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O desafio da moda e mercado de luxo para as próximas gerações

Tenho duas filhas, Roberta, 17 anos, e Valentina, 14 anos. Com elas estou aprendendo a transitar entre as várias gerações,  entender suas necessidades e rotas de futuro.  Roberta mora há dois nos EUA, acabou de entrar numa universidade americana e Valentina, apesar da pouca idade, já fez três intercâmbios, sendo o primeiro com apenas 9 anos. Elas fazem parte da geração Millenials ou geração Z que, ao contrário de nós, não abrem mão do seu tempo livre e valorizam a qualidade de vida. Não se prendem às fronteiras geográficas, possuem amigos e relacionamentos em todo o mundo. São consumistas, mas preferem viver experiências, como conhecer um lugar novo, por exemplo. Estes novos hábitos fazem com que a indústria da moda e do luxo tenha que se adequar e buscar caminhos para conquistar esta geração. (Esta matéria foi publicada também em http://ondm.com.br/category/lise-crippa/)

 

Os novos tempos exigem de nós, pais nascidos na geração X – que focam no trabalho para ter poder de compra – uma visão diferente sobre o mundo e as relações de consumo.

-Para atrair este público, as marcas terão que gerar um propósito, colocá-los no centro, ou seja, escutá-los, elaborar collabs, criações colaborativas. Uma coisa que está muito em alta é a customização. Cada vez mais eles têm vontade de customizar peças exclusivas e, principalmente, com algum propósito. A geração Z é desapegada do luxo óbvio, da estampa típica da marca, mas por outro lado, tem um propósito muito forte – Revela Mauro Nomura, Diretor do Grupo Nomura. 

 

Somente nos Estados Unidos, esta tribo de jovens compõe um número por volta de 70 milhões, ou cerca de 22% da população. De acordo com relatório recente do banco Goldman Sachs , entendê-los é importante, e não é só porque eles já controlam o equivalente a US$ 44 bilhões em poder de compra nos EUA, mas porque as mudanças de geração estão realmente ocorrendo em ritmo acelerado. O mercado mal processou o perfil da geração Y e já precisa começar a se preparar para os próximos consumidores, a geração Z, aqueles nascidos entre 1995 e 2009.  Segundo a Revista Época de junho de 2018, como a geração Z se tornará cada vez mais influente, as empresas precisam estar preparadas para torná-los parte da  estratégia de negócios. O que se sabe é que os Zs, a primeira geração de nativos digitais, mantêm a renda limitada como os millenials. Mas, em 2030, serão a maioria entre os consumidores. Eles são mais engajados socialmente, têm mente aberta, são pragmáticos e individualistas. Para conquistá-los, as marcas devem apostar em autenticidade, tecnologia e igualdade social.

 

-Neste universo volátil e difuso, as pessoas se importam cada vez mais com as causas que as marcas representam. A relação entre o propósito da empresa e o produto final são determinantes na hora da hora da compra. Empresas inspiradoras, que atuam com responsabilidade social, estão no topo da lista da sociedade contemporânea – afirma Romí de Liz, especialista em Comunicação e Marca na NSC Comunicação.

    

         Durante o painel, “O futuro do luxo. A oportunidade internacional e o desafio digital”, WRC 2017, a questão foi discutida entre Rohit Bal, fundador da empresa de moda que leva seu nome; Bijou Kurien, membro do conselho da L Catterton Asia; Martin Wikstrom, fundadora do Fundo Atelier e investidora do varejo, da marca de moda e acessórios Richemont; e Daniel Platt, Chairman do L Capital, moderador do debate. Os participantes são especialistas em design e branding de marcas de luxo e detêm o que há de mais estratégico e sensível sobre os desafios que devem ser enfrentados pelo varejo de luxo. Daniel Platt começou o painel destacando que o branding e a distribuição dos produtos de luxo serão varridos por um tsunami. A posse na sociedade contemporânea não significa mais o que já representou. São novos paradigmas dos consumidores. “Não sou mais o que compro. Sou o que faço”, afirmou. O efeito do consumo não está na compra, mas no seu significado.

Vivemos uma era empreendedora, criativa e inovadora, que busca fazer tudo com propósito e isso pode ser vivido, sentido e ensinado para os pais também, pois a conexão pais e filhos se tornará mais forte quando houver empatia entre as diferentes gerações. Os pais da geração consciente devem se preparar para o movimento deste novo mundo buscando viver com mais presença, ou seja, estarem conectados com o aqui e agora. Isso significa ter a mente aberta para novas possibilidades. Aproveite o movimento. Entre no flow – finaliza Chai Carioni, Business & Life Coaching. ( https://chaicarioni.com.br)