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Sobre Lise Crippa

Sou formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e Moda. Atuo em assessoria de comunicação e jornalismo de Moda. O universo Fashion faz parte da minha vida e do meu trabalho.

Minha coluna Revista Versar: navy: o estilo que navega de geração em geração


O estilo náutico na moda é atemporal e praticamente qualquer pessoa, de qualquer idade, pode incorporar a aparência em seu dia a dia. São peças icônicas, que incluem casacos e blazers bem estruturados, blusas de malha com gola alta, sapatos e cintos de corda trançados, calças boca de sino, além das pulseiras com elos e as icônicas blusas listradas. A combinação branco com azul marinho, com toques de vermelho, é a mais comum. Não importa de que maneira você vai adotá-lo, mas pode ter certeza: é garantia de sucesso em qualquer estação!

Pulseiras acervo, blazer Ammis, body Água de Coco para lojas Mariella, brincos Lize Acessórios e sandálias Antônia Handbags (Fotos: Dari Luiz/Divulgação)

Da marinha para a moda

O clássico uniforme azul marinho e branco listrado que conhecemos são originários da região costeira francesa da Bretanha. O traje dos oficiais da marinha francesa carrega 21 faixas horizontais, uma para cada uma das vitórias de Napoleão. O vestuário nasceu da funcionalidade: o decote reto permitia que os marinheiros se vestissem rapidamente para atender qualquer imprevisto à bordo.


Brincos Lize Acessórios, pulseiras de elos acervo, pulseira branca Hermès e vestido Skazi para Tida

Origem com Chanel

Quando Coco Chanel abriu sua primeira loja de roupas em 1913, na estância balnear de Deauville, na Normandia, introduziu na coleção várias peças vindas do figurino dos pescadores normandos, completamente reinventadas e adaptadas para a moda e para as mulheres.

Graças a sua irmã Antoinette e a tia Adrienne, que usaram os modelos pela cidade, a elegante inspiração náutica de Chanel tornou-se bastante atraente para moças bem vestidas, tanto dentro quanto fora da praia. Poucos anos depois, os modelos estavam nas páginas das Vogue britânica e americana.

 Macacão Skazi para Tida, colar acervo

Outra referência que Chanel reinventou foram os trajes dos marinheiros franceses. Desta vez, ela criou uma coleção com tema náutico, lá por 1917. Chanel favoreceu silhuetas masculinas para dar poder à sua clientela e foi fotografada ostentando uma blusa listrada, batizada de camiseta bretão, e um par de calças com pernas largas que chamou a atenção das mulheres da época. A alta sociedade logo se convenceu que a estilista estava no caminho certo. O shape rende ótimos looks até hoje.

Reinventado em várias épocas

Seja no vestido marinheiro criado por Mary Quant em 1967 ou por Yohji Yamamoto, que lançou uma versão do estilo exagerado para a primavera / verão de 2007, o visual foi visto várias e várias vezes na moda e até na decoração. Alguns designers captaram mais notavelmente o espírito da Marinha, como Vivienne Westwood, cujo pirata inspirou a coleção “World’s End”, em 1981, e John Paul Gaultier, que em muitas de suas coleções mostrou o fascínio pelo personagem infantil Popeye. Lembrando ainda que Ralph Lauren, cuja marca é um clássico chique americano, apoia fortemente a estética náutica.

Houve tantas reencarnações do estilo desde que as blusas listradas de Chanel se tornaram populares no início do século 20 que seria quase impossível mensurar aqui. Que seja eterno, então, pois eu amo muito!


Cinto Chanel, argolas e pulseira Lize Acessórios, chapéu Vero, vestido Cheroy para lojas Mariella

Nos primórdios

Acreditem: os créditos do estilo náutico, segundo a história, vão para a rainha Vitória. Ela foi a primeira dama a experimentar, em um dos filhos, o estilo navy: em 1846, vestiu Albert Edward, Príncipe de Gales, de quatro anos de idade, em um terno de marinheiro para usar a bordo do Royal Yacht. Quando o menino apareceu diante do público, oficiais e marinheiros que estavam reunidos no convés para vê-lo o aplaudiram. O príncipe William usou uma cópia exata no casamento do príncipe André e da duquesa de York em 1986. 

Bolsa e sapatos Carmen Steffens, macacão Hit Closet

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda:
Lise Crippa
Modelo: Lara Meneghel – Ford 
Models SC
Fotos e tratamento de fotos: 
Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Ajudante de produção: Luisa Lobato
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimento especial: Evandro e Graciele Parente e ao marinheiro Willian Pinheiro
Marcas e lojas participantes: Água de Coco, Ammis, Cheroy, Antonia Handbags, Carmen Steffens, Chanel, Hit Closet, Hermès, Lojas Mariella, Lize Acessórios, Mariana Pelegrini, Renata Ouro, Skazi, Tida, Vero ChapéuL

Eu entrevistei: filha de catarinense, jornalista italiana Paola Jacobbi fala da convivência com grandes nomes da arte, cinema e moda

Quando entrei no restaurante Ceresio 7, em Milão, me chamou a atenção o burburinho em torno de Cindy Crawford, uma das primeiras tops mundiais a ser denominada “übermodel“. Ela recém tinha batido um papo amistoso com a minha entrevistada de hoje, Paola Jacobbi. Com amigos em comum, logo estávamos sentados juntos, menos a modelo, que estava a algumas mesas de nós.

Eu e Paola em Milão, ano passado

Paola e eu identificamos imediatamente muitas afinidades. Italiana, com mãe brasileira — ela é filha de Daisy Benvenutti —, Paola é jornalista e tem uma forte ligação com Santa Catarina — ela é prima do saudoso colunista Moacir Benvenutti (que chegou a morar em Milão com a família de Paola), e a mãe nasceu em Jaraguá do Sul.

Desde aquela noite de novembro, no auge da semana de moda, nós mantivemos conversas frequentes. Neste começo de ano, como faz anualmente, Paola e o marido Gianmaria vieram a Santa Catarina para rever os parentes. Em meio às férias, batemos um papo sobre moda, personalidades, carreira. Com a modéstia habitual àqueles que não precisam se autopromover, a jornalista, que atua na Vanity Fair italiana, fala com naturalidade sobre sua convivência com os grandes nomes da arte, cultura e moda mundial.

Por Lise Crippa -26 de Janeiro de 2019

Paola Jacobbi
Paola Jacobbi (Foto: Diorgenes Pandini)

No currículo

Paola é editora sênior da Vanity Fair italiana, revista americana que aborda cultura pop, moda e política pelo mundo, inclusive com edição aqui no Brasil. Tem formação em Ciências Politicas em Milão. Iniciou no jornalismo com 18 anos, quando fez estágio na Bloch Editora, no Brasil. Um ano, depois trabalhou na redação de Paris da mesma revista. Em 1984, já estava contratada numa publicação italiana de moda, música e cultura para jovens meninas. Em 1995, escrevia para a Panorama, uma espécie de Veja italiana. Em 2003, entrou na Vanity logo que a revista se estabeleceu na Itália. Atualmente, ainda escreve para a Vogue russa, na editoria de moda, e já colaborou para a Vanity Fair Espanha.

Ligações com o Brasil, SC e Florianópolis

“Minha mãe, Daisy, é brasileira, nascida em Jaraguá do Sul. Formou-se em Ciências Econômicas em Curitiba. Foi a primeira mulher formada na Federal do Paraná, por isso ganhou um prêmio em 2016. A história dela é muito mais interessante do que a minha. Enfim, ela foi ser atriz de rádio e teatro em São Paulo, onde conheceu meu pai, escritor, crítico, diretor de teatro italiano, que morou muitos anos no Brasil. Quando ela estava grávida de mim, de cinco meses, resolveram voltar à Itália. Na época eles moravam em Porto Alegre. Então eu fui concebida em Porto Alegre e nasci em Roma, onde residiam meus avós paternos. Quando eu tinha três ou quatro anos, mudamos para Milão”.

A mãe inspirou-a também a seguir a carreira na área de comunicação. Na Itália, Daisy trabalhou na Revista Manchete como correspondente e também foi diretora de redação da Revista Desfile Itália, em que tinha uma coluna abordando moda e sociedade em Milão.

Infância e adolescência

“Eu sempre vivi na Itália. Passei algumas férias em SC, visitando a família, principalmente meu primo Moacir Benvenutti, colunista social do Diário Catarinense, que foi para mim um grande amigo. Sempre representou a alma de Floripa e de Santa Catarina. Me faz falta todo dia”.

Entrevistas com celebridades mundiais

“Já entrevistei grandes nomes do cenário mundial desde minha estreia na carreira. Desde os escritores Jorge Amado, há muitos anos, no Rio, quando eu ainda era uma garota, Isabel Allende, Mario Vargas Llosa, a astros como George Clooney, Sharon Stone, Richard Gere, Angelina Jolie, Brad Pitt, Clint Eastwood, Madonna, Lady Gaga, Scarlet Johansson, Dakota Johnson, Eva Green, Rachel Weisz, Alfonso Cuarón, Nacho Figueiras, Edgar Ramirez, Rodrigo Santoro. Além de Leonardo DiCaprio, Kitty Spencer (sobrinha de Lady D), Julia Roberts, Jodie Foster, Martin Scorsese, Sofia Coppola. Mas também entrevistei muitas personalidades da moda, como Giorgio Armani, Donatella Versace, Alber Elbaz, Ottavio Missoni, Gisele Bündchen. Fiz a primeira entrevista com Lea T, conversei com o jogador Alexandre Pato quando ele namorava com a filha de Silvio Berlusconi. Falei com todos os 007 (Sean Connery, Roger Moore, Georges Lazenby, Pierce Brosnan e Daniel Craig) muitos outros atores, inclusive a rainha das blogueiras Chiara Ferragni“.

Blogueiras e o jornalismo

“Elas tomaram lugar das páginas de anúncios que eram fonte de dinheiro para as editoras. Uma blogueira não pode ser jornalista porque é simplesmente uma garota propaganda 2.0, é comércio, não é jornalismo. Nada de mal, mas são temas, e business, muito diferentes”.

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Mercado editorial e redes sociais

“A situação das editoras é muito crítica no mundo inteiro. O mercado editorial italiano é como todos os outros, alguns títulos funcionam, outros menos, mas ninguém cresce. Não tem novos projetos, o dinheiro é sempre menor. Sou muito interessada nas redes sociais, mas acho que precisam evoluir. Não basta uma pose narcisista para substituir uma revista de moda, não basta uma frase bacana para substituir a crítica de um filme ou um argumento político. Redes sociais são um atalho para preguiçosos, seja para quem escreve, seja para quem lê, mas podem ser uma plataforma para um ótimo jornalismo também. Depende muito dos editores que, por enquanto, não tiveram grande visão sobre o futuro. Como é possível que os discos acabaram, mas a música continua sendo um business? Que as livrarias fechem, mas os livros se vendem na Amazon? Que os cinemas fechem, mas os filmes vivem e prosperam na Netflix? Cadê a Netflix das revistas? (Existe, é a Texture nos EUA, mas ninguém acreditou bastante na ideia, pelo menos até hoje). A crise é mundial. A questão é qual será o futuro, se ninguém fizer nada? O futuro serão as revistas em forma de aplicativos, o problema é que tem muita informação de baixo nível e gratuita. Eu quero um conteúdo bom e quero pagar por este conteúdo. Eu quero ler uma publicação com algo interessante. A Netflix está produzindo filmes como Roma que, se não fosse a plataforma, menos pessoas teriam visto”.

David Bowie e visões sobre o futuro

“Falei com ele em 1995. Começamos abordando sobre os anos 2000 e lembro que gostei muito daquela entrevista, porque ele me comentou que já havia se programado para passar o final de 1999, 2000 na Nova Zelândia, pois lá o ano começava antes. Ele estava com pressa e estava muito interessado nas tecnologias. A internet estava começando e ele já estava super interessado. Bowie tinha uma visão muito científica das coisas, tinha uma visão futurista e de como a vida iria mudar. A matéria era sobre como seria o próximo milênio. Uma parte era com ele e a outra com a cineasta Kathryn Bigilow, que logo depois se tornaria a primeira mulher a ganhar um Oscar de melhor direção por The Hurt Locker, em 2010″.

Peculiaridades de celebridades

“Nunca vou esquecer de um dia em Lisboa com Marcello Mastroianni; uma tarde na casa de Kevin Costner em Los Angeles; um almoço com Sharon Stone em Bora Bora; um dia fotografando a Isabel Allende na casa dela em São Francisco (Califórnia); uma viagem de avião de Atlanta para Nova York com Janet Jackson. Mas talvez a minha preferida em absoluto seja a Olivia De Havilland, única sobrevivente do elenco de E o Vento Levou…, que entrevistei na casa dela em Paris, em 2009″.

Paola e Isabel Allende

Universo da moda

“Adoro moda. O mais divertido, irônico, inteligente de todos os entrevistados foi Giancarlo Giammetti, sócio de Valentino. Uma vida de glamour, um humor bem “sharp” [ácido]. Foram as flores mais chiques que recebi no dia seguinte a uma entrevista”.

Incursões literárias

“Eu escrevi um romance e três outros livros sobre moda. O livro sobre sapatos foi ideia de uma amiga que trabalhava na editora de livros e que sempre dizia que gostaria que eu escrevesse um livro para ela. A gente começou a se encontrar numa cafeteira em Milão, às quintas-feiras de manhã, ao lado de uma feirinha famosa na cidade porque tem uma banca que vende sapatos de marca da temporada passada: Prada, Tods, Versace, Dolce e Gabbana….E ali, na frente da banca, tivemos a ideia de um livro sobre sapatos. O livro foi um sucesso (era o momento de ouro da Sex & the City, sapatos e mulheres eram assunto do dia) foi traduzido em várias línguas (inclusive no Brasil). Aí resolvi fazer uma trilogia das obsessões femininas: sapatos, bolsas, joias. Já o romance é uma sátira social sobre o mundo das celebridades e do charity. Se passa num país de terceiro mundo, Centro-América, país que não existe, ninguém conhece. Fala de um local que tem um terremoto e lá tem uma celebridade e o local torna-se famoso e ganha a atenção da mídia e do mundo por causa do terremoto. Eu me inspirei um pouco no que aconteceu em 2004, quando ocorreu um tsunami no Sul da Ásia. Se não tivessem ocidentais, ninguém estava nem aí. A modelo checa Petra Nemcova ficou famosa porque sobreviveu a este tsunami. No futuro, gostaria de escrever algo sobre Brasil e Itália, ainda não sei como!”

Referências do Brasil aos italianos em moda e entretenimento

“Os italianos veem os brasileiros como um povo alegre. Sol, futebol, Carnaval, o rótulo clássico. Só quem viaja e conhece, entende e aprecia a complexidade antropológica e cultural do Brasil. As referências em moda são poucas, ficam mais no campo de nomes de algumas top models. Entre os que trabalham na moda, Osklen é uma marca conhecida e as Havaianas são veneradas. O Brasil é muito clichê e as informações de moda, cinema e entretenimento chegam pouco para nós na Itália. Gisele Bünchen é muito famosa, mas quase mais americana que brasileira. Apareceu nos jogos olímpicos, todo mundo sabe que é brasileira, mas é a única celebridade da atualidade na área da moda que a Itália conhece. Sonia Braga é lembrada quando se fala em cinema brasileiro, assim como Sophia Loren no cinema italiano”.

Sobre cinema brasileiro

“Eu vi dois filmes brasileiros ótimos! (ela recorre ao marido Gianmaria, para ajudá-la a lembrar os nomes — Que Horas Ela Volta e Casagrande). Aquarius também foi um grande filme. Entrevistei a Sonia Braga. Já sobre Que horas Ela Volta, não consegui emplacar uma entrevista. Infelizmente, ninguém conhecia a Regina Casé. E um viva à Netflix! Pois eu não teria visto a série O Mecanismo, sobre a Lava-Jato.

Expectativa quanto às celebridades

“Acontece decepção, acontece surpresa. Você encontra a celebridade em épocas diferentes. Você encontra numa época e depois em outra, dependendo do momento da vida deles. Com o Kevin Costner, por exemplo, entrevistei ele no começo da carreira e num momento que ele era muito famoso, num momento de quase arrogância. Depois entrevistei num momento que ele estava em grande crise e depois foi mais na idade atual, mais tranquilo. Depende do momento, do que estão promovendo. É claro que se trata da promoção de um filme que estão muito apaixonados, que deram o máximo, um filme que pode ganhar prêmios, eles são mais generosos, mas tem alguns que nunca são generosos… Os melhores entrevistados são os mais velhos, porque têm muita história para contar e não precisam mais provar nada para ninguém”.

Favoritos para o Oscar

Aposto em Nasce uma Estrela, Bohemian Rhapsody, Green Book. Eu apostaria no Green Book, mas o filme está tendo muita polêmica em torno dele, mas depende muito como de como a equipe que produziu o filme vai conduzir a narrativa. Tecnicamente, Green Book, se souber jogar bem as suas cartas, será como o The Millionaire. O ano que o filme ganhou ninguém esperava. O Vigo Mortensen, um dos protagonistas de Green Book, me contou que da outra vez que ele foi indicado ao Oscar, não fez muita campanha e o pessoal reclamou para ele”.

Morar no Brasil

“Gostaria muito de morar no Brasil! Um país jovem, com grande energia e potencial enorme, um país onde se fala uma língua maravilhosa, que tem uma tradição cultural própria, única. Quantas coisas podem ainda ser feitas no Brasil! Gosto muito de Florianópolis, gostaria de passar muito mais tempo aqui. A cidade tem um potencial enorme! Outro dia, num sábado, com tempo nublado, queríamos ver um filme japonês que ganhou Cannes e fomos ao Paradigma e o cinema estava cheio, 11h da manhã! Se você faz as coisas, tem público. Eu passo pelas livrarias dos shoppings e estão vazias, mas porque não têm eventos. Convidem pessoas para falar de um livro, tocar uma música, uma palestra. Uma das coisas que falta mais aqui em Florianópolis é política cultural. Mas eu amo cada árvore aqui na Capital!”

Vanessa Neuber ministra oficina na Faferia: Figurino x Direção de Arte x Moda


A figurinista e professora Vanessa Neuber ministra a oficina “Figurino x Direção de Arte x Moda” no sábado, dia 2 de fevereiro, das 14h às 19 horas na Faferia, centro antigo de Florianópolis. A oficina é dinâmica e pautada no universo da indumentária e a sua relação com a arte, figurino e moda, incluindo sua representação em produções televisivas, cinematográficos e teatrais.

O objetivo é levar o participante a compreender a importância do vestuário e a sua relação com as vertentes artísticas; expandir o olhar através de pesquisa e referências variadas; instigar a criatividade diante de um roteiro; materializar ideias através de técnicas como a colagem e ferramentas como o moodboard.

O valor da oficina é R$ 190 e não é necessário conhecimento prévio do assunto.  Mais informações podem ser obtidas em www.faferia.com. O endereço da Faferia Oficinas é rua Fernando Machado, 261, centro antigo de Florianópolis.

QUEM É A MINISTRANTE

A catarinense Vanessa Neuber é figurinista, diretora de arte, artista visual, professora de Produção e Pesquisa de Moda, graduada em Design de Moda e pós-graduada em História da Arte. Trabalhou durante 12 anos na indústria têxtile adquiriu experiência a partir de grandes nomes do mercado, e a arte acompanhasuas inspirações em toda a sua trajetória.

Apaixonada por cinema, música e teatro, em 2009 participou de um Workshop de figurino, o que instigou sua vontade de fortalecer seus conhecimentos sobre esta temática. Em 2013, seu projeto “Vestindo Almas Emprestadas” foi aprovado pelo Edital de Intercâmbio e Difusão Cultural, o que possibilitou seus estudos na renomada London College of Fashion.

www.vanessaneuber.com

Minha coluna Revista Versar: estampas tropicais, tramas naturais e muita elegância estão entre as tendências do verão

Pode ser num beach club, numa pool party ou num passeio de lancha, a dica é não sair do prumo e da moda. Sentar-se à beira da piscina e relaxar em uma espreguiçadeira representa uma oportunidade libertadora e única de sentir-se linda e se revelar neste verão. E não estou falando somente em ficar excepcionalmente bem nas fotos das férias: o objetivo é não perder o charme e a confiança. Pode ser num beach club, numa pool party ou num passeio de lancha, a dica é não sair do prumo e da moda.

Saia PatBo e body Haight para Santalina, argola e pulseira Joyá, sapatos Schutz (Fotos: Dari Luz/Divulgação)

Versatilidade

Já faz algum tempo que as roupas saem da cidade para os ambientes de mar e vice-versa, mas dos excessos pretendemos passar bem longe! Como diria Chanel, “a simplicidade é a chave da verdadeira elegância”. Então, lembre-se: mesmo que seja uma balada, o menos é mais na praia/piscina. Pode ter maquiagem, pode ter brilho, estampa, renda, bijus e joias, mas o segredo é saber dosar na medida certa e compor as texturas e o look.

Estampas tropicais

A cultura e shape “surfístico” cairão nas graças das fashionistas? Se depender das últimas estampas apresentadas nas coleções internacionais e nacionais, sim! Em Nova York, uma série de estilistas apostou nas flores de hibisco e folhas de palmeira, incluindo a Puma, Baja East, Michael Kors e Coach. Em Milão, estampas tropicais estão ganhando força também. Na Gucci vimos um certo olhar pronto para as férias na passarela. Dica: você pode esperar seis meses até que essas peças dos designers atinjam o pico de vendas, mas a tendência é promissora e já tem pipocado nos desfiles das grandes marcas e está há tempos na sua loja de surfe mais próxima.

Palha em alta

Cropped Haight e saia PatBo para Santalina, colar e brincos Estela Geromini para Strass Acessórios e Roupas,
chapéu acervo

Não é a primeira vez que os chapéus de sol estão em voga, mas nenhum designer pode levar os louros pela criação da peça, que surgiu em todos os lugares. De Gucci a Dior, eles foram usados por Brigitte Bardot nos anos 1960. Na atualidade, algumas marcas nos fizeram querer desfilar pela cidade e à beira-mar com modelos que ameaçam ofuscar o “astro rei” e a tendência é reconhecida para outros acessórios que seguem a mesma textura, em palha, vime, ráfia natural ou granulada. As bolsas em palha também roubaram a cena. Geralmente revestidas em algodão ou linho, podem apresentar alças de couro, apliques ou bordas, e ser personalizadas com iniciais do seu nome. Já as bolsas vintage são sempre uma boa ideia devido ao seu fascínio retrô. Com a vibe dos anos 1970, estes modelos evocam instantaneamente Jane Birkin e seu estilo elegante. Nem as bolsas Hermès ganharam tanto o coração de Jane como a bolsa de palha que sempre foi a favorita da atriz.

Ainda sobre os chapéus

Chapéu Lari Handmade, saída de praia Carmen Steffens, pulseiras e brincos Joyá

Eles foram o ponto de partida da marca Lari Handmade, comandada pela catarinense Larissa Schlickmann, de São Ludgero. Apaixonada por trabalhos manuais, no verão de 2017 Lari transformou em arte um chapéu rasgado pelo vento em uma viagem, costurando com linhas coloridas desencontradas. As amigas viram, gostaram, começaram a pedir e ela não parou mais. Todos os chapéus são reaproveitados – uma tendência no mercado da moda, chamada de upcycling. Eles podem já fazer parte do acervo da cliente ou serem fornecidos pela designer. São panamás originais, fabricados no Equador e com garantia da procedência, mas que sofreram algum tipo de rasgo ou defeito durante a viagem. Aqui no Brasil são bordado à mão, pensados especialmente para cada cliente e com referências exclusivas.

Salar

Body Haight para Santalina, saia Carmen Steffens, chapéu acervo e colar e pulseira Flavia Baldi

O colar e pulseira com discos de madeira, coral e prata e cordas da produção é da coleção Salar, da designer mineira Flavia Baldi, radicada em Floripa há 21 anos. Exóticas paisagens dão formas, cores e força às peças que têm como inspiração os desertos sul-americanos, com suas areias e salares de tons suaves e terrosos. A riqueza de detalhes fica por conta da diversidade de texturas e cartela de cores, trazendo beleza e luminosidade, onde o simples e complexo se entrelaçam em uma mesma peça. Cada uma é feita à mão a partir de pedras semipreciosas e metais de qualidade, combinados a materiais trazidos de diversos lugares do Brasil e mundo afora.

As influências da designer de interiores por formação, ela herdou da mãe, artista plástica, que logo cedo fez questão de conectar a filha a esse incrível universo. Flávia começou a carreira tendo as referências de arte e do artesanato reunidas desde a infância como sua principal fonte de inspiração. Assim, com a experiência adquirida ao longo de seu amadurecimento profissional, foi inevitável que seguisse outro caminho senão aquele que a levaria ao encontro de sua grande paixão estética: a moda.

De Floripa

Bolsa e sandálias Schutz, biquíni Lenny e camisa Galiani

A Galiani é uma marca catarinense que está há quatro anos no mercado da moda, com peças em multimarcas de todo o Brasil. A publicitária e empresária Rafaela Galiani, fundadora e responsável pela coordenação criativa, diz que “trata-se de uma marca solar, com cheiro de mar, que leva fluidez, leveza e personalidade para quem as usa”. Destaque para as estampas, como a camisa da nossa produção, que fazem parte do DNA da marca.

Aposte no seu próprio closet: Você tem uma peça destas dentro dele!

Calças Cargo: Esta não é a primeira vez que as calças cargo se tornam um sucesso de moda. Usei muito os modelos nos anos 1990 e início dos anos 2000. Valentino e Prada já mostraram suas versões no verão passado. Fendi Prabal Gurung e Monse também. Use com uma camiseta simples, cai muito bem. Ah, estas calças com bolsos grandes são ótimas para carregar o iPhone!

Calções de ciclismo: Eu não quero dizer “desta água não beberei”, mas não pretendo usar as bermudas ciclistas. Estão sendo discutidas há mais de um ano, Saint Laurent apostou no modelo no final de 2017, mas no ano passado Stella McCartney, Chanel e uma série de estilistas aproveitaram o visual. Eu aconselho, caso você resolva arriscar, usar com blazer para dar um ar menos esportivo. Estou louca para apreciar as escolhas de vocês!

Sandálias de dedo: Até bem pouco tempo, as fashionistas mantinham seus pés em saltos altíssimos. Logo em seguida vieram os tênis brancos, mas a grande aposta são os chinelos de dedo mesmo. Já contei aqui algumas colunas atrás. Os modelos chegam com seu apelo discreto e arejado, sem mencionar sua acessibilidade. As sandálias com chinelo serão uma grande novidade em 2019.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Modelo: Vitória Faustino/ DN Models
Marcas participantes: Carmen Steffens, Estela Geromini, Flavia Baldi, Galiani, Haight, Joyá, Lari Handmade, Lenny, Santalina, Strass Acessórios e Roupas, Schutz, PatBo

Minha coluna Revista Versar: Entre nos tons de 2019: comece o ano de olho nas cores e tendências na moda

Ao escolher uma cor, você está fazendo uma declaração visual de suas esperanças e desejos para si e para as pessoas ao seu redor

 

Quando você escolhe um look para a véspera de Ano Novo, você não está apenas fazendo uma declaração de moda. Você está fazendo uma declaração visual de suas esperanças e desejos para si e para as pessoas ao seu redor. A tradição de usar branco é tipicamente brasileira. Confesso que eu nunca tinha me dado conta disso. E olha o que mais a gente faz por aqui, na véspera do Ano Novo, e que não é comum em outros lugares:
 

1. Celebrar, de preferência na praia, e fazer oferendas à Iemanjá, a “Deusa do Mar” e a “Mãe das Águas”. Iemanjá é uma divindade afro-brasileira das religiões candomblé e umbanda. Acredita-se que se suas ofertas forem devolvidas pelo mar, seu desejo não será concedido.

2. Na cultura brasileira, as pessoas normalmente vestem roupas brancas para receber o Ano Novo, a fim de atrair a paz e a felicidade. Dá para aditivar a superstição usando cores sob as roupas brancas para representar as resoluções – azul para harmonia, amarelo para prosperidade, vermelho ou rosa para romance, roxo para inspiração e verde para saúde.

3. O “sete” ocupa um lugar especial em muitas das diferentes tradições religiosas e é considerado um número de sorte. Entre alguns rituais estão: comer sete uvas por abundância ou mastigar sete sementes de romã para garantir que sua carteira ficará cheia de dinheiro no próximo ano. É preciso ainda pular sete ondas no mar.

4. Você precisa comer os alimentos certos como arroz, uvas, sementes de romã e lentilhas. Fique longe de peru e caranguejo, a menos que queira um ano cheio de azar.

Vestido Maria Filó, sandália e clutch Carmen Steffens e
joias Ruth Grieco

Vestido Adriana Milani para Tida, joias Ruth Grieco e sandália Carmen Steffens

Que cor usar?

branco é para mostrar seu desejo pela paz, para repelir a negatividade, estimular a memória e melhorar o equilíbrio interno. O amarelo é a cor a ser usada para chamar dinheiro ou estimular a intuição. Vermelho é paixão, amor, força e resistência. Se não quiser usar o look totalmente vermelho, pode pintar as unhas da cor para obter resultados garantidos ou usar num detalhe na roupa, como o vestido ao lado. Azul, cor do céu e do mar, trará paz ao espírito, harmonia, saúde e tranquilidade. Verde é a cor mais harmoniosa de todas! Representa a natureza, a esperança, o equilíbrio e a renovação para o próximo ano. Laranja trará riqueza, sucesso pessoal e profissional. É a cor para as pessoas que esperam por uma promoção ou um trabalho melhor. E por fim, o violeta ou lavanda, que foi a cor pantone 2018 e serve para estimular a criatividade, inspiração e imaginação. Se você está com dificuldades para criar novas ideias, use agora essa cor!

Feito à mão


Vestido Camila Fraga, joias Ruth Grieco e sapato Carmen Steffens

O vestido assinado pela estilista Camila Fraga é de renda guipir de algodão, 100% com fibra natural, flores em organza de seda pura recortadas e bordadas uma a uma com ponto estilo Richelieu, aplicadas à renda. O acabamento em grilô de pompons também é de algodão e demorou em média três dias para ser bordado. As flores levaram mais três dias para rebordar. No total, o vestido levou um mês para ficar pronto. “Como primamos por exclusividade, sempre tentamos aplicar alguma interferência, um bordado diferente”, revela Camila. A palavra guipir é francesa – ela surgiu na França e é conhecida desde 1843. Segundo o Dicionário da Moda, de Marco Sabino, “a guipure, também chamada de guipir, gripir ou gripier, é de linho ou seda com motivos em relevo, que formam arabescos com visual mais robusto e é considerada a mais nobre das rendas.”

Babados de princesa


Vestido Skazi para Tida,
joias Ruth Grieco e sapato CS

Vestidos de conto de fadas para mulheres reais são o que temos visto na maioria das coleções do verão 2018/2019. Um testemunho da relevância e atemporalidade de modelos, notoriamente bonitos, que nunca saem de moda. O vestido desta coluna é todo de babados em camadas, lindo ao ponto de muitas de nós começarmos a chamá-lo de “vestido de princesa”. Certamente poderia ter saído de um livro, mas as mulheres que usam o modelo têm os pés firmemente no chão; muitas usam sapatos baixos, não são “modeletes” e, certamente, não sonham em serem salvas por um príncipe!

Vá de macacão


Macacão Spezzato para Estrondo Boutique, clutch e sapato Carmen Steffens e joias Ruth Grieco

Uma das tendências de moda mais quentes desta estação foi feita primeiramente para agricultores e mecânicos. Blogueiros de moda começaram a adotar suas próprias versões da tendência utilitária, que estava em todos os desfiles da primavera, bem, mas bem depois. Obviamente que designers contemporâneos e it girls não inventaram o estilo. A moda vem das operárias das fábricas, durante a Segunda Guerra Mundial, inspiradas nos soldados americanos. Segundo os especialistas, a referência mais antiga ao shape, aquele com tira, data de 1776, dos uniformes das unidades de milícias americanas.
O que começou como uma maneira econômica de maximizar o conforto durante a batalha e longos dias de trabalho evoluiu para criadores como Donna Karan e Rag & Bone, que mostrou uma versão mais leve e confortável durante um de seus desfiles de primavera.

De olho no inverno

Dez cores da moda compõem a paleta principal das coleções de outono- inverno 2019.

  • Uísque marrom: um tom quente e envolvente, assim como a bebida. Suas nuances naturais lembram as veias da madeira. Vimos nas marcas internacionais Sies Marjan, Calvin Klein e Chloé.
  • Vermelho cereja: uma cor “encorpada”, ideal para realçar o veludo, o tule e o cetim. Muito elegante e retrô. Bottega Veneta, Oscar de la Renta, Givenchy usaram.
  • Azul digital: a cor de quase todas as redes sociais evoca a tecnologia e o futuro. Perfeito para todas as garotas cyber. Está em Stella McCartney, Marni, Prabal Gurung.
  • Rosa fúcsia: Será um dos tons favoritos dos designers. Exuberante se usado da cabeça aos pés, ou como um detalhe criativo. Veja em Ulla Johnson, Valentino e Alexander McQueen.
  • Lavanda: também chamado de lilás, é um tom pastel que, ao contrário do rosa ou do azul bebê, pode adicionar personalidade ao look. Visto em Acne Studios, Gucci e Miu Miu.
  • Laranja: o tom simbólico de outono se destacará com todo o seu efeito “vitamínico”. Atreva-se a usar um look total laranja para combater a queda de temperatura. Lanvin, Moschino e Prada usam.
  • Amarelo safira: para elevar padrões clássicos, como florais. Balenciaga, Versace e Coleção Michael Kors apostam.
  • Verde oliva: aparentemente subjugado, é semelhante ao verde militar, mas tem um tom dourado.
  • Cinza de mármore: é o novo preto, perfeito para todas as ocasiões, do terno do escritório ao vestido de festa. Louis Vuitton, Alexander Wang, Valentin Yudashkin optam por ele.
  • Prata: brilhante e com efeito espelhado. Está em elegantes vestidos prateados metálicos ou sobretudos de alta-costura como Alberta Ferretti, Giorgio Armani, Balmain.

Participaram deste editorial:
Produção executiva, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Modelo: Alexia Couto – Ford Models
Agradecimento especial: Isabela Althoff
Marcas e lojas que participaram: Adriana Milani, Camila Fraga, Carmen Steffens, Estrondo Boutique, Maria Filó, Ruth Grieco Joias, Spezzato, Skazi, Tida