Moda 2019: o novo humor das roupas esportivas e o luxo discreto da alfaiataria


Do glamour dos tweeds perpetuados por Chanel às plumas que dividem todos os holofotes nas vitrines europeias. Em Londres, por onde estive durante 10 dias e me inspirei para produzir esta coluna, a primavera 2019 é um jogo de duas metades: de um lado o minimalismo, com alfaiataria perfeita e cores discretas, e do outro um show de roupas esportivas, cores neon e vibe dos anos 1980. Por aqui, destaco também o retorno dos vestidos de babado e flores nos cabelos, e das bermudas ciclistas. Tudo direcionado para um novo humor e luxo discreto.

Foto Dari Luz, especial

Casaco e calça Novoa para Tida. Foto Dari Luz, especial

Um pouco de Londres e a moda

Foram 10 dias descobrindo o melhor do lifestyle, gastronomia e moda na capital inglesa. De volta à terrinha, quero dividir com você um pouquinho do que eu vi, e o que eu não vi também! Desde fevereiro, o Museu Victoria & Albert está com a exposição Christian Dior: Designer of Dreams, que já ocorreu em Paris e reuniu mais de 700 mil pessoas.

Em Londres, permanece até 24 de julho e, por enquanto, é impossível mensurar o número de visitantes, mas uma coisa é certa, já é um enorme sucesso e foi uma das minhas frustrações na cidade. O motivo? Todos os bilhetes, até a data final da temporada, simplesmente estão esgotados. Não foi a primeira exposição que o Victoria & Albert promoveu e que fez tamanho sucesso.

Em 2015, o acervo do designer britânico Alexander McQueen passou uma temporada lá. O museu possui uma coleção permanente que conta a história da moda, com criações de grandes nomes como Elsa Chiaparelli, Lanvin, Roger Vivier e o próprio Christian Dior. Vale muito a visita.

Londres tem um apelo forte para a moda, basta dizer que uma das semanas fashion mais importantes do planeta acontece lá, duas vezes ao ano. Em fevereiro de 2018, a rainha Elizabeth se rendeu e fez uma aparição surpresa na London Fashion Week. Sua presença foi para entregar ao jovem estilista Richard Quinn o primeiro Elizabeth II Fashion Award, para novos talentos.

Antes disso, a rainha, obviamente, assistiu ao desfile do estilista britânico sentada na “primeira fila”, entre a badalada Anna Wintour, editora-chefe da edição americana da Vogue, e Caroline Rush, do British Fashion Council (BFC). Uma imagem surpreendente, e tocante, quando se sabe que a soberana viveu sua primeira semana de moda aos 91 anos de idade.

Tweed

Casaco DolceCabo para loja Mariella, pulseiras e brincos Joyá, saia Juicy Couture e bolsa Antonia Handbags. Foto Dari Luz, especial

É primavera na Europa e o tweed é o tecido da vez por lá. Adicione uma aparência de herança chique ao seu closet na próxima temporada ou antecipe a tendência. O icônico casaco de tweed, feito de lã, textura áspera, fios geralmente diferentes e que formam uma trama, garantem um classicismo elegante para a estação. O tradicional tecido sempre cumpre o seu melhor papel. Anote esta ideia!

Reinventado por Coco Chanel, em 1954, o tecido “pegou fama” com um casaco criado pela Maison. Usado por homens do norte da Escócia, provavelmente no período de guerras, saiu do front para o campo da moda quando Chanel resolveu colocar suas mãos e criou os casacos e jaquetas. O modelo é passado de geração em geração e fashionistas de alma apreciarão usar as heranças das avós. As maiores marcas como Yves Saint Laurent, Dolce & Gabanna e Alexander Mcqueen já lançaram seus exemplares, mas o modelo de Coco Chanel continua sendo o número um quando se fala em casacos de tweed.

Quase me rendi

Viseira Dior para Bárbara K, colar Joyá, blusa Super Suit para Tida, blazer Iorane para Tida e pochete Brant Store

Não sou muito de cair de cabeça numa tendência, principalmente quando ela já veio e foi tantas vezes e nunca conquistou meu coração. Mas devo confessar que em Londres quase me rendi a uma pochete, acredita? Eram tantos modelos, em todas as lojas, da mais fast fashion à mais cara, compostas com tantos looks bacanas que eu quase… Eu disse, quase!

É o tipo de moda que sempre me deixou em cima do muro. Nesta primavera de 2019, a pochete se infiltrou e parece que tão cedo não sairá de cena. Você já tentou amar uma? O sentimento mais profundo que consegui alcançar foi uma certa curiosidade em ousar. E para ousar, preferi criar uma coluna aqui na Versar só para dar o destaque que elas merecem, ou melhor, os minutos de fama que elas podem conquistar. Talvez seja mais uma ressaca da década de 1980 e mais uma declaração de que acessórios com shape esportivo chegaram fortes.

Você vai cruzar muito neste inverno

Cores fluo

Sem surpresa! A crescente popularidade das cores fluo vai de mãos dadas com o retorno dos anos 1980 na moda. Já tinha comentado aqui, há um ano, quando eu estava na Itália. Das “pessoas comuns” às irmãs Kardashian-Jenner são vistas com uma peça no tom. Se você ainda não está convencido com estas cores chamativas, dê apenas um toque com meias, suéter ou acessórios.

Vestido de babados
Colar Chanel, vestido Esmeral para Mariella, jaqueta perfecto Fernè, bolsa Antonia Handbags, tênis Carmem Steffens e brincos Joyá. Foto Dari Luz, especial

Se eu tivesse apenas um vestido para usar nesta temporada seria, definitivamente, um modelo com babados, e de preferência com mangas compridas, colarinho alto ou fechado e influências vitorianas. Em Londres vi muitos na MacQueen, mas claro, sempre com um toque irreverente da marca, como a jaqueta perfecto em couro e tênis.

Bermudas ciclistas
Viseira Dior para Bárbara K, casaco Iorane para Tida, Blusa Super Suite para Tida, colar Joyá, sandálias Chanel e bermuda ciclista Mona Roupas e Acessórios. Foto Dari Luz, especial

A moda continua tendo um crescente interesse em roupas esportivas migrando para as marcas mais fashion. Descoberta sazonal? Só sei dizer que o shape com efeitos brutos e materiais tecnológicos, complementando a sofisticação da alta costura, caminha lado a lado. As vitrines da Chanel em Londres estavam todas seguindo esta pegada – que vi também na Fendi e Roberto Cavalli. As bermudas ciclistas tinham caído no esquecimento, pelo menos para mim, após seu avanço nos anos 1980 e 1990. Use com blazer, saltos, sandálias e botas de peso. É para ousar mesmo!1 of 5  

Pochete: Carme Steffens, saia Fernè, blusa Brant Store e casaco de tweed Mariella. Foto Dari Luz, especial
Casaco e calça Novoa para Tida. Foto Dari Luz, especial
Viseira Dior para Bárbara K, vestido Litt para Mariela, calça Miralis, colares acervo, pochete Brant Store, botas Paula Torres, brincos Joyá. Foto Dari Luz
Casaco DolceCabo para loja Mariella, pulseiras e brincos Joyá, saia Juicy Couture e bolsa Antonia Handbags, calça Miralis para Mariella e sandálias Chanel, Flor do cabelo acervo. Foto Dari Luz, especial

Participaram deste editorial:

  • Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
  • Modelo: Ana Clara Machado – DN Models
  • Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
  • Produção de cena: Larissa Maldaner
  • Beleza: Larissa Maldaner
  • Agradecimento: Floripa Shopping
  • Marcas e lojas participantes: Antonia Handbags, Bárbara K, Brant Store, Carmen Steffens, Chanel, Cheroy, Dior, DolceCabo, Esmeral, Fernè, Iorane, Joya, Juicy Couture, Litt, Loja Mariella, Miralis,Mona Roupas e Acessórios, Novoa, Paula Torres, Super Suíte, Tid

Sobre Lise Crippa

Sou formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e Moda. Atuo em assessoria de comunicação e jornalismo de Moda. O universo Fashion faz parte da minha vida e do meu trabalho.