Básicas e versáteis: camisas brancas vão dos looks mais simples aos mais sofisticados

Você pode usá-la com diamantes ou com nada – cabe a você. Isso significa que as tendências podem ir e vir, mas nada vai bater uma camisa branca. Camisas combinam com sobreposições ou looks mais sofisticados. Coco Chanel pode ter popularizado o Little Black Dress, mas Carolina Herrera difundiu seu próprio estilo através das camisas brancas.

Por Lise Crippa

Brincos e colar Nakana Biojoias, saia Closet Camila Fraga, camisa Jacque Lodetti e joias Bárbara K (Fotos: Dari Luz/Divulgação)

Carolina Herrera e as camisas brancas

Joias Bárbara K, colar Nakana Biojoias, saia Fernè, carteira A Clutch e chemise Atelier Jacque Lodetti

A designer criou o item clássico já em sua primeira coleção, em 1981. A parte superior pode ser combinada com jeans, saias mais produzidas e blazers: “elas me fazem sentir segura”, explicou Herrera. “Quando não sei o que vestir, escolho uma camisa branca.” Bingo!

Você pode usá-la com diamantes ou com nada – cabe a você. Isso significa que as tendências podem ir e vir, mas nada vai bater uma camisa branca. A filha de Herrera, também chamada Carolina, comentou que a chave por trás da intemporalidade da camisa é sua versatilidade: “o que você quer que seja, a camisa branca se torna”.

Aquela peça básica

O Studio Jacque Lodetti, de Criciúma, nasceu da vontade da busca da independência de códigos e tendências para recriar o closet feminino de forma atemporal e versátil: “acreditamos na força da camisa branca como plataforma de múltiplas combinações e expressão de singularidade”, me confessa a designer homônima à marca.

Usando algodão e seda, por sua durabilidade e qualidade, o Studio traz interpretações da camisa branca com coleções cápsula cuidadosamente produzidas por mão de obra local,
seguindo o conceito slow fashion.

Jacque se desenvolveu como estilista em ateliê de alta costura e na indústria jeanswear, complementando sua experiência no Instituto Marangoni, em Milão. Com 30 anos de trajetória como designer de produto, percebendo a necessidade de buscar um novo significado entendendo a moda como expressão da própria vida, mergulhou no seu universo interno para repensar valores e resgatar outros que realmente fizessem sentido para o momento atual.

Tranças da Terra

Saia Closet Camila Fraga, bolsa Tranças da Terra, camisa Atelier Jacque Lodetti e joias Bárbara K

O artesanato feito em palha de trigo é a marca registrada da região montanhosa situada em Joaçaba, no Meio-Oeste de Santa Catarina. A técnica dessa produção foi resgatada pelo projeto Tranças da Terra, nascido da necessidade de encontrar uma atividade que identificasse a região e gerasse renda para as comunidades rurais. Lançado em 2005, o projeto alcançou resultados esperados em termos econômicos, sociais e ambientais. Atualmente, são 22 artesãos e 11 produtores de trigo envolvendo mais de 50 pessoas que, de forma associativa e em rede, mantêm a essência do desenvolvimento, levando em conta a sustentabilidade social, econômica, ecológica, territorial, cultural e os princípios do comércio justo.

O projeto proporcionou capacitação em gestão administrativa, financeira, mercado e consultoria em design de produto, em que foram desenvolvidos mais de 30 produtos que estão à venda no site Tranças da Terra. São chapéus, sportas (sacolas), sousplat, capitéis, porta-vela, trilho de mesa, jogos americanos, bolsas, cesta para pães, luminárias, cestas de flores, revisteiro, flores para arranjo, colares, adorno de bolsa, prendedor de cabelo, entre outros itens.

Politicamente correta

A Nakana Biojoias – o nome significa no dialeto havaiano “Prenda de Deus” – tem peças criadas pela designer e artesã Elaine Almeida. Todas feitas à mão, com sustentabilidade, mesclando cordas ecológicas extraídas das garrafas pets, revestidas com fios de seda e algodão, tingidos organicamente com café, cebola e outros produtos. Muitas peças também são feitas de conchas, búzios, pedras naturais, madeira, açaí, palhas e fios de buriti.

Algumas banhadas em metal, ouro e rodium, que vem com um antialérgico especial, o que dá garantia e durabilidade. Nascida em São Paulo e criada no interior, numa região rica e com vocação à arte, foi com o pai, um ourives especialista em confeccionar bijuterias finas e semijoias, e com a mãe, que tinha o dom da costura, da pintura, tricô e crochê, que Elaine se motivou a confeccionar suas próprias peças. Em 2014, mudou-se para Florianópolis com o marido e incentivador Robson, e começou a trabalhar como artesã.

No entanto eles se viram em meio a um dilema: no local onde foram morar, conhecido pela “ desova” de animais velhos, abatidos por maus tratos e filhotes indesejados, a designer e o marido começaram a acolher os bichinhos, alguns cães e gatos. Dedicados à causa, todo o lucro arrecadado com a venda das bijuterias é revertido para comprar comida, pagar veterinário e manter 42 animais.

Em camadas

Joias Bárbara k, cinto Chanel, saia e corset Fernè e camisa Atelier
Jacque Lodetti

As sobreposições estarão muito em evidência no próximo inverno. Assim que comecei a cruzar com a tendência, quando ainda estava na minha temporada na Itália, logo associei à marca Balenciaga, com seus looks em camadas sem igual e inconfundíveis. Na verdade, dois dos principais nomes das semanas de moda, Balenciaga e Chanel levaram essa ideia da sobreposição ao extremo nas passarelas de outono-inverno 2018-2019, o que acabou inspirando o inverno 2019 aqui pelo Brasil.

O legal é saber brincar com os comprimentos e as cores, garimpando peças nas quais os tons possam conversar entre si. Para a diretora-criativa da Fernè, marca catarinense de roupas em couro e pelica, Tatiana Greuel, “a regra para as camadas é meio que não ter regra. Porém ter uma cor, um material, algo na proporção, sempre facilita”.
Outra ideia legal é apostar em peças monocromáticas e eu particularmente amo este shape. A combinação de texturas também fica bacana. Neste editorial todas as peças sobrepostas combinam com couro + renda + tricoline ou couro + tricoline das camisas.

Icônicos

Joias Bárbara K, corset Fernè, saia Iorane, camisa Atelier Jacque Lodetti e carteira A Clutch

A peça responsável por dar postura, afinar e alongar a silhueta feminina já foi batizada de diferentes nomes, desde os primórdios, de acordo com a região e com a época. O corset, ou espartilho, também já foi chamado de payre of bodies, corps ou vasquina. Exatamente onde e quando surgiram eu não achei nenhuma referência, mas parece que os gregos já usavam uma peça muito similar.

Recentemente, a diretora-artística da Dior, Maria Grazia Chiuri, trouxe todos os seus sentimentos nascentes para o feminismo em um poderoso e significativo show da Dior Cruise destacando duas peças: corset e saia. O foco da coleção foram as mulheres mexicanas montadas em cavalos. A estilista revelou, por meio das roupas, que as mulheres podem fazer as coisas que quiserem: “as formas são realmente Dior – bonitas e leves – mas ao mesmo tempo também são fortes”. Apareceram cinturas marcadas em cintos largos e os corsets para contrastar com a agitação de babados nas saias, além de algumas camisas.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Ariella Pretto – Ford Models SC
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Locação: Igreja de Nossa Senhora das Necessidades (Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis)
Marcas e lojas participantes: A Clutch, Atelier Jacque Lodetti, Bárbara K, Closet Camila Fraga, Chanel, Fernè, Iorane, Nakana Biojoias, Tranças da Terra

Sobre Lise Crippa

Sou formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e Moda. Atuo em assessoria de comunicação e jornalismo de Moda. O universo Fashion faz parte da minha vida e do meu trabalho.