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Kaftan: peças viram itens super fashion


Você acha que não pode usar um kaftan em locais mais formais? Depois de ler a minha coluna deste fim de semana você mudará, definitivamente, de ideia. Não sei se já ouviu falar da ex-editora da Vogue britânica, Pippa Holt. Vou começar contando como ela me convenceu que estas peças, até então desfiladas nas praias e no máximo em barzinhos, viraram itens super fashion e foram parar nos principais cenários e passarelas de moda.

Vestido feito artesanalmente em voil de algodão com delicados fios de lurex. A estampa é feita com a técnica milenar do block printing, que utiliza carimbos de madeira. A carteira é feita em palha de palmeira por artesãos marroquinos. Foto: Dari Luz/Especial

Você acha que não pode usar um kaftan em locais mais formais? Depois de ler a minha coluna deste fim de semana você mudará, definitivamente, de ideia. Não sei se já ouviu falar da ex-editora da Vogue britânica, Pippa Holt. Vou começar contando como ela me convenceu que estas peças, até então desfiladas nas praias e no máximo em barzinhos, viraram itens super fashion e foram parar nos principais cenários e passarelas de moda.

A ex-editora da Vogue

Pippa vende seus kaftans num dos endereços que mais amo no mundo, a Bergdorf Goodman da Quinta Avenida, em Nova Iorque. Lá ela tem uma pop-up, vende também no site Netaporter, mas sua maior vitrine é o seu insta, o @pippa_holt_kaftans.

Há algum tempo se encantou com algumas peças que garimpou num pequeno grupo de tecelões do sul do México. Quando voltou para a Europa, começou a usar as roupas no dia a dia e as pessoas perguntavam sobre os looks. Alguns anos, e bebês, mais tarde, percebeu que as mulheres ainda procuravam esse tipo de vestido fácil e fluído. Foi então que fez uma parceria com os mesmos artesãos mexicanos para realizar uma collab oficial. Em Dublin, naIrlanda, onde mora atualmente, também mantém algumas mulheres que tecem manualmente os tecidos de algodão nos teares de apoio, usando os padrões e técnicas indígenas. Seus kaftans apresentam uma tradicional silhueta reta de manga e três comprimentos: midi, mini e um novo supermini com paletas de cores, formas e acabamentos de alta qualidade. Tudo é feito à mão e pode levar até seis meses para ser finalizado; esse processo lento os torna muito difíceis de conseguir e esta sensação de raridade faz com que sejam vendidos muito rápido. Vale a pena esperar e pagar pelo investimento de peças únicas e e que podem se tornar heranças colecionáveis.

Sustentáveis

Os kaftans são feitos de algodão natural e corantes. Alguns artesãos pelo mundo conseguem confeccionar tecidos, inclusive, a partir de insetos cochonilhados e amassados. Geralmente são peças realizadas em aldeias indígenas ou zonas rurais que fornecem trabalho estável para muitas mulheres. A matéria-prima final se transforma, conforme o olhar, em objetos de desejo, modernos, chiques e perfeitamente adequados para o o uso diário na cidade. Em outras palavras, você não precisa estar de férias ou numa praia para adotar o mood, a combinação costuma funcionar com quase todos os acessórios, desde sandálias a saltos, bijus ou joias. Dá para usar o seu kaftan com um cinto de peso, mocassins, tênis e alguns braceletes. Eu já adotei o estilo e estou amando!

Tenho visto uma multidão de influenciadores de estilo usando. Miroslava Duma, Poppy Delevingne e Yasmin Sewell – fizeram muito para popularizar o kaftan, anunciando-o como um item indispensável que tem o poder de levar você no verão ao outono ou inverno.

Esse vestido com tingimento manual chamado Shibori é feito em seda pura mulberry, uma das mais leves e delicadas que existe. A pashmina é feita em tear por artesãos do Vale da Caxemira, no norte da India. O chapéu por toquilleras do Equador. Brincos de ráfia. Foto: Dari Luz/Especial

Versão catarinense

casa Ethne, onde fiz as fotos da coluna desta semana, trata-se de um local que proporciona um modelo de compras diferente, um cross cultural, com uma história de shopping, porém sempre oferecendo uma experiência a ser vivida. Quem me apresentou a ideia foi a idealizadora e curadora do local, a jornalista e designer Samira Campos. O espaço foi inaugurado recentemente, em Santo Antônio de Lisboa, em Floripa, fortalecendo a nova vibe difundida pelo mundo, de se comprar roupas com conteúdo, através de muitas histórias paralelas de vidas, de lugares e de artesãos . Uma proposta de uma moda com mais tempo de confecção, mais aprofundamento, uma roupa com compromisso de valorizar o trabalho manual, o trabalho ancestral de tecelagem, tingimento, voltando às origens.

Samira me contou também o quanto valoriza as palhas naturais, buscadas em tribos indígenas, ou os trecês, couro e ráfias feitas pelos artesãos marroquinos e transformados em peças exclusivas, com pitadas de contemporaneidade dadas por ela. Ainda este ano lançará uma linha de joias, em parceria com a tribo Pataxó do sul da Bahia. Serão usadas plumas, penas cerificadas pelo Ibama e pedras preciosas.

A casa funciona com agendamento e está aberta das 14h às 19 h, inclusive aos sábados. Já está sendo criada também uma agenda cultural ligada à moda, com oficinas de macramê,  bordados e pinturas.

Outra paixão fashionista

Vestido Leheryia, mesmo nome de outra técnica de tingimento artesanal muito praticado no deserto do Rajastão, na India. A bolsa de palha é uma criação da Ethne com artesãs de Marrakech no Marrocos. O cinto de macramê colocado como turbante é feito no Marrocos com Sabre. Os brincos são confeccionados por indígenas de Cuenca, no Equador numa collab com a designer de acessórios Dani Depi, de Floripa. Foto: Dari Luz/Especial

As bolsas de palha e ráfia que estamos vendo por aí carregadas por celebridades e fashionistas, já não são mais aquelas que você, antigamente, jogava o protetor solar e acessórios para ir à praia, mas bolsas chiques, elaboradas e grifadas. Circulam por lugares badalados e adornam mulheres de extremo bom gosto e visão na moda. Tenho batido nesta mesma tecla aqui faz horas, pois estou realmente apaixonada por tudo isso. O apetite de compra em torno destes shapes chegou ao ápice: de acordo com o Lyst, um instrumento de busca global de moda, as buscas incluindo os termos “palha”, “ráfia” e “vime” aumentaram 56% em relação ao ano anterior. No Pinterest, houve 573% mais consultas em relação ao último ano.

Como tudo começou

A arte de tecer sacolas de materiais naturais, grama seca ou bambu, tem milênios com técnicas de cestaria que remontam ao Egito antigo. Foi na década de 1950, que a sacola de palha passou a ser vista como um item elegante associado a viagens de luxo, vendidas em destinos de férias como uma lembrança chique. Mas o momento icônico do vime surgiu no final dos anos 1960 e 1970, quando a atriz e cantora Jane Birkin, mais tarde associada à Hermès Birkin, fez da cesta de piquenique seu acessório exclusivo quando estava em Paris, Cannes e Londres. Já a chiquérrima Audrey Hepburn, que viveu na Holanda e na Bélgica quando criança, muitas vezes carregava uma cesta de palha entre um passeio e outro. O que elas não imaginavam é que estavam plantando a semente por um milhão  de posts e hastags do Instagram.

Kaftan feito em seda pura artesanal com estampa também artesanal em silk screen. Colar de contar e pompons feito à mão por uma cooperativa de mulheres bordadeiras da India. Foto: Dari Luz/Especial

Viagem étnica da Dior

O desfile da coleção Resort 2020 da Dior, ocorreu no final de abril, em um dos locais mais deslumbrantes do mundo: Marrakech, no Palácio El Badi, um lugar histórico que remonta ao século 16. Maria Grazia foi ao norte da África para mostrar uma coleção sobre luxo, globalismo e cultura. Os tecidos predominantes foram totalmente projetados e produzidos com estampas inspiradas na cidade de Abidjan, na Costa do Marfim, por um estúdio/ateliê chamado Uniwax, que produz autênticas estampas africanas em algodão. Os resultados finais envolveram leões maciços, criaturas mitológicas aladas, aves e palavras associados ao tarô. A cidade marroquina não só serviu de anfitriã, mas seus artistas e cultura ajudaram a inspirar e criar a coleção. O tema buscou alcançar, através de uma série de collabs com vários artistas africanos, um novo ponto de vista da francesa Dior. Numa época em que a indústria da moda está sendo cada vez mais acusada de apropriação cultural, Maria Grazia Chiuri realizou um movimento, arriscado, de valorização e não apropriação.

Luxo ao mais alto nível

Para a Dior patrocinar estampas deste tipo é fazer uma declaração global de que o têxtil africano pode incorporar luxo ao mais alto nível. Uniwax foi apenas uma das cinco colaborações significativas desta coleção. Uma associação entre têxteis e cerâmica de mulheres marroquinas, chamada Sumano, criou as peças tecidas mais parecidas com a tapeçaria da coleção. A artista americana Mickalene Thomas e a designer jamaicana-britânica Grace Wales Bonner forneceram suas próprias interpretações do estilo. Um designer da Costa do Marfim chamado Monsieur Pathé’O, conhecido por fazer as camisas de Nelson Mandela, desenhou o rosto do falecido líder do ANC nas costas de um look. E Stephen Jones colaborou com uma chapeleira Gana-Britânica chamada Martine Henry para a realização de turbantes de origem étnica.

Foto: Dari Luz/Especial

Participaram deste editorial:
Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise
Crippa
Modelo: Ana Paula Roman/DN Models
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimentos: Samira Campos e Ethne

Moda: tons intensos trazem elegância para a estação fria


Temos pelo menos dois meses de frio para aproveitar a temporada em que as pessoas melhor se vestem no ano. Procure o seu tom, ache o seu estilo e sua melhor versão.

Camisa e blazer Carol Bassi, bolsa Serpui e acessório Joyá. Foto Dari Luz, especial

Moda offline

E lá vou eu novamente ao encontro da arquitetura para produzir a minha coluna da semana. Desta vez fotografamos numa casa em pleno centro de Florianópolis, construída em 1925 e tombada pelo patrimônio histórico. O projeto, que leva a assinatura de Karla Silva, ganhou nova roupagem, porém mantém todas as pinturas internas intactas e volta à cor externa original, misturando assim o mood antigo à decoração atual.

Bata e top Carol Bassi, bota paula Torres, Bolsa Serpui, acessórios Olympiah. Foto Dari Luz, especial

Karla desenvolveu um conceito para realçar as particularidades únicas do imóvel – paredes e afrescos tombados e impossibilitados de furos – e destacar as brands que entram na curadoria realizada por ela e pela sua irmã Bianka. Juntas comandam uma Concept Store que funciona hoje no endereço, com uma pegada moderna, offline, que vem ganhando cada vez mais adeptos pelo mundo.

O mobiliário contemporâneo da loja, todo solto, é composto por peças de designers renomados, nacional e internacionalmente, no cenário da decoração. No espaço externo, batizado de In The Garden, são ministradas aulas de yoga e uma vez por semana, às quartas, tem feira de Hortifruti com a Quitanda do Paredão.

Bolsas que remetem à arquitetura

 Body e saia Cecília Prado, bota Paula Torres, trench coat Carol Bassi, brincos Joyá. Foto Dari Luz, especial

Duas bolsas que usei na coluna são, inconfundivelmente, inspiradas na textura “cannage“, um desenho e técnica utilizada para a produção de objetos decorativos e acessórios. Usada por artesãos de forma manual e que nos primórdios foi vista nas cadeiras de Luís XV, hoje são muito populares em peças de design.

Na Christian Dior, a ideia surgiu depois de seu primeiro desfile, na loja da Avenue de Montaigne em 1947, quando as convidadas sentaram em cadeiras com tressê de palha, inspiradas nos modelos de Napoleão III. Os desfiles da época duravam mais de duas horas e todas saíram com a marca do desenho da palha marcada nas roupas e nas coxas. Claro que imediatamente “ o incidente” virou status e as sortudas amaram passear pela cena chique de Paris, com o carimbo do desfile da Dior. Desde então surgiu a ideia de reproduzir numa bolsa, o clássico matelassê tipo Cannage, constituído por uma rede de costuras oblíquas e perpendiculares, tal como um leito de diamantes com facetas brilhantes.

Vintage

 Body e acessórios Olympiah, saia Canal, blazer Carol Bassi, e bolsa Serpui. Foto Dari Luz, especial

Nas últimas temporadas, os brincos, colares e pulseiras de moedas reinaram como peças de joalheria. A tendência floresceu rapidamente em camadas e camadas de correntes e pingentes retrô. As celebridades e as garotas descoladas exibiram em seus Instagrans de moda modelos minimalistas, com remixes maximalistas, dependendo da vibe. Os cintos de moedas também apareceram para garantir que nunca é tarde demais para embarcar no trem dos acessórios com pegada vintage.

Voltando ao passado, nem tão distante assim, ainda lembro da coleção primavera 2014 da Dolce & Gabbana, com sua silhueta sutil e a inconfundível influência italiana. Aquela estação foi uma das minhas favoritas e toda inspirada na relação entre Sicília e Grécia Antiga. As moedas gregas dominaram a passarela em todos os tamanhos, destacando as grandes e douradas que apareceram como acessórios de cabelo, brincos, cintos, estampas, e detalhes dos vestidos. Se a tendência no passado veio antes de você se dar conta que moedas são itens muito fashion, não se preocupe, pois você ainda tem uma temporada, que mal começou, para abraçar joias de moedas, com toda a sua brilhante glória.

Alguns tons de bordô

Camisa e blazer Carol Bassi, shorts de cousa Fernè, bolsa Serpui, mocassim Paula Torres para Carol Bassi e acessório Joyá. Foto Dari Luz, especial

Red Pear, nome batizado pelo Instituto Pantone, é a cor das peras vermelhas e maduras ou do vinho, uma nuance intensa ideal para a estação fria. Lindo para compor roupas monocromáticas e chiques. O tom dá notas ainda mais quentes e mais intensas quando combinado com o branco, enquanto que, quando combinado com o preto, revela uma alma mais refinada e elegante e perfeita para à noite.

Os tons de vinho são perfeitos para a estação mais fria e para o inverno temos ainda outras nuances como o Merlot, um vermelho escuro com um toque de marrom que exala muita classe.

Stella McCartney criou looks bonitos e alongados nestes tons, com o primeiro vestido em sua passarela, um modelo drapeado Merlot usado sobre botas pretas. Oscar de la Renta usou a cor para longas jaquetas com combinação de brancos, bem como em alguns vestidos de noite realmente lindos.

Não posso esquecer do Biking Red, um tom marrom-avermelhado profundo, mais suave do que o Merlot que apareceu nas passarelas de Nova Iorque. Salvatore Ferragamo também fez uso do tom em couro Biking Red, juntamente com alguns outros tecidos. Vimos um vestido de couro justo, bem como uma combinação de calça e casaco. Um suéter de gola alta vermelha, na marca Tibi, usado sobre uma saia de couro roxa que parecia a coisa mais confortável que poderíamos usar na temporada, enquanto um longo casaco de tweed Biking Red na Chanel, que certamente se tornou fácil, fácil um dos mais quentes da temporada.

Flores de inverno

Vestido Nusca, casaco bomber Cecília Prado e argolas Joyá. Foto Dari Luz, especial

Christian Dior e Saint Laurent carregam uma pegada flower trend como inspiração para as suas coleções, independentemente da atmosfera que pretendem transmitir nas passarelas. As flores são um denominador comum na moda. Alguns estilistas procuram um estilo mais feminino usando flores com cores vivas e fortes, enquanto outros usam tons mais escuros que farão as roupas parecerem sóbrias, dando mais ênfase à estrutura do que ao material usado. Elie Saab já usou flores nas suas peças, flores pequenas e cores vivas em vestidos pretos, o que lhe permitiu ser a principal atração da coleção, dando às roupas um ar de delicadeza e inocência.

Se falarmos sobre os meses da estação fria, então, a melhor opção é combinar roupas florais de tons escuros como nos dois looks da coluna. Se você observar as peças que usei elas fazem parte de um conjunto que separei, um casaco que sobrepuz um vestido de poás e a saia num look mais tradicional com cara de inverno.

Outra coisa, se você acha que os florais só podem ser impressos em vestidos, se engana. Você pode usar flores em calças, casacos e outras peças . Tudo que você precisa é escolher a combinação com seus lindos florais. Use jaquetas ou casacos com estampa de flores, fique de olho em bombers e blazers com a estampa. Eu amo misturar e combinar.

Moda de escola primária, não mais!

O calçado de menino com sola larga, geralmente usado por estudantes e freiras, combinado com meias brancas, tipicamente  amado pelos nossos pais no passado, ressurgem, finalmente, de uma maneira nova e chique. O visual foi um sucesso nas ruas das Fashion Weeks internacionais: em Paris, a it girl Veronika Heilbrunner, com suas pernas longas, foi flagrada  com a combinação clássica dos mocassins que incluía meias esportivas brancas.

E para aqueles que procuram um visual mais delicado, basta substituir o modelo esportivo, por uma meia fina ou usar sem meia mesmo, olha lá o look da nossa produção feita num dia de frio não muito intenso. Na verdade, você tem livre arbítrio para mudar e brincar com as cores dos seus mocassins ou meias. Já vi meninas usando meias vermelhas com mocassins brancos ou modelos de camurça laranja.

Outras tendências para usar ainda nesta estação

1- Os ombros são grandes em 2019, mas não de uma maneira dura e acolchoada ou adornando vestidos e camisas com detalhes exagerados e inchados. Apenas um toque feminino acentuou as mangas dando ar ainda mais feminino nas peças.

2- Embora as bolsas da estação, na grande maioria, sejam pequenas, há uma boa vontade crescente para as enormes, carregadas sob o braço ou penduradas no ombro. Esta é provavelmente uma das tendências mais úteis da temporada, você será capaz de levar tudo que precisa dentro dela.

3- Neste inverno você pode adicionar um toque de amarelo nos seus looks. A cor está em várias coleções e desfilou nas passarelas de Marc Jacobs, Fendi e Balenciaga. Você pode usar apenas um toque em um conjunto ou tentar ousar da cabeça aos pés, há muita inspiração esperando por você.

Camisa Andrea Bogosian, saia Cecília Prado, bota Paula Torres, top Carol Bassi e chamise de couro Fernè. Foto Dari Luz, especial

4- Saias e vestidos parecem ter ficado um pouco mais longos para a nova temporada, com muitos designers optando por bainhas no tornozelo, substituindo estilos mini ou maxi. A tendência foi vista em elegantes roupas de noite de Carolina Herrera e Giambattista Valli – e foi dado um toque legal em um vestido de malha em Alexander McQueen.

5- Se você está precisando de um novo casaco então é melhor investir numa capa. O estilo sem braços foi visto em todas as passarelas e provavelmente é uma das peças essenciais

6- Sapatos com cores de marca texto, sim estão na moda! Visto em Emilio Pucci, Victoria Beckham e, mais proeminentemente, em Saint Laurent, os sapatos com cores neon parecem ser os favoritos das fashionistas. Enquanto Pucci e Saint Laurent certamente os favoreciam para a noite, a passarela de Beckham provou que eles poderiam ser o complemento perfeito para o seu dia a dia também.

7- Não há como negar que o bege está em toda parte. Mostrado nas versões da cabeça aos pés em Jil Sander, Burberry e Max Mara, a cor também foi tocada na Valentino e misturada com outros tons de terra na Fendi. É fácil de adotar e uma tendência que resistirá ao teste do tempo e dos anos.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa

Modelo: Ava Baldissera/DN Models

Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz

Produção de cena: Larissa Maldaner

Beleza: Larissa Maldaner

Agradecimento: Karla e Bianka Silva

Marcas que participaram: Andrea Bogosian,Canal, Carol Bassi, BK Concept Store, Cecília Prado, Gucci, Fernè, Joyá, Serpui Marie, Olympiah, Paula Torres

Mais de Lise Crippa:

Sustentável e politicamente correto: conheça o movimento slow fashion que veio para ficar


Você tem ideia que aquela blusa de tricô feita à mão pela sua mãe nunca esteve tão em alta na moda? Seja pelo trabalho artesanal, pela criatividade, exclusividade ou por ela ter durado, e você guardado até hoje. Existe algo mais sustentável? E isso, lógico, não é nem um terço do que o movimento representa para a indústria do setor. O Slow Fashion prima pela conscientização na moda, dá ênfase aos processos e recursos necessários para confeccionar roupas e acessórios com foco especial, e sintonia, para a sustentabilidade. O movimento envolve a compra de peças de melhor qualidade, que durarão por mais tempo e que valorizam o tratamento justo das pessoas, dos animais e do planeta. O termo foi usado pela primeira vez por Kate Fletcher, do Centre for Sustainable Fashion, da LondonCollege of Fashion. Ela é uma das maiores referências na discussão sobre conexões possíveis e impossíveis, entre moda e sustentabilidade.Por Lise Crippa -13 de julho de 2019

Bolsa Donatela Eco e vestido Ro Fumagalli. Foto Dari Luz, especial

Nos primórdios

No período da revolução pré-industrial, o vestuário era produzido localmente. As pessoas compravam roupas duráveis que serviam por muito tempo, ou faziam seus próprios looks com os têxteis e recursos disponíveis. As roupas refletiam o lugar e a cultura das pessoas e acredito que a atual postura slow fashion possa ser um reflexo daquele tempo. Nos últimos anos, uma onda de mudanças tem dado um novo tom para a indústria da moda. Esta nova era chega alimentada por verdades reais sobre as implicações deste setor na vida do planeta.

Moda em movimento

Óculos Dior, bolsa Donatela Eco, saia e blazer Rina e sapato Cris Felipetti. Foto Dari Luz, especial

Um número crescente de marcas e cidadãos está rejeitando os princípios da fast fashion, à medida em que tem surgido uma abordagem mais politicamente correta de fazer a roupa. Acredito que seja um esforço consciente para se afastar do consumismo excessivo, na maioria das vezes incentivado pela indústria da moda rápida e temporal. Já consigo enxergar uma mudança brusca no comportamento do consumidor, forçando as marcas a abraçar a causa e produzir moda de alta qualidade. O foco é o compromisso de criar menos coleções por ano, mas com peças feitas com materiais de alta qualidade.

Por aqui, as amigas Beatriz Freitas Ribeiro, 27 anos, e Camila Yumi Kawata, 30 anos, ambas manezinhas e formadas em Design de Moda pela Udesc, decidiram unir forças e lançar um espaço para abrigar e dar visibilidade para mulheres que empreendem no setor em Santa Catarina. Acabam de abrir a Local Colab, com marcas com design local e autoral e que apresentam o conceito slow fashion em Florianópolis. Movimentar o setor da moda e empreender também são algumas das premissas das lojas colaborativas.

No endereço das meninas, encontrei 14 marcas, todas produzidas por mulheres, que apresentam roupas, acessórios, cosméticos e itens de decoração. Entre elas estão, Atelier 4797, Be.Cult, Cora Oestrem, Donatelo Eco, Rina Lab, RV Swimwear, Sabrina Melo, The Lilled Small Town e Vanille. A grande maioria destas labels são de Floripa, mas há marcas de Gaspar e Massaranduba. Na coluna desta semana mostrarei algumas para vocês.

Na Capital há cerca de cinco outras lojas colaborativas que comercializam os mais diversos produtos, desde vestuário, acessórios, beleza e itens para decoração e casa. As sócias explicam que, diferente da loja tradicional, nesses espaços é possível consumir e ter uma garantia sobre a procedência dos produtos – de onde vêm e quem os fez.

Algumas marcas vendidas nestas lojas fazem todo o processo, sem precisar de terceiros para a produção. No entanto, outras fazem algumas atividades como modelar e cortar e terceirizam as costuras, o que acaba movimentando, também, a cadeia produtiva e gerando oportunidade de ganhos para as costureiras da região.

Olha as marcas que descobri

Rina Lab

Saia e blazer Rina, bolsa atelier 4797, tênis Cris Felipetti e colares Cora Oestroem. Foto Dari Luz, especial

Criação das sócias Beatriz e Camila, criadoras do Local Colab, é uma marca com design contemporâneo e moderno, valorizando o movimento e a praticidade da mulher moderna. Peças com bolsos, materiais confortáveis e design atemporal. Tudo é feito artesanalmente.

Atelie Ro Fumagalli

Bolsa Donatela Eco e vestido Ro Fumagalli e sapatos Cris Felipetti. Foto Dari Luz, especial

A Ro é designer de moda e responsável por toda parte criativa da marca e, ocasionalmente, conta com ajuda das costureiras da região. Produzidas a partir de materiais de descarte têxtil, com modelagens amplas e confortáveis, estilo atemporal e simples, as roupas transitam em diferentes corpos e ocasiões.

Vanille

Vestido Vanille, bolsa Donatela Eco e cinto Gucci. Foto Dari Luz, especial

A Vanille é a criação da designer de moda Michelle Grumiche, que traz peças femininas de 100% algodão ou viscose, produzidas regionalmente – desde o tecido, linha, botão e detalhes. A marca acredita em uma moda brasileira autêntica e de qualidade.Suas peças podem ser usadas em qualquer ocasião desde do dia a dia a eventos sociais.

The Lilled

Sapatos Cris Felipetti, vestido The Lilled, tiara Atelier 4797, camisa Sabrina Melo e bolsa Donatela Eco. Foto Dari Luz, especial

Criada pela designer de moda Bruna Nesi, a The Lilled Small Town é uma marca focada no consumo consciente e na valorização do saber. A Bruna utiliza materiais que não seriam mais utilizados nas confecções e fábricas locais. Ela também busca aquilo que as cidades pequenas têm de melhor: o contato com a natureza e o fazer com respeito, carinho e tempo.

RV Swimwear

Tênis Cris Felipetti, mantô acervo, bolsa Donatela Eco, body RVSwimwear, cinto Gucci e calça The Lilled. Foto Dari Luz, especial

A RV Swimwar foi criada em 2016 por duas irmãs, Fernanda e Roberta Velloso, que decidiram unir a paixão pela atmosfera do sol e do mar, onde cresceram com suas vontades de empreender, para juntas mergulharem nesse universo cheio de cores, formas e texturas.

Sabrina Melo

Sapatos Cris Felipetti, vestido The Lilled, tiara Atelier 4797, camisa Sabrina Melo e bolsa Donatela Eco. Foto Dari Luz, especial

Saindo do mundo das finanças para criar sua marca autoral, Sabrina Melo desenvolve peças de maneira artesanal em sociedade com a mãe, Elizete Melo, que costura as peças com muito carinho. A principal matéria-prima é o linho, priorizando o conforto.

Donatelo Eco

Bolsa Donatela Eco e vestido Ro Fumagalli. Foto Dari Luz, especial

Marina Sartori é a “faz tudo” da marca. Produz bolsas e acessórios com materiais diferenciados e menos nocivos ao meio ambiente, pensando na sustentabilidade desde a produção até o descarte.Suas peças transmitem a sua personalidade.

Cora Oestroem

Saia e blazer Rina, bolsa atelier 4797, tênis Cris Felipetti e colares Cora Oestroem. Foto Dari Luz, especial

A designer Cora Oestroem é responsável pelas peças delicadas e atemporais da marca que levam seu nome. Seu ateliê se divide entre sua casa e a casa de seus pais em Florianópolis, onde peças de latão e cobre banhados a ouro, prata, grafite e ouro velho ganham forma.

A casa das fotos

Isadora Rubim e Carolina Moreira, ambas mães, empresárias e feministas, são as idealizadoras da Casa Âme. O espaço colaborativo em Floripa, tem portas e janelas abertas para artistas, artesãos e pessoas que tenham como eixo norteador a vontade de se desenvolver com consciência e autonomia, mas que se reconheçam como parte do todo.

Apesar da formação acadêmica distinta – Isa vem do Direito e das Relações Internacionais, enquanto Carol do Design –, as amigas encontraram um propósito em comum: a possibilidade de desenvolverem um ofício que está à serviço de mudanças positivas para as pessoas e para o planeta. Antes sócias do Ateliê-tinturaria Âme, que agora faz parte da Casa, a dupla sentiu necessidade de expandir o olhar e abraçar nessa jornada outras pessoas que acreditassem nas microrrevoluções como força motriz para as grandes transformações que desejam ver no mundo.

Em meio à natureza, num ambiente iluminado e aconchegante, a agenda do espaço traz mensalmente uma curadoria cuidadosa de parceiros que têm o mesmo desejo, o de oferecer ao público técnicas e conhecimentos que fomentem o bem-estar do corpo e da alma, elevando os valores humanos e que cuidem do meio ambiente.

Puro charme

A paranaense radicada em Florianópolis desde 2002, Cris Felipetti, é quem comanda a marca de sapatos homônima que nasceu há 11 meses de um desejo dela em comercializar produtos que expressassem o DNA da mulher brasileira, através de peças
atemporais, sensuais e ao mesmo tempo femininas.

A preocupação de Cris com a escolha dos parceiros e fornecedores está alinhada a toda uma cadeia produtiva, que é a base do propósito slow fashion da marca, estabelecendo a importância da conexão entre artesãos, indústria e órgãos fiscais. A nova coleção, com detalhes de Pirarucu, peixe criado em cativeiro com registro legalizado pelo Ibama, surgiu para proporcionar um novo conceito de moda e estilo, com uma pegada cool e exclusiva.

Há algum tempo o couro do peixe deixou de ser totalmente descartado para ser reaproveitado como um subproduto. Além de ser um material nobre, com grande maciez e maleabilidade, traz um toque único às produções. Nessa coleção foram usados três tons marcantes – o caviar, o vermelho e o crema –, contrapondo com o nude do couro bovino. Já os saquinhos, onde são colocados os sapatos, são feitos a partir de algodão orgânico e confeccionados em Florianópolis pelas mãos das costureiras Salete e sua mãe de 80 anos. Uma maneira segura e sustentável de guardar os calçados, com puro charme!

Participaram deste editorial

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Juliana Amorim – @julianaamorim
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimento: Casa Âme

Marcas e lojas participantes: Atelier 4797,Cora Oestroem, Cris Felipetti, Gucci, Sabrina Melo, RVSwimwear, Ro Fumagalli , Rina, The Lilled, Vanille e Donatela Eco

Moda catarinense com pegada clássica, elegante, sofisticada e moderna

A marca catarinense Renata Ouro completa quatro anos em 2019 e para celebrar a data participará de um evento fashion no salão nobre do Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, o Sunset Fashion Day, em setembro

A própria Renata é a modelo da marca

Com vendas online e em multimarcas pelo Brasil, todas as peças Renata Ouro são confeccionadas com olhar bem crítico e detalhista da estilista homônima. Renata se inspira no lifestyle das cliente e busca referências em grandes grifes internacionais, como Chanel.

Inspiração em Chanel 

-Frequento os mesmos restaurantes, as mesmas cidades e estudo o lifestyle da persona “Renata Ouro”, para entender as necessidades do meu público.

São oito looks em cada coleção, duas ao ano, divididos em calças, blusas,vestidos, macacões, blazers e saias. Atualmente, os principais mercados da marca são Brasília e São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Rio de Janeiro, Minas e Goiânia. Praticamente sul, sudeste e centro do país.

-Este ano pretendo entrar mais fortemente em São Paulo para consolidar a minha marca e meu nome. Considero o mercado paulista  um “hub” para o restante do país, diz.

Paixão pela moda

Natural de Florianópolis, Renata Ouro tem 33 anos e é formada em Administração e pós graduada em marketing pela Fundação Getúlio Vargas. E como a maioria das meninas, herdou a paixão pela moda na infância, quando “roubava” para brincar, os sapatos e batons vermelhos da mãe e os acessórios da avó paterna. Aos 15 anos começou a carreira de modelo  que perdurou por 10 anos. Durante a faculdade se encantou pelos negócios e depois de formada ficou no mundo corporativo por 11 anos. Foi  neste universo que se reconectou com a moda. Renata participava de reuniões importantes, em ambientes extremamente masculinos e sentia falta, de marcas para um público feminino,extremamente exigente e com independência financeira.

Clássica e atemporal

-Fui atrás de roupas que ajudassem a conectar comigo e com o meu poder pessoal. Para a minha surpresa constatei que no mercado não havia nada com uma pegada clássica, elegante, sofisticada e moderna e que me atendesse. Eu era uma mulher de 26 anos e queria aparentar a idade real, com muita classe, uma pegada fashion e feminina. Nas viagens pelo país, constatei que esta não era somente uma dificuldade exclusivamente minha,mas de outras mulheres em ambiente corporativo, conclui. Foi ai que surgiu a marca Renata Ouro.

Clássicos da moda com arte e expressão


O que você veste diz muito sobre sua personalidade e crenças. Marcas de todo o mundo estão criando maneiras de aderir a algumas causas e manifestações artísticas e políticas, expondo ideias em peças em que a maioria possa usar e que seja acessível. Sempre existe uma forma de contribuir para o que você acredita, se expressando a sua maneira. Inspirada nestes itens fashion, eu escrevo a coluna desta semana. A grande protagonista é a camiseta branca, ou da cor que preferir, clássica e atemporal, que chegou para ficar. Não conheço nada mais democrático, hoje, na moda.Por Lise Crippa -29 de junho de 2019

Camiseta Simone Michielin e saia Le Iris. Foto Dari Luz

Quando Maria Grazia Chiuri, diretora criativa da Dior, colocou na passarela – em sua primeira coleção para a grife francesa em 2016 – a camiseta escrita “Devemos todos ser feministas”, ela reacendeu uma chama no mundo da moda. Desde então, presenciamos um movimento feminista, ou com motivação política, pegando carona nas camisetas, na maior parte das vezes como slogan.

As camisetas

Item unissex começou a vida como uma roupa de baixo usada pelos homens. Na Idade Média eram feitas de tecido de algodão ou linho, que faziam uma camada entre o corpo e as roupas usadas por cima. O modelo sofreu várias mudanças significativas no século 19. A nova tecnologia de malharia deu um start para elas serem produzida em massa. A prática de vestir camisetas como roupas esportivas foi rapidamente adotada por homens da classe trabalhadora.

No momento em que os atores de Hollywood começaram a colocar camisetas brancas para sinalizar a rebeldia de seus personagens, o mais mitológico que lembro foi James Dean em Rebel Without Cause (1955) – a camiseta entrou oficialmente no closet do masculino. Os rappers usaram nos anos 1990, assim como estrelas pop e modelos. T-shirts estão na mira da moda desde os anos 1950 e a peça foi reinterpretada por muitos designers desde Yves Saint Laurent e Dior, até Chanel e Lacoste.

Dior perpetuou as saias

Você anda notando que as saias e vestidos chegaram com tudo nos últimos desfiles e coleções? Na coluna deste fim de semana destaquei também as saias, todas num comprimento midi, fazendo dobradinha com o tema principal, as camisetas. Foi no desfile de moda da Dior, em Paris – mas desta vez busquei lá no passado, em 1947 –, que algo diferente ocorreu nas passarelas. Um novo estilo finalmente entrava para a história, com um apelo nostálgico da sociedade do pós-guerra. E a lenda nasceu, o new look entrou para a cronologia da moda.

A marca não queria criar roupas, mas sim vender um sonho dos bons e velhos tempos, quando as mulheres podiam se dar ao luxo de serem extravagantes e, deliberadamente, glamourosas. O new look foi uma redescoberta da prosperidade, decretada depois do período de guerra, dos trajes utilitários e austeridade das roupas. Apresentou uma imagem de feminilidade radical, obtida por saias e vestidos que tinham que estar 40cm acima do chão.

Feministas protestaram

Nem todo mundo ficou empolgado com o glamour exagerado proposto pela Dior. Segundo as feministas, eram ideias regressivas e contrárias às da época: “Nós abominamos vestidos compridos”!, gritaram elas em protesto. Os designers americanos, que adotaram silhuetas modestas e elegantes e cujos negócios floresciam durante a guerra, também ficaram igualmente chocados com Dior. Coco Chanel, a estrela da moda pré-guerra, comentou com zombaria que, “a Dior não veste as mulheres, as cobre!”

Nos anos 1930, mulheres da classe média e alta usavam basicamente os mesmos looksdevido à Grande Depressão. Em contraste, após a Segunda Guerra Mundial, os trajes exclusivos e luxuosos da Dior ofereceram um símbolo da nova e dividida sociedade. No início dos anos 1960, o new look quase desapareceu da coleção da Maison. Sua revitalização veio na década de 1990, no entanto, quando uma onda de jovens estilistas decidiu desconstruir a história da moda e se apropriar dela para o seu tempo. Hoje o “novo olhar” mais uma vez reina: Thom Browne, Miuccia Prada ou J. W. Anderson atualizaram o estilo de Dior.

Feito na hora

O projeto Eu Q Fiz passeia entre mentes criativas e tendências em constante movimento. As peças e estampas adquirem significado, tornam-se únicas quando encontram indivíduos que valorizam a cultura maker e criam seu próprio jeito de pensar a moda. Percebendo isso, a marca catarinense Colcci dá vida a este novo projeto que traz a tecnologia a favor da unicidade. Leva para o ponto de venda uma máquina de estamparia e convida o público a participar do processo criativo, escolhendo sketches ilustrados pela crew de designers da marca ou sugerindo seu próprio desenho ou frase.

Saia, camiseta e blazer Colcci, bolsa customizada Schutz, pulseira Hermês, tênis Drumond customizado pela artista Simone Michelin

Seja qual for a preferência, a t-shirt é produzida na hora. As camisetas adultas são vendidas a R$ 119 e infantil R$ 79. Na compra de três camisetas, as adulto ficam por R$ 99 e infantil R$ 69, sendo que na loja do Beiramar de Floripa, 15% das vendas – até este fim de semana –, serão revertidas para a Casa de Acolhimento Semente Viva que abriga crianças em risco social.

Em oito anos, o Lar já atendeu mais de 80 crianças que tiveram suas histórias transformadas. Funciona 24 horas por dia, 12 meses por ano, sem parar. Por ser uma organização sem fins lucrativos, depende de doações para manter as portas abertas.

A arte de ser feliz

Bolsa customizada na hora por Simone Michielin Chenson, saia e moleton Tida. Foto Dari Luz, especial

– Eu ‘estive’ advogada por um tempo, mas hoje percebo que sempre fui artista plástica – me contou Simone Michielin, dona do Ateliê que leva o seu nome no bairro Santa Mônica, em Florianópolis.

Foi lá que realizamos as fotos da coluna, e a artista customizou uma bolsa com exclusividade. A saída do mercado formal e o reencontro com a arte, após 15 anos de uma bela carreira na advocacia, marcam a trajetória da artista nascida em Pinhalzinho, Oeste de SC.

Desde muito cedo demonstrou um talento nato pelas artes. Eram cadernos e mais cadernos de desenhos e um número sem fim de lápis de cor, tintas e tudo mais que pudesse ser usado para expressar o que, até pouco tempo na sua infância, parecia ser apenas um hobby. Simone já participou de diversas exposições, além de duas mostras Casa Cor SC, Casa & Cia e três exposições em Florença, Itália.

Saindo das telas, participou da Elephant Parade Brasil, com a pintura de três esculturas que ficaram espalhadas pela cidade. Foi convidada a participar da exposição Bonecas Russas Gigantes, pintando duas delas, uma por encomenda da Embaixada Russa para as Olimpíadas do Rio 2016.

A arte de ser feliz 2

Camisa Tig, saia, casaco cinto Renata Ouro

A coluna aborda muita moda com propósito, customização e destaca a mudança profissional de duas mulheres catarinenses.

Natural de Florianópolis, Renata Ouro tem 33 anos e é formada em Administração e pós-graduada em Marketing. Como a maioria das meninas, herdou a paixão pela moda da infância, quando “roubava” os sapatos e batons vermelhos da mãe e os acessórios da avó paterna para brincar. Aos 15 anos, começou a carreira de modelo, que perdurou por 10 anos. Durante a faculdade, se encantou pelos negócios e depois de formada ficou no mundo corporativo por 11 anos.

Foi neste universo que se reconectou com a moda. Renata participava de reuniões importantes, em ambientes extremamente masculinos, e sentia falta de marcas para um público feminino – hoje extremamente exigente e com independência financeira.

– Quando atendi a minha necessidade de me vestir, as clientes foram aparecendo, porque eu estava preenchendo uma lacuna no mercado. E foi aí que a minha marca começou a sair de Florianópolis para São Paulo, Brasília e Rio. Minhas clientes começaram a sentir a autoestima elevada e com seus problemas resolvidos.

Com vendas online e em multimarcas pelo Brasil, todas as peças Renata Ouro são confeccionadas com o olhar bem crítico e detalhista da estilista, que se inspira no lifestyledas próprias clientes e busca referências em grandes grifes internacionais, como Chanel.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Maria Vitória Giovannini (Ford Models)
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimento: Simone Michielin Arte
Marcas e lojas participantes: Chenson, Colcci, Dumond, Hermès, Le Iris, Tida, Tig, Schutz, Paula Torres, Renata Ouro e Simone Michielin