakech, no Palácio El Badi, um lugar histórico que remonta ao século 16. Maria Grazia foi ao norte da África para mostrar uma coleção sobre luxo, globalismo e cultura. Os tecidos predominantes foram totalmente projetados e produzidos com estampas inspiradas na cidade de Abidjan, na Costa do Marfim, por um estúdio/ateliê chamado Uniwax, que produz autênticas estampas africanas em algodão. Os resultados finais envolveram leões maciços, criaturas mitológicas aladas, aves e palavras associados ao tarô. A cidade marroquina não só serviu de anfitriã, mas seus artistas e cultura ajudaram a inspirar e criar a coleção. O tema buscou alcançar, através de uma série de collabs com vários artistas africanos, um novo ponto de vista da francesa Dior. Numa época em que a indústria da moda está sendo cada vez mais acusada de apropriação cultural, Maria Grazia Chiuri realizou um movimento, arriscado, de valorização e não apropriação.

Luxo ao mais alto nível

Para a Dior patrocinar estampas deste tipo é fazer uma declaração global de que o têxtil africano pode incorporar luxo ao mais alto nível. Uniwax foi apenas uma das cinco colaborações significativas desta coleção. Uma associação entre têxteis e cerâmica de mulheres marroquinas, chamada Sumano, criou as peças tecidas mais parecidas com a tapeçaria da coleção. A artista americana Mickalene Thomas e a designer jamaicana-britânica Grace Wales Bonner forneceram suas próprias interpretações do estilo. Um designer da Costa do Marfim chamado Monsieur Pathé’O, conhecido por fazer as camisas de Nelson Mandela, desenhou o rosto do falecido líder do ANC nas costas de um look. E Stephen Jones colaborou com uma chapeleira Gana-Britânica chamada Martine Henry para a realização de turbantes de origem étnica.

Foto: Dari Luz/Especial

Participaram deste editorial:
Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise
Crippa
Modelo: Ana Paula Roman/DN Models
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimentos: Samira Campos e Ethne

Moda: tons intensos trazem elegância para a estação fria


Temos pelo menos dois meses de frio para aproveitar a temporada em que as pessoas melhor se vestem no ano. Procure o seu tom, ache o seu estilo e sua melhor versão.

Camisa e blazer Carol Bassi, bolsa Serpui e acessório Joyá. Foto Dari Luz, especial

Moda offline

E lá vou eu novamente ao encontro da arquitetura para produzir a minha coluna da semana. Desta vez fotografamos numa casa em pleno centro de Florianópolis, construída em 1925 e tombada pelo patrimônio histórico. O projeto, que leva a assinatura de Karla Silva, ganhou nova roupagem, porém mantém todas as pinturas internas intactas e volta à cor externa original, misturando assim o mood antigo à decoração atual.

Bata e top Carol Bassi, bota paula Torres, Bolsa Serpui, acessórios Olympiah. Foto Dari Luz, especial

Karla desenvolveu um conceito para realçar as particularidades únicas do imóvel – paredes e afrescos tombados e impossibilitados de furos – e destacar as brands que entram na curadoria realizada por ela e pela sua irmã Bianka. Juntas comandam uma Concept Store que funciona hoje no endereço, com uma pegada moderna, offline, que vem ganhando cada vez mais adeptos pelo mundo.

O mobiliário contemporâneo da loja, todo solto, é composto por peças de designers renomados, nacional e internacionalmente, no cenário da decoração. No espaço externo, batizado de In The Garden, são ministradas aulas de yoga e uma vez por semana, às quartas, tem feira de Hortifruti com a Quitanda do Paredão.

Bolsas que remetem à arquitetura

 Body e saia Cecília Prado, bota Paula Torres, trench coat Carol Bassi, brincos Joyá. Foto Dari Luz, especial

Duas bolsas que usei na coluna são, inconfundivelmente, inspiradas na textura “cannage“, um desenho e técnica utilizada para a produção de objetos decorativos e acessórios. Usada por artesãos de forma manual e que nos primórdios foi vista nas cadeiras de Luís XV, hoje são muito populares em peças de design.

Na Christian Dior, a ideia surgiu depois de seu primeiro desfile, na loja da Avenue de Montaigne em 1947, quando as convidadas sentaram em cadeiras com tressê de palha, inspiradas nos modelos de Napoleão III. Os desfiles da época duravam mais de duas horas e todas saíram com a marca do desenho da palha marcada nas roupas e nas coxas. Claro que imediatamente “ o incidente” virou status e as sortudas amaram passear pela cena chique de Paris, com o carimbo do desfile da Dior. Desde então surgiu a ideia de reproduzir numa bolsa, o clássico matelassê tipo Cannage, constituído por uma rede de costuras oblíquas e perpendiculares, tal como um leito de diamantes com facetas brilhantes.

Vintage

 Body e acessórios Olympiah, saia Canal, blazer Carol Bassi, e bolsa Serpui. Foto Dari Luz, especial

Nas últimas temporadas, os brincos, colares e pulseiras de moedas reinaram como peças de joalheria. A tendência floresceu rapidamente em camadas e camadas de correntes e pingentes retrô. As celebridades e as garotas descoladas exibiram em seus Instagrans de moda modelos minimalistas, com remixes maximalistas, dependendo da vibe. Os cintos de moedas também apareceram para garantir que nunca é tarde demais para embarcar no trem dos acessórios com pegada vintage.

Voltando ao passado, nem tão distante assim, ainda lembro da coleção primavera 2014 da Dolce & Gabbana, com sua silhueta sutil e a inconfundível influência italiana. Aquela estação foi uma das minhas favoritas e toda inspirada na relação entre Sicília e Grécia Antiga. As moedas gregas dominaram a passarela em todos os tamanhos, destacando as grandes e douradas que apareceram como acessórios de cabelo, brincos, cintos, estampas, e detalhes dos vestidos. Se a tendência no passado veio antes de você se dar conta que moedas são itens muito fashion, não se preocupe, pois você ainda tem uma temporada, que mal começou, para abraçar joias de moedas, com toda a sua brilhante glória.

Alguns tons de bordô

Camisa e blazer Carol Bassi, shorts de cousa Fernè, bolsa Serpui, mocassim Paula Torres para Carol Bassi e acessório Joyá. Foto Dari Luz, especial

Red Pear, nome batizado pelo Instituto Pantone, é a cor das peras vermelhas e maduras ou do vinho, uma nuance intensa ideal para a estação fria. Lindo para compor roupas monocromáticas e chiques. O tom dá notas ainda mais quentes e mais intensas quando combinado com o branco, enquanto que, quando combinado com o preto, revela uma alma mais refinada e elegante e perfeita para à noite.

Os tons de vinho são perfeitos para a estação mais fria e para o inverno temos ainda outras nuances como o Merlot, um vermelho escuro com um toque de marrom que exala muita classe.

Stella McCartney criou looks bonitos e alongados nestes tons, com o primeiro vestido em sua passarela, um modelo drapeado Merlot usado sobre botas pretas. Oscar de la Renta usou a cor para longas jaquetas com combinação de brancos, bem como em alguns vestidos de noite realmente lindos.

Não posso esquecer do Biking Red, um tom marrom-avermelhado profundo, mais suave do que o Merlot que apareceu nas passarelas de Nova Iorque. Salvatore Ferragamo também fez uso do tom em couro Biking Red, juntamente com alguns outros tecidos. Vimos um vestido de couro justo, bem como uma combinação de calça e casaco. Um suéter de gola alta vermelha, na marca Tibi, usado sobre uma saia de couro roxa que parecia a coisa mais confortável que poderíamos usar na temporada, enquanto um longo casaco de tweed Biking Red na Chanel, que certamente se tornou fácil, fácil um dos mais quentes da temporada.

Flores de inverno

Vestido Nusca, casaco bomber Cecília Prado e argolas Joyá. Foto Dari Luz, especial

Christian Dior e Saint Laurent carregam uma pegada flower trend como inspiração para as suas coleções, independentemente da atmosfera que pretendem transmitir nas passarelas. As flores são um denominador comum na moda. Alguns estilistas procuram um estilo mais feminino usando flores com cores vivas e fortes, enquanto outros usam tons mais escuros que farão as roupas parecerem sóbrias, dando mais ênfase à estrutura do que ao material usado. Elie Saab já usou flores nas suas peças, flores pequenas e cores vivas em vestidos pretos, o que lhe permitiu ser a principal atração da coleção, dando às roupas um ar de delicadeza e inocência.

Se falarmos sobre os meses da estação fria, então, a melhor opção é combinar roupas florais de tons escuros como nos dois looks da coluna. Se você observar as peças que usei elas fazem parte de um conjunto que separei, um casaco que sobrepuz um vestido de poás e a saia num look mais tradicional com cara de inverno.

Outra coisa, se você acha que os florais só podem ser impressos em vestidos, se engana. Você pode usar flores em calças, casacos e outras peças . Tudo que você precisa é escolher a combinação com seus lindos florais. Use jaquetas ou casacos com estampa de flores, fique de olho em bombers e blazers com a estampa. Eu amo misturar e combinar.

Moda de escola primária, não mais!

O calçado de menino com sola larga, geralmente usado por estudantes e freiras, combinado com meias brancas, tipicamente  amado pelos nossos pais no passado, ressurgem, finalmente, de uma maneira nova e chique. O visual foi um sucesso nas ruas das Fashion Weeks internacionais: em Paris, a it girl Veronika Heilbrunner, com suas pernas longas, foi flagrada  com a combinação clássica dos mocassins que incluía meias esportivas brancas.

E para aqueles que procuram um visual mais delicado, basta substituir o modelo esportivo, por uma meia fina ou usar sem meia mesmo, olha lá o look da nossa produção feita num dia de frio não muito intenso. Na verdade, você tem livre arbítrio para mudar e brincar com as cores dos seus mocassins ou meias. Já vi meninas usando meias vermelhas com mocassins brancos ou modelos de camurça laranja.

Outras tendências para usar ainda nesta estação

1- Os ombros são grandes em 2019, mas não de uma maneira dura e acolchoada ou adornando vestidos e camisas com detalhes exagerados e inchados. Apenas um toque feminino acentuou as mangas dando ar ainda mais feminino nas peças.

2- Embora as bolsas da estação, na grande maioria, sejam pequenas, há uma boa vontade crescente para as enormes, carregadas sob o braço ou penduradas no ombro. Esta é provavelmente uma das tendências mais úteis da temporada, você será capaz de levar tudo que precisa dentro dela.

3- Neste inverno você pode adicionar um toque de amarelo nos seus looks. A cor está em várias coleções e desfilou nas passarelas de Marc Jacobs, Fendi e Balenciaga. Você pode usar apenas um toque em um conjunto ou tentar ousar da cabeça aos pés, há muita inspiração esperando por você.

Camisa Andrea Bogosian, saia Cecília Prado, bota Paula Torres, top Carol Bassi e chamise de couro Fernè. Foto Dari Luz, especial

4- Saias e vestidos parecem ter ficado um pouco mais longos para a nova temporada, com muitos designers optando por bainhas no tornozelo, substituindo estilos mini ou maxi. A tendência foi vista em elegantes roupas de noite de Carolina Herrera e Giambattista Valli – e foi dado um toque legal em um vestido de malha em Alexander McQueen.

5- Se você está precisando de um novo casaco então é melhor investir numa capa. O estilo sem braços foi visto em todas as passarelas e provavelmente é uma das peças essenciais

6- Sapatos com cores de marca texto, sim estão na moda! Visto em Emilio Pucci, Victoria Beckham e, mais proeminentemente, em Saint Laurent, os sapatos com cores neon parecem ser os favoritos das fashionistas. Enquanto Pucci e Saint Laurent certamente os favoreciam para a noite, a passarela de Beckham provou que eles poderiam ser o complemento perfeito para o seu dia a dia também.

7- Não há como negar que o bege está em toda parte. Mostrado nas versões da cabeça aos pés em Jil Sander, Burberry e Max Mara, a cor também foi tocada na Valentino e misturada com outros tons de terra na Fendi. É fácil de adotar e uma tendência que resistirá ao teste do tempo e dos anos.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa

Modelo: Ava Baldissera/DN Models

Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz

Produção de cena: Larissa Maldaner

Beleza: Larissa Maldaner

Agradecimento: Karla e Bianka Silva

Marcas que participaram: Andrea Bogosian,Canal, Carol Bassi, BK Concept Store, Cecília Prado, Gucci, Fernè, Joyá, Serpui Marie, Olympiah, Paula Torres

Mais de Lise Crippa:

Sustentável e politicamente correto: conheça o movimento slow fashion que veio para ficar


Você tem ideia que aquela blusa de tricô feita à mão pela sua mãe nunca esteve tão em alta na moda? Seja pelo trabalho artesanal, pela criatividade, exclusividade ou por ela ter durado, e você guardado até hoje. Existe algo mais sustentável? E isso, lógico, não é nem um terço do que o movimento representa para a indústria do setor. O Slow Fashion prima pela conscientização na moda, dá ênfase aos processos e recursos necessários para confeccionar roupas e acessórios com foco especial, e sintonia, para a sustentabilidade. O movimento envolve a compra de peças de melhor qualidade, que durarão por mais tempo e que valorizam o tratamento justo das pessoas, dos animais e do planeta. O termo foi usado pela primeira vez por Kate Fletcher, do Centre for Sustainable Fashion, da LondonCollege of Fashion. Ela é uma das maiores referências na discussão sobre conexões possíveis e impossíveis, entre moda e sustentabilidade.Por Lise Crippa -13 de julho de 2019

Bolsa Donatela Eco e vestido Ro Fumagalli. Foto Dari Luz, especial

Nos primórdios

No período da revolução pré-industrial, o vestuário era produzido localmente. As pessoas compravam roupas duráveis que serviam por muito tempo, ou faziam seus próprios looks com os têxteis e recursos disponíveis. As roupas refletiam o lugar e a cultura das pessoas e acredito que a atual postura slow fashion possa ser um reflexo daquele tempo. Nos últimos anos, uma onda de mudanças tem dado um novo tom para a indústria da moda. Esta nova era chega alimentada por verdades reais sobre as implicações deste setor na vida do planeta.

Moda em movimento

Óculos Dior, bolsa Donatela Eco, saia e blazer Rina e sapato Cris Felipetti. Foto Dari Luz, especial

Um número crescente de marcas e cidadãos está rejeitando os princípios da fast fashion, à medida em que tem surgido uma abordagem mais politicamente correta de fazer a roupa. Acredito que seja um esforço consciente para se afastar do consumismo excessivo, na maioria das vezes incentivado pela indústria da moda rápida e temporal. Já consigo enxergar uma mudança brusca no comportamento do consumidor, forçando as marcas a abraçar a causa e produzir moda de alta qualidade. O foco é o compromisso de criar menos coleções por ano, mas com peças feitas com materiais de alta qualidade.

Por aqui, as amigas Beatriz Freitas Ribeiro, 27 anos, e Camila Yumi Kawata, 30 anos, ambas manezinhas e formadas em Design de Moda pela Udesc, decidiram unir forças e lançar um espaço para abrigar e dar visibilidade para mulheres que empreendem no setor em Santa Catarina. Acabam de abrir a Local Colab, com marcas com design local e autoral e que apresentam o conceito slow fashion em Florianópolis. Movimentar o setor da moda e empreender também são algumas das premissas das lojas colaborativas.

No endereço das meninas, encontrei 14 marcas, todas produzidas por mulheres, que apresentam roupas, acessórios, cosméticos e itens de decoração. Entre elas estão, Atelier 4797, Be.Cult, Cora Oestrem, Donatelo Eco, Rina Lab, RV Swimwear, Sabrina Melo, The Lilled Small Town e Vanille. A grande maioria destas labels são de Floripa, mas há marcas de Gaspar e Massaranduba. Na coluna desta semana mostrarei algumas para vocês.

Na Capital há cerca de cinco outras lojas colaborativas que comercializam os mais diversos produtos, desde vestuário, acessórios, beleza e itens para decoração e casa. As sócias explicam que, diferente da loja tradicional, nesses espaços é possível consumir e ter uma garantia sobre a procedência dos produtos – de onde vêm e quem os fez.

Algumas marcas vendidas nestas lojas fazem todo o processo, sem precisar de terceiros para a produção. No entanto, outras fazem algumas atividades como modelar e cortar e terceirizam as costuras, o que acaba movimentando, também, a cadeia produtiva e gerando oportunidade de ganhos para as costureiras da região.

Olha as marcas que descobri

Rina Lab

Saia e blazer Rina, bolsa atelier 4797, tênis Cris Felipetti e colares Cora Oestroem. Foto Dari Luz, especial

Criação das sócias Beatriz e Camila, criadoras do Local Colab, é uma marca com design contemporâneo e moderno, valorizando o movimento e a praticidade da mulher moderna. Peças com bolsos, materiais confortáveis e design atemporal. Tudo é feito artesanalmente.

Atelie Ro Fumagalli

Bolsa Donatela Eco e vestido Ro Fumagalli e sapatos Cris Felipetti. Foto Dari Luz, especial

A Ro é designer de moda e responsável por toda parte criativa da marca e, ocasionalmente, conta com ajuda das costureiras da região. Produzidas a partir de materiais de descarte têxtil, com modelagens amplas e confortáveis, estilo atemporal e simples, as roupas transitam em diferentes corpos e ocasiões.

Vanille

Vestido Vanille, bolsa Donatela Eco e cinto Gucci. Foto Dari Luz, especial

A Vanille é a criação da designer de moda Michelle Grumiche, que traz peças femininas de 100% algodão ou viscose, produzidas regionalmente – desde o tecido, linha, botão e detalhes. A marca acredita em uma moda brasileira autêntica e de qualidade.Suas peças podem ser usadas em qualquer ocasião desde do dia a dia a eventos sociais.

The Lilled

Sapatos Cris Felipetti, vestido The Lilled, tiara Atelier 4797, camisa Sabrina Melo e bolsa Donatela Eco. Foto Dari Luz, especial

Criada pela designer de moda Bruna Nesi, a The Lilled Small Town é uma marca focada no consumo consciente e na valorização do saber. A Bruna utiliza materiais que não seriam mais utilizados nas confecções e fábricas locais. Ela também busca aquilo que as cidades pequenas têm de melhor: o contato com a natureza e o fazer com respeito, carinho e tempo.

RV Swimwear

Tênis Cris Felipetti, mantô acervo, bolsa Donatela Eco, body RVSwimwear, cinto Gucci e calça The Lilled. Foto Dari Luz, especial

A RV Swimwar foi criada em 2016 por duas irmãs, Fernanda e Roberta Velloso, que decidiram unir a paixão pela atmosfera do sol e do mar, onde cresceram com suas vontades de empreender, para juntas mergulharem nesse universo cheio de cores, formas e texturas.

Sabrina Melo

Sapatos Cris Felipetti, vestido The Lilled, tiara Atelier 4797, camisa Sabrina Melo e bolsa Donatela Eco. Foto Dari Luz, especial

Saindo do mundo das finanças para criar sua marca autoral, Sabrina Melo desenvolve peças de maneira artesanal em sociedade com a mãe, Elizete Melo, que costura as peças com muito carinho. A principal matéria-prima é o linho, priorizando o conforto.

Donatelo Eco

Bolsa Donatela Eco e vestido Ro Fumagalli. Foto Dari Luz, especial

Marina Sartori é a “faz tudo” da marca. Produz bolsas e acessórios com materiais diferenciados e menos nocivos ao meio ambiente, pensando na sustentabilidade desde a produção até o descarte.Suas peças transmitem a sua personalidade.

Cora Oestroem

Saia e blazer Rina, bolsa atelier 4797, tênis Cris Felipetti e colares Cora Oestroem. Foto Dari Luz, especial

A designer Cora Oestroem é responsável pelas peças delicadas e atemporais da marca que levam seu nome. Seu ateliê se divide entre sua casa e a casa de seus pais em Florianópolis, onde peças de latão e cobre banhados a ouro, prata, grafite e ouro velho ganham forma.

A casa das fotos

Isadora Rubim e Carolina Moreira, ambas mães, empresárias e feministas, são as idealizadoras da Casa Âme. O espaço colaborativo em Floripa, tem portas e janelas abertas para artistas, artesãos e pessoas que tenham como eixo norteador a vontade de se desenvolver com consciência e autonomia, mas que se reconheçam como parte do todo.

Apesar da formação acadêmica distinta – Isa vem do Direito e das Relações Internacionais, enquanto Carol do Design –, as amigas encontraram um propósito em comum: a possibilidade de desenvolverem um ofício que está à serviço de mudanças positivas para as pessoas e para o planeta. Antes sócias do Ateliê-tinturaria Âme, que agora faz parte da Casa, a dupla sentiu necessidade de expandir o olhar e abraçar nessa jornada outras pessoas que acreditassem nas microrrevoluções como força motriz para as grandes transformações que desejam ver no mundo.

Em meio à natureza, num ambiente iluminado e aconchegante, a agenda do espaço traz mensalmente uma curadoria cuidadosa de parceiros que têm o mesmo desejo, o de oferecer ao público técnicas e conhecimentos que fomentem o bem-estar do corpo e da alma, elevando os valores humanos e que cuidem do meio ambiente.

Puro charme

A paranaense radicada em Florianópolis desde 2002, Cris Felipetti, é quem comanda a marca de sapatos homônima que nasceu há 11 meses de um desejo dela em comercializar produtos que expressassem o DNA da mulher brasileira, através de peças
atemporais, sensuais e ao mesmo tempo femininas.

A preocupação de Cris com a escolha dos parceiros e fornecedores está alinhada a toda uma cadeia produtiva, que é a base do propósito slow fashion da marca, estabelecendo a importância da conexão entre artesãos, indústria e órgãos fiscais. A nova coleção, com detalhes de Pirarucu, peixe criado em cativeiro com registro legalizado pelo Ibama, surgiu para proporcionar um novo conceito de moda e estilo, com uma pegada cool e exclusiva.

Há algum tempo o couro do peixe deixou de ser totalmente descartado para ser reaproveitado como um subproduto. Além de ser um material nobre, com grande maciez e maleabilidade, traz um toque único às produções. Nessa coleção foram usados três tons marcantes – o caviar, o vermelho e o crema –, contrapondo com o nude do couro bovino. Já os saquinhos, onde são colocados os sapatos, são feitos a partir de algodão orgânico e confeccionados em Florianópolis pelas mãos das costureiras Salete e sua mãe de 80 anos. Uma maneira segura e sustentável de guardar os calçados, com puro charme!

Participaram deste editorial

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Juliana Amorim – @julianaamorim
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimento: Casa Âme

Marcas e lojas participantes: Atelier 4797,Cora Oestroem, Cris Felipetti, Gucci, Sabrina Melo, RVSwimwear, Ro Fumagalli , Rina, The Lilled, Vanille e Donatela Eco