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Sobre Lise Crippa

Sou formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e Moda. Atuo em assessoria de comunicação e jornalismo de Moda. O universo Fashion faz parte da minha vida e do meu trabalho.

Animal print é a tendência do outono/inverno 2019

Depois de inúmeros desfiles e lançamentos pelo mundo, as semanas de moda estão chegando ao fim e lançam uma série de novas tendências para entrar no seu radar. Os designers assumem um rumo escapista, buscando, em grande parte, no passado suas principais tendências.

Animal print é a tendência mais ditada pelas marcas influentes do mundo neste o outono/ inverno 2019. A cena internacional da moda começou a se assemelhar a um zoológico de verdade, já que os visitantes das semanas fashion internacionais viram, na grande maioria, uma estampa de animal após a outra nas passarelas. Esta ferocidade a todo vapor chegou também às ruas, e aqui pelo Brasil não será diferente.

Animal du jour

Veja os vestidos com estampa de zebra e bovinos da coleção pré-outono mais recente da Versace, além dos casacos de cobra e leopardo vermelhos sobrepostos no desfile de Paco Rabanne. Em outras palavras, não há mais a necessidade de escolher entre leopardo, tigre, zebra ou vaca para obter a vibe do momento. O segredo está em aceitar as misturas e até um certo caos visual.

Como usar a estampa da hora

Bota Danna, blusa Danna, joias Ruth Grieco e saia Lily Sarti para Santa

Quando se trata de usar uma peça de roupa estampada, às vezes, é melhor optar pelo mais simples para evitar um visual chamativo. Se você tem um estilo definitivamente clássico, escolha apenas uma peça para compor o look, em python, por exemplo. Acho este shapemuito bom para as iniciantes.

Aposte em acessórios

Blusa e calça Betelguese para loja Maria Cláudia, casaco Acervo, cinto Gucci, clutch e sapatos Carmen Steffens, joias Ruth Grieco

Os acessórios também são um bom início quando você quer tentar uma tendência forte, sem ficar over. Combinado com uma roupa básica, coloque um toque de estampa de leopardo, onça ou tigre com uma bolsa de ombro, um lenço ou um cinto. Gosto muito!

Para ousar

Vestido Alice para Loja Maria Cláudia, casaco Mason Saad para calcanhar de aquiles, bolsa YSL, sapato Carmen Steffens e joias Ruth Grieco

É hora de mostrar a tigresa que existe em você! Quer ousar mesmo? Use a estampa num look total. Na coluna desta semana, escolhi um vestido estampado de zebra com o sapato no mesmo shape e ainda um look total onça com calça e blusa. Ah, ia esquecendo do famoso casaco de pele fake, com estampa de leopardo, reminiscência dos anos 1970. Este merece um capítulo só para ele!

A mistura é o jogo

Óculos Bárbara K, blusa Danna, casaco Acervo, saia Topshop, tênis e bolsa Arezzo e joias Ruth Grieco

Para mim, a maneira mais difícil de usar a estampa animal é misturá-la com outras estampas. Mas superfunciona! Não leve muito a sério, brinque e misture mantendo a harmonia: o resultado é simplesmente lindo!

Viu o que eu fiz? Misturei onça com um xadrez P&B e repara no detalhe do tênis e bolsa, bingo! Onça novamente! A saia verde foi um delírio fashion momentâneo. Gostaram?

Clássico é clássico

Blusa e calça Betelguese para loja Maria Cláudia, casaco Acervo, cinto Gucci, clutch e sapatos Carmen Steffens, joias Ruth Grieco

As tendências vêm e vão, e este é o movimento certo da moda. Algumas temporadas chegam mais populares, em outras nem tanto, mas, no geral, são sempre peças que criam a identidade em um closet. São estas peças que chamamos de clássicos da moda.

E neste inverno, em meio a todas as ideias que terão seus cinco minutos de fama, vemos o retorno do casaco com estampa de leopardo e onça. Sua mãe e sua avó provavelmente usaram antes de você e mesmo assim continuou relevante por anos à frente. Se você comprar um exemplar agora, eu aposto que usará por muitos e muitos anos e talvez sua filha também faça isso…

Preciso te contar que há muita coisa ocorrendo no mundo dos casacos peludos depois do recente anúncio da Gucci de que não usaria mais peles de verdade. Outras grandes grifes estão no mesmo caminho. O designer muito comentado no momento, Claire Waight Keller, produziu peles de leopardo na Givenchy e, pasmem, todos eles são falsos!

O que ainda vem por aí

Penas

Calça e blusa Iorane para Strass, bolsa Laci Baruffi, blaser Carmen Steffens joias Ruth Grieco e sapatos Carmen Steffens

Já é outono, vamos começar a usar as tendências de frio agora! As penas foram mostradas de várias formas – algumas extravagantes e algumas mais sutis. Em Marc Jacobs, os vestidos das passarelas estavam cobertos de plumagem de luxo, enquanto Roksanda e Mary Katrantzou davam-lhes um acabamento colorido. Michael Kors trouxe de volta um boá de penas e Saint Laurent desfilou sapatos com o detalhe. Na coluna destaco as penas num blazer lindo da Carmen Steffens, reparou?

Chapéus Balde

Os chapéus de balde dos anos 1990 ressurgiram algumas vezes nas últimas temporadas, porém a nova versão teve uma pegada luxuosa. Tom Ford e Anna Sui mostraram chapéus grandes e largos que receberam o tratamento fofo com peles artificiais. Enquanto isso, Maria Grazia Chiuri, da Gucci, mostrou-os em couro e Valentino em renda.

neo boho

Chega com visual de peças longas, lânguidas e sensuais, saturados em tons quentes de pôr-do-sol e deserto. Dentro desta tendência, você verá joias tipo amuleto, peças de crochê e acessórios de ráfia, numa onda de lembranças coletadas em peregrinações por Ibiza, Joshua Tree ou um Ashram na Índia.

Ainda sobre os comprimentos

Bota Danna, blusa Danna, joias Ruth Grieco e saia Lily Sarti para Santa

Saias e vestidos parecem ter ficado um pouco mais longos para a nova temporada, com muitos designers optando por bainhas no tornozelo, substituindo estilos mini ou maxi. A tendência foi vista em elegantes roupas de noite em Carolina Herrera e Giambattista Valli .

Smoking

Já os ternos são um clássico do closet! A aparência sazonal de Le Smoking, by Saint Laurent, é prova disso. Neste caso, literalmente, com a nova abordagem do novo estilo.

Jaquetas

Chegam com destaque, tons brilhantes, como eles estavam na Chanel e Gucci, ou misturados com tons mais suaves e vestidos em denim, como estavam em Victoria Beckham e Giuliva Heritage Collection.

Catarinense com fama internacional

Vestido Kaele para loja Maria Cláudia, óculos Bárbara k, bolsa e bota Arezzo, parka Abercrombie, joias Ruth Grieco

Ruth Grieco nasceu em Florianópolis e saiu da cidade com 18 anos, mas nunca perdeu as raízes e o vínculo com a terra. Há mais de 40 anos é designer de joias, coleciona vários prêmios internacionais e suas peças já foram capa da revista Dreams francesa, figuraram na Vogue Itália e Vogue Gioiello, foram capa do suplemento “How To Spend It”, do Financial Times, Town and Country americana, entre outras publicações.

Em 2012 o editor francês Didier Brodbeck publicou o primeiro livro sobre a designer – Poetizando a Joalheria, lançado em Paris, Basel, Florianópolis, São Paulo, MG e RS. Desde 1975, Ruth cria e produz joias atemporais, que traduzem em cores a exuberância das gemas brasileiras. Mescla metais nobres, turmalinas, águas marinhas, esmeraldas, tanzanitas, diamantes e pérolas em peças com design singular. “É pretensioso afirmar, mas a grande inspiração vem mesmo da natureza: das folhas, das flores, dos insetos, peixes e todo o universo marinho. Existe uma variedade de pedras que brota deste nosso maravilhoso Brasil tropical, esfuziante de cores e formas”, revela Ruth.

Do Vale do Itajaí

A marca de acessórios em couro e vestidos Laci Baruffi está no mercado da moda catarinense desde 1987. Com fábrica localizada no interior de Santa Catarina, região do Vale do Itajaí, a produção preza o sistema slow fashion realizada pelas mãos de aproximadamente, quarenta artesãos. A label cria e renova-se todos os dias, mantendo-se fiel à sua identidade e refletindo o esmero da designer homônima. Em cada coleção, oito cápsulas por ano, lança bolsas, acessórios, carteiras, pastas, mochilas femininas e masculinas e ainda uma linha batizada de Acessórios Colecionáveis, composta por colares artesanais produzidos na própria fábrica. Recentemente, a designer apostou na linha de vestidos casuais, que chegou para completar o mix de peças: “a proposta é oferecer vestidos versáteis para todos os biotipos e ocasiões, e claro, permitir que a mulher seja facilmente linda”, revela Laci.

Participaram deste editorial:

  • Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
  • Modelo: Day Miranda – Mega Model Sul
  • Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
  • Produção de cena: Larissa Maldaner
  • Beleza: Larissa Maldaner
  • Marcas e lojas participantes: Arezzo, Alice, Abercrombie Betelguese,Bárbara K, Calcanhar de Aquiles, Carmen Steffens, YSL, Danna, Gucci, Iorane, Kaele, Lilly Sarti, Laci Baruffi, Loja Maria Claúdia, Strass, Mason Saad, Ruth Grieco Joias, Topshop

O minimalismo está de volta à moda nesta temporada


Raramente passo por uma loja Max Mara, marca italiana símbolo de elegância e de uma alfaiataria impecável, sem, no mínimo, suspirar. Embora o glamour da alta costura e a excentricidade dos grandes desfiles me deixem deslumbrada, sou adepta da simplicidade e do estilo clássico. Quem diria que na adolescência admirei, e usei, as peças em cores berrantes do estilo new wave!

Fotos Dari Luz, especial

O tempo se encarregou de promover algumas mudanças, que me treinaram para um novo olhar sobre tudo o que é simples e que diz respeito à moda. Talvez seja um senso de organização, algo ligado à idade, ou uma consciência do ponto de vista: menos é mais. Formas estratégicas e elegantes, em tons monocromáticos, de preto ao branco, do nude ao cinza, são meu maior delírio fashion hoje em dia.

“Em plena sintonia com a consciência do momento e o espírito do tempo, a moda experimenta agora uma polarização inédita: maximalismo versus minimalismo. O novo embate se materializa como consequência, na vida real, do excesso de imagens, originais ou forjadas, da estética digital. E dá a medida exata da confusão estabelecida entre ser e parecer”, revelou recentemente Constanza Pascolato, em matéria escrita por ela.

Minimalismo

Sapato Melissa, bolsa de crochê Gianne Becker Handbags, colar Gabriela Faraco e look total cholet para strass acessórios e roupas

Já estou comemorando! O minimalismo está de volta à moda nesta temporada. Prepare-se para abraçar as “coisas simples da vida”. Foi uma tendência bem forte durante os anos 1990, com cores pálidas e alfaiataria andrógina. Algumas marcas de peso estão revisitando a sofisticação que definiu o estilo vindo daquela década, com novos diretores criativos de ponta à sua frente.

Jil Sander, Hugo Boss e Calvin Klein estão entre os mestres da moda minimalista. Jil Sander é uma estilista alemã que se tornou sinônimo deste tipo de design, com sua estética construída em torno da confiança tranquila, de roupas definidas por linhas limpas, formas inteligentes e a versatilidade de alfaiataria solta. E foi dela que busquei referências para produzir as fotos desta coluna.

Ao criar uma silhueta idêntica para homens e mulheres, as marcas procuram enfatizar o impacto das formas neutras em termos de gênero, um tema que o próprio Calvin Klein revisitou ao longo de sua carreira. Outras peças incluem ternos coloridos em tons suaves de azul, laranja e roxo, cortados com um ombro arredondado e quase acolchoado – um estilo visto em várias passarelas nesta temporada.

Sobre misturar e combinar

Sapato: melissa, vestido Regina Salomão para Strass Acessórios e Roupas, camisa AHA e jaqueta em matelassê Tommy para Strass, brincos e aneis Gabriela faraco

Muitos designers internacionais têm se sentido habilidosos para os trabalhos artesanais. No último ano, as passarelas mostraram alguns looks e acessórios com inspiração em colchas modernas, patchworks e, mais visivelmente, o crochê. A vibe parece que começou forte em 2017, quando Jonathan Anderson mostrou sua afinidade com as malhas da avó em seu desfile de moda masculina de outono.

Enquanto isso, Jeremy Scott criou vestidos coloridos para o Resort 2017. Esses designers deixaram claro que o crochê não é só para senhoras idosas e levaram a tendência da passarela para as ruas. O material é inusitado e extremamente experimental. É exatamente isso que os fashionistas amam! Combine uma peça de crochê com uma jaqueta de couro, ou um top de tricô.

De Floripa

Amo peças artesanais, principalmente quando são feitas por gente da terra. As duas bolsas de crochê desta coluna foram confeccionadas pela Gianne, da marca Gianne Becker Handbags. Há um ano no mercado, a designer faz os modelos sob encomenda, mas sempre tem algumas bolsas e clutchs prontas para a venda.

Gianne realiza trabalhos manuais desde os 13 anos e, em 2017, pegou carona na tendência do crochê moderno, viu uma bolsa do material e gostou. Incentivada pela irmã Gizelle, começou a vender:

– Minhas bolsas são feitas com fio de malha, um material que sobra da indústria têxtil. São ‘restinhos’ das roupas, então sempre têm as cores da estação e os materiais da moda e da hora – revela.

Futurismo

Sapato: melissa, vestido Natália Dias, bolsa Gianne Becker Handbags e brincos Gabriela Faraco

Inspirada em Asgardia, um projeto futurista de sociedade espacial pautada na igualdade e na pluralidade, a coleção MERGE, de Natália Dias – que se formou recentemente pelo curso de moda da Udesc. A coleção reflete sobre a união de realidades distintas que encontram num propósito comum o seu ponto de confluência: o anseio por uma vivência harmônica e pacífica.

Em uma atmosfera dual, shapes minimalistas se fundem à riqueza dos detalhes em formatos orgânicos. O fluido se alia ao estruturado e a transparência da organza de seda contrapõe os tecidos opacos como o neoprene, buscando nas divergências um conjunto consonante.

Sobre Asgardia, Natália explica que se trata de um grupo de cientistas e pessoas do ramo espacial que criou uma nação espacial, mas ainda estão em busca de reconhecimento da ONU. O que dificulta o reconhecimento é que eles não têm um território de fato, mas lançaram um satélite no espaço para garantir que, de alguma forma, algo de Asgardia já esteja por lá.

Matelassê

Brincos Gabriela faraco, casaco Moncler, camisa AHa, bolsa Gianne Becker Handbags, boné Gucci e calça Maria Filó

A palavra matelassê vem do conceito de origem francesa “matelasser“, que quer dizer “acolchoar”. A técnica foi criada por Robert Elsden, homenageado em 1745, pela Sociedade das Artes Manufaturas e Comércio por sua inovação. Acredita-se que Elsden tentou copiar o estilo de colchas artesanais encontradas no sul da França, cuja produção era feita à mão com quatro conjuntos de fios em teares.

Já Coco Chanel fez sua versão em 1955. Se tem como registro que foi inspirada nas roupas dos jóqueis. Christian Dior, em 1947, já tinha desenvolvido o seu shape clássico, tipo Cannage, inspirado numa cadeira usada no seu primeiro desfile, na loja da Avenue de Montaigne, em Paris.

Em 1992 Miucha Prada lançou a Miu Miu, grife mais jovem e acessível, “filha” da já existente Prada. O matelassê criado por Miucha foi o grande hit da vez, com formato criativo e inovador. Daí por diante a textura aparece direto nas coleções e em looks totais ou detalhes.

Já as bolsas…

Bolsa celine, camisa AHA, vestido Animale para Strass e colar Gabriela faraco

A tendência é exagerar com modelos sempre maiores e volumosos que o normal e que caracterizam sozinhos o seu visual. As maxi-bags são muito próximos das bolsas de viagem, em termos de conceitos e dimensões, e são consideradas verdadeiros acessórios fashion da vida cotidiana. Ideais se você é uma daquelas mulheres que quer levar tudo, mas tudo mesmo, dentro delas, ou se você gosta de se destacar na multidão.

Das dobradas da passarela de Phillip Lim, carregadas na mão rente ao quadril, às da Proenza Schouler, há versões floridas na Self-Portrait, de couro na Tibi e de referência náutica na Monse. Tudo para agradar às meninas que já estão convencidas de guardar por um tempo as suas minibolsas!1 of 4  

Participaram deste editorial

  • Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
  • Modelo: Amanda Pickler/DN Models
  • Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
  • Produção de cena: Larissa Maldaner
  • Beleza: Larissa Maldaner
  • Agradecimento especial: Mercado Sehat – Jerônimo Coelho 308, centro e Fillippe de Simas
  • Marcas e lojas participantes: AHA, Animale, Celine, Cholet, Gabriela Faraco, Gianne Becker Handbags, Gucci, Maria Filó, Melissa, Moncler, Natália Dias, Strass Acessórios e Roupas, Regina Salomão, Tommy
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Básicas e versáteis: camisas brancas vão dos looks mais simples aos mais sofisticados

Você pode usá-la com diamantes ou com nada – cabe a você. Isso significa que as tendências podem ir e vir, mas nada vai bater uma camisa branca. Camisas combinam com sobreposições ou looks mais sofisticados. Coco Chanel pode ter popularizado o Little Black Dress, mas Carolina Herrera difundiu seu próprio estilo através das camisas brancas.

Por Lise Crippa

Brincos e colar Nakana Biojoias, saia Closet Camila Fraga, camisa Jacque Lodetti e joias Bárbara K (Fotos: Dari Luz/Divulgação)

Carolina Herrera e as camisas brancas

Joias Bárbara K, colar Nakana Biojoias, saia Fernè, carteira A Clutch e chemise Atelier Jacque Lodetti

A designer criou o item clássico já em sua primeira coleção, em 1981. A parte superior pode ser combinada com jeans, saias mais produzidas e blazers: “elas me fazem sentir segura”, explicou Herrera. “Quando não sei o que vestir, escolho uma camisa branca.” Bingo!

Você pode usá-la com diamantes ou com nada – cabe a você. Isso significa que as tendências podem ir e vir, mas nada vai bater uma camisa branca. A filha de Herrera, também chamada Carolina, comentou que a chave por trás da intemporalidade da camisa é sua versatilidade: “o que você quer que seja, a camisa branca se torna”.

Aquela peça básica

O Studio Jacque Lodetti, de Criciúma, nasceu da vontade da busca da independência de códigos e tendências para recriar o closet feminino de forma atemporal e versátil: “acreditamos na força da camisa branca como plataforma de múltiplas combinações e expressão de singularidade”, me confessa a designer homônima à marca.

Usando algodão e seda, por sua durabilidade e qualidade, o Studio traz interpretações da camisa branca com coleções cápsula cuidadosamente produzidas por mão de obra local,
seguindo o conceito slow fashion.

Jacque se desenvolveu como estilista em ateliê de alta costura e na indústria jeanswear, complementando sua experiência no Instituto Marangoni, em Milão. Com 30 anos de trajetória como designer de produto, percebendo a necessidade de buscar um novo significado entendendo a moda como expressão da própria vida, mergulhou no seu universo interno para repensar valores e resgatar outros que realmente fizessem sentido para o momento atual.

Tranças da Terra

Saia Closet Camila Fraga, bolsa Tranças da Terra, camisa Atelier Jacque Lodetti e joias Bárbara K

O artesanato feito em palha de trigo é a marca registrada da região montanhosa situada em Joaçaba, no Meio-Oeste de Santa Catarina. A técnica dessa produção foi resgatada pelo projeto Tranças da Terra, nascido da necessidade de encontrar uma atividade que identificasse a região e gerasse renda para as comunidades rurais. Lançado em 2005, o projeto alcançou resultados esperados em termos econômicos, sociais e ambientais. Atualmente, são 22 artesãos e 11 produtores de trigo envolvendo mais de 50 pessoas que, de forma associativa e em rede, mantêm a essência do desenvolvimento, levando em conta a sustentabilidade social, econômica, ecológica, territorial, cultural e os princípios do comércio justo.

O projeto proporcionou capacitação em gestão administrativa, financeira, mercado e consultoria em design de produto, em que foram desenvolvidos mais de 30 produtos que estão à venda no site Tranças da Terra. São chapéus, sportas (sacolas), sousplat, capitéis, porta-vela, trilho de mesa, jogos americanos, bolsas, cesta para pães, luminárias, cestas de flores, revisteiro, flores para arranjo, colares, adorno de bolsa, prendedor de cabelo, entre outros itens.

Politicamente correta

A Nakana Biojoias – o nome significa no dialeto havaiano “Prenda de Deus” – tem peças criadas pela designer e artesã Elaine Almeida. Todas feitas à mão, com sustentabilidade, mesclando cordas ecológicas extraídas das garrafas pets, revestidas com fios de seda e algodão, tingidos organicamente com café, cebola e outros produtos. Muitas peças também são feitas de conchas, búzios, pedras naturais, madeira, açaí, palhas e fios de buriti.

Algumas banhadas em metal, ouro e rodium, que vem com um antialérgico especial, o que dá garantia e durabilidade. Nascida em São Paulo e criada no interior, numa região rica e com vocação à arte, foi com o pai, um ourives especialista em confeccionar bijuterias finas e semijoias, e com a mãe, que tinha o dom da costura, da pintura, tricô e crochê, que Elaine se motivou a confeccionar suas próprias peças. Em 2014, mudou-se para Florianópolis com o marido e incentivador Robson, e começou a trabalhar como artesã.

No entanto eles se viram em meio a um dilema: no local onde foram morar, conhecido pela “ desova” de animais velhos, abatidos por maus tratos e filhotes indesejados, a designer e o marido começaram a acolher os bichinhos, alguns cães e gatos. Dedicados à causa, todo o lucro arrecadado com a venda das bijuterias é revertido para comprar comida, pagar veterinário e manter 42 animais.

Em camadas

Joias Bárbara k, cinto Chanel, saia e corset Fernè e camisa Atelier
Jacque Lodetti

As sobreposições estarão muito em evidência no próximo inverno. Assim que comecei a cruzar com a tendência, quando ainda estava na minha temporada na Itália, logo associei à marca Balenciaga, com seus looks em camadas sem igual e inconfundíveis. Na verdade, dois dos principais nomes das semanas de moda, Balenciaga e Chanel levaram essa ideia da sobreposição ao extremo nas passarelas de outono-inverno 2018-2019, o que acabou inspirando o inverno 2019 aqui pelo Brasil.

O legal é saber brincar com os comprimentos e as cores, garimpando peças nas quais os tons possam conversar entre si. Para a diretora-criativa da Fernè, marca catarinense de roupas em couro e pelica, Tatiana Greuel, “a regra para as camadas é meio que não ter regra. Porém ter uma cor, um material, algo na proporção, sempre facilita”.
Outra ideia legal é apostar em peças monocromáticas e eu particularmente amo este shape. A combinação de texturas também fica bacana. Neste editorial todas as peças sobrepostas combinam com couro + renda + tricoline ou couro + tricoline das camisas.

Icônicos

Joias Bárbara K, corset Fernè, saia Iorane, camisa Atelier Jacque Lodetti e carteira A Clutch

A peça responsável por dar postura, afinar e alongar a silhueta feminina já foi batizada de diferentes nomes, desde os primórdios, de acordo com a região e com a época. O corset, ou espartilho, também já foi chamado de payre of bodies, corps ou vasquina. Exatamente onde e quando surgiram eu não achei nenhuma referência, mas parece que os gregos já usavam uma peça muito similar.

Recentemente, a diretora-artística da Dior, Maria Grazia Chiuri, trouxe todos os seus sentimentos nascentes para o feminismo em um poderoso e significativo show da Dior Cruise destacando duas peças: corset e saia. O foco da coleção foram as mulheres mexicanas montadas em cavalos. A estilista revelou, por meio das roupas, que as mulheres podem fazer as coisas que quiserem: “as formas são realmente Dior – bonitas e leves – mas ao mesmo tempo também são fortes”. Apareceram cinturas marcadas em cintos largos e os corsets para contrastar com a agitação de babados nas saias, além de algumas camisas.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Ariella Pretto – Ford Models SC
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Locação: Igreja de Nossa Senhora das Necessidades (Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis)
Marcas e lojas participantes: A Clutch, Atelier Jacque Lodetti, Bárbara K, Closet Camila Fraga, Chanel, Fernè, Iorane, Nakana Biojoias, Tranças da Terra

Minha coluna Revista Versar: navy: o estilo que navega de geração em geração


O estilo náutico na moda é atemporal e praticamente qualquer pessoa, de qualquer idade, pode incorporar a aparência em seu dia a dia. São peças icônicas, que incluem casacos e blazers bem estruturados, blusas de malha com gola alta, sapatos e cintos de corda trançados, calças boca de sino, além das pulseiras com elos e as icônicas blusas listradas. A combinação branco com azul marinho, com toques de vermelho, é a mais comum. Não importa de que maneira você vai adotá-lo, mas pode ter certeza: é garantia de sucesso em qualquer estação!

Pulseiras acervo, blazer Ammis, body Água de Coco para lojas Mariella, brincos Lize Acessórios e sandálias Antônia Handbags (Fotos: Dari Luiz/Divulgação)

Da marinha para a moda

O clássico uniforme azul marinho e branco listrado que conhecemos são originários da região costeira francesa da Bretanha. O traje dos oficiais da marinha francesa carrega 21 faixas horizontais, uma para cada uma das vitórias de Napoleão. O vestuário nasceu da funcionalidade: o decote reto permitia que os marinheiros se vestissem rapidamente para atender qualquer imprevisto à bordo.


Brincos Lize Acessórios, pulseiras de elos acervo, pulseira branca Hermès e vestido Skazi para Tida

Origem com Chanel

Quando Coco Chanel abriu sua primeira loja de roupas em 1913, na estância balnear de Deauville, na Normandia, introduziu na coleção várias peças vindas do figurino dos pescadores normandos, completamente reinventadas e adaptadas para a moda e para as mulheres.

Graças a sua irmã Antoinette e a tia Adrienne, que usaram os modelos pela cidade, a elegante inspiração náutica de Chanel tornou-se bastante atraente para moças bem vestidas, tanto dentro quanto fora da praia. Poucos anos depois, os modelos estavam nas páginas das Vogue britânica e americana.

 Macacão Skazi para Tida, colar acervo

Outra referência que Chanel reinventou foram os trajes dos marinheiros franceses. Desta vez, ela criou uma coleção com tema náutico, lá por 1917. Chanel favoreceu silhuetas masculinas para dar poder à sua clientela e foi fotografada ostentando uma blusa listrada, batizada de camiseta bretão, e um par de calças com pernas largas que chamou a atenção das mulheres da época. A alta sociedade logo se convenceu que a estilista estava no caminho certo. O shape rende ótimos looks até hoje.

Reinventado em várias épocas

Seja no vestido marinheiro criado por Mary Quant em 1967 ou por Yohji Yamamoto, que lançou uma versão do estilo exagerado para a primavera / verão de 2007, o visual foi visto várias e várias vezes na moda e até na decoração. Alguns designers captaram mais notavelmente o espírito da Marinha, como Vivienne Westwood, cujo pirata inspirou a coleção “World’s End”, em 1981, e John Paul Gaultier, que em muitas de suas coleções mostrou o fascínio pelo personagem infantil Popeye. Lembrando ainda que Ralph Lauren, cuja marca é um clássico chique americano, apoia fortemente a estética náutica.

Houve tantas reencarnações do estilo desde que as blusas listradas de Chanel se tornaram populares no início do século 20 que seria quase impossível mensurar aqui. Que seja eterno, então, pois eu amo muito!


Cinto Chanel, argolas e pulseira Lize Acessórios, chapéu Vero, vestido Cheroy para lojas Mariella

Nos primórdios

Acreditem: os créditos do estilo náutico, segundo a história, vão para a rainha Vitória. Ela foi a primeira dama a experimentar, em um dos filhos, o estilo navy: em 1846, vestiu Albert Edward, Príncipe de Gales, de quatro anos de idade, em um terno de marinheiro para usar a bordo do Royal Yacht. Quando o menino apareceu diante do público, oficiais e marinheiros que estavam reunidos no convés para vê-lo o aplaudiram. O príncipe William usou uma cópia exata no casamento do príncipe André e da duquesa de York em 1986. 

Bolsa e sapatos Carmen Steffens, macacão Hit Closet

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda:
Lise Crippa
Modelo: Lara Meneghel – Ford 
Models SC
Fotos e tratamento de fotos: 
Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Ajudante de produção: Luisa Lobato
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimento especial: Evandro e Graciele Parente e ao marinheiro Willian Pinheiro
Marcas e lojas participantes: Água de Coco, Ammis, Cheroy, Antonia Handbags, Carmen Steffens, Chanel, Hit Closet, Hermès, Lojas Mariella, Lize Acessórios, Mariana Pelegrini, Renata Ouro, Skazi, Tida, Vero ChapéuL

Eu entrevistei: filha de catarinense, jornalista italiana Paola Jacobbi fala da convivência com grandes nomes da arte, cinema e moda

Quando entrei no restaurante Ceresio 7, em Milão, me chamou a atenção o burburinho em torno de Cindy Crawford, uma das primeiras tops mundiais a ser denominada “übermodel“. Ela recém tinha batido um papo amistoso com a minha entrevistada de hoje, Paola Jacobbi. Com amigos em comum, logo estávamos sentados juntos, menos a modelo, que estava a algumas mesas de nós.

Eu e Paola em Milão, ano passado

Paola e eu identificamos imediatamente muitas afinidades. Italiana, com mãe brasileira — ela é filha de Daisy Benvenutti —, Paola é jornalista e tem uma forte ligação com Santa Catarina — ela é prima do saudoso colunista Moacir Benvenutti (que chegou a morar em Milão com a família de Paola), e a mãe nasceu em Jaraguá do Sul.

Desde aquela noite de novembro, no auge da semana de moda, nós mantivemos conversas frequentes. Neste começo de ano, como faz anualmente, Paola e o marido Gianmaria vieram a Santa Catarina para rever os parentes. Em meio às férias, batemos um papo sobre moda, personalidades, carreira. Com a modéstia habitual àqueles que não precisam se autopromover, a jornalista, que atua na Vanity Fair italiana, fala com naturalidade sobre sua convivência com os grandes nomes da arte, cultura e moda mundial.

Por Lise Crippa -26 de Janeiro de 2019

Paola Jacobbi
Paola Jacobbi (Foto: Diorgenes Pandini)

No currículo

Paola é editora sênior da Vanity Fair italiana, revista americana que aborda cultura pop, moda e política pelo mundo, inclusive com edição aqui no Brasil. Tem formação em Ciências Politicas em Milão. Iniciou no jornalismo com 18 anos, quando fez estágio na Bloch Editora, no Brasil. Um ano, depois trabalhou na redação de Paris da mesma revista. Em 1984, já estava contratada numa publicação italiana de moda, música e cultura para jovens meninas. Em 1995, escrevia para a Panorama, uma espécie de Veja italiana. Em 2003, entrou na Vanity logo que a revista se estabeleceu na Itália. Atualmente, ainda escreve para a Vogue russa, na editoria de moda, e já colaborou para a Vanity Fair Espanha.

Ligações com o Brasil, SC e Florianópolis

“Minha mãe, Daisy, é brasileira, nascida em Jaraguá do Sul. Formou-se em Ciências Econômicas em Curitiba. Foi a primeira mulher formada na Federal do Paraná, por isso ganhou um prêmio em 2016. A história dela é muito mais interessante do que a minha. Enfim, ela foi ser atriz de rádio e teatro em São Paulo, onde conheceu meu pai, escritor, crítico, diretor de teatro italiano, que morou muitos anos no Brasil. Quando ela estava grávida de mim, de cinco meses, resolveram voltar à Itália. Na época eles moravam em Porto Alegre. Então eu fui concebida em Porto Alegre e nasci em Roma, onde residiam meus avós paternos. Quando eu tinha três ou quatro anos, mudamos para Milão”.

A mãe inspirou-a também a seguir a carreira na área de comunicação. Na Itália, Daisy trabalhou na Revista Manchete como correspondente e também foi diretora de redação da Revista Desfile Itália, em que tinha uma coluna abordando moda e sociedade em Milão.

Infância e adolescência

“Eu sempre vivi na Itália. Passei algumas férias em SC, visitando a família, principalmente meu primo Moacir Benvenutti, colunista social do Diário Catarinense, que foi para mim um grande amigo. Sempre representou a alma de Floripa e de Santa Catarina. Me faz falta todo dia”.

Entrevistas com celebridades mundiais

“Já entrevistei grandes nomes do cenário mundial desde minha estreia na carreira. Desde os escritores Jorge Amado, há muitos anos, no Rio, quando eu ainda era uma garota, Isabel Allende, Mario Vargas Llosa, a astros como George Clooney, Sharon Stone, Richard Gere, Angelina Jolie, Brad Pitt, Clint Eastwood, Madonna, Lady Gaga, Scarlet Johansson, Dakota Johnson, Eva Green, Rachel Weisz, Alfonso Cuarón, Nacho Figueiras, Edgar Ramirez, Rodrigo Santoro. Além de Leonardo DiCaprio, Kitty Spencer (sobrinha de Lady D), Julia Roberts, Jodie Foster, Martin Scorsese, Sofia Coppola. Mas também entrevistei muitas personalidades da moda, como Giorgio Armani, Donatella Versace, Alber Elbaz, Ottavio Missoni, Gisele Bündchen. Fiz a primeira entrevista com Lea T, conversei com o jogador Alexandre Pato quando ele namorava com a filha de Silvio Berlusconi. Falei com todos os 007 (Sean Connery, Roger Moore, Georges Lazenby, Pierce Brosnan e Daniel Craig) muitos outros atores, inclusive a rainha das blogueiras Chiara Ferragni“.

Blogueiras e o jornalismo

“Elas tomaram lugar das páginas de anúncios que eram fonte de dinheiro para as editoras. Uma blogueira não pode ser jornalista porque é simplesmente uma garota propaganda 2.0, é comércio, não é jornalismo. Nada de mal, mas são temas, e business, muito diferentes”.

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Mercado editorial e redes sociais

“A situação das editoras é muito crítica no mundo inteiro. O mercado editorial italiano é como todos os outros, alguns títulos funcionam, outros menos, mas ninguém cresce. Não tem novos projetos, o dinheiro é sempre menor. Sou muito interessada nas redes sociais, mas acho que precisam evoluir. Não basta uma pose narcisista para substituir uma revista de moda, não basta uma frase bacana para substituir a crítica de um filme ou um argumento político. Redes sociais são um atalho para preguiçosos, seja para quem escreve, seja para quem lê, mas podem ser uma plataforma para um ótimo jornalismo também. Depende muito dos editores que, por enquanto, não tiveram grande visão sobre o futuro. Como é possível que os discos acabaram, mas a música continua sendo um business? Que as livrarias fechem, mas os livros se vendem na Amazon? Que os cinemas fechem, mas os filmes vivem e prosperam na Netflix? Cadê a Netflix das revistas? (Existe, é a Texture nos EUA, mas ninguém acreditou bastante na ideia, pelo menos até hoje). A crise é mundial. A questão é qual será o futuro, se ninguém fizer nada? O futuro serão as revistas em forma de aplicativos, o problema é que tem muita informação de baixo nível e gratuita. Eu quero um conteúdo bom e quero pagar por este conteúdo. Eu quero ler uma publicação com algo interessante. A Netflix está produzindo filmes como Roma que, se não fosse a plataforma, menos pessoas teriam visto”.

David Bowie e visões sobre o futuro

“Falei com ele em 1995. Começamos abordando sobre os anos 2000 e lembro que gostei muito daquela entrevista, porque ele me comentou que já havia se programado para passar o final de 1999, 2000 na Nova Zelândia, pois lá o ano começava antes. Ele estava com pressa e estava muito interessado nas tecnologias. A internet estava começando e ele já estava super interessado. Bowie tinha uma visão muito científica das coisas, tinha uma visão futurista e de como a vida iria mudar. A matéria era sobre como seria o próximo milênio. Uma parte era com ele e a outra com a cineasta Kathryn Bigilow, que logo depois se tornaria a primeira mulher a ganhar um Oscar de melhor direção por The Hurt Locker, em 2010″.

Peculiaridades de celebridades

“Nunca vou esquecer de um dia em Lisboa com Marcello Mastroianni; uma tarde na casa de Kevin Costner em Los Angeles; um almoço com Sharon Stone em Bora Bora; um dia fotografando a Isabel Allende na casa dela em São Francisco (Califórnia); uma viagem de avião de Atlanta para Nova York com Janet Jackson. Mas talvez a minha preferida em absoluto seja a Olivia De Havilland, única sobrevivente do elenco de E o Vento Levou…, que entrevistei na casa dela em Paris, em 2009″.

Paola e Isabel Allende

Universo da moda

“Adoro moda. O mais divertido, irônico, inteligente de todos os entrevistados foi Giancarlo Giammetti, sócio de Valentino. Uma vida de glamour, um humor bem “sharp” [ácido]. Foram as flores mais chiques que recebi no dia seguinte a uma entrevista”.

Incursões literárias

“Eu escrevi um romance e três outros livros sobre moda. O livro sobre sapatos foi ideia de uma amiga que trabalhava na editora de livros e que sempre dizia que gostaria que eu escrevesse um livro para ela. A gente começou a se encontrar numa cafeteira em Milão, às quintas-feiras de manhã, ao lado de uma feirinha famosa na cidade porque tem uma banca que vende sapatos de marca da temporada passada: Prada, Tods, Versace, Dolce e Gabbana….E ali, na frente da banca, tivemos a ideia de um livro sobre sapatos. O livro foi um sucesso (era o momento de ouro da Sex & the City, sapatos e mulheres eram assunto do dia) foi traduzido em várias línguas (inclusive no Brasil). Aí resolvi fazer uma trilogia das obsessões femininas: sapatos, bolsas, joias. Já o romance é uma sátira social sobre o mundo das celebridades e do charity. Se passa num país de terceiro mundo, Centro-América, país que não existe, ninguém conhece. Fala de um local que tem um terremoto e lá tem uma celebridade e o local torna-se famoso e ganha a atenção da mídia e do mundo por causa do terremoto. Eu me inspirei um pouco no que aconteceu em 2004, quando ocorreu um tsunami no Sul da Ásia. Se não tivessem ocidentais, ninguém estava nem aí. A modelo checa Petra Nemcova ficou famosa porque sobreviveu a este tsunami. No futuro, gostaria de escrever algo sobre Brasil e Itália, ainda não sei como!”

Referências do Brasil aos italianos em moda e entretenimento

“Os italianos veem os brasileiros como um povo alegre. Sol, futebol, Carnaval, o rótulo clássico. Só quem viaja e conhece, entende e aprecia a complexidade antropológica e cultural do Brasil. As referências em moda são poucas, ficam mais no campo de nomes de algumas top models. Entre os que trabalham na moda, Osklen é uma marca conhecida e as Havaianas são veneradas. O Brasil é muito clichê e as informações de moda, cinema e entretenimento chegam pouco para nós na Itália. Gisele Bünchen é muito famosa, mas quase mais americana que brasileira. Apareceu nos jogos olímpicos, todo mundo sabe que é brasileira, mas é a única celebridade da atualidade na área da moda que a Itália conhece. Sonia Braga é lembrada quando se fala em cinema brasileiro, assim como Sophia Loren no cinema italiano”.

Sobre cinema brasileiro

“Eu vi dois filmes brasileiros ótimos! (ela recorre ao marido Gianmaria, para ajudá-la a lembrar os nomes — Que Horas Ela Volta e Casagrande). Aquarius também foi um grande filme. Entrevistei a Sonia Braga. Já sobre Que horas Ela Volta, não consegui emplacar uma entrevista. Infelizmente, ninguém conhecia a Regina Casé. E um viva à Netflix! Pois eu não teria visto a série O Mecanismo, sobre a Lava-Jato.

Expectativa quanto às celebridades

“Acontece decepção, acontece surpresa. Você encontra a celebridade em épocas diferentes. Você encontra numa época e depois em outra, dependendo do momento da vida deles. Com o Kevin Costner, por exemplo, entrevistei ele no começo da carreira e num momento que ele era muito famoso, num momento de quase arrogância. Depois entrevistei num momento que ele estava em grande crise e depois foi mais na idade atual, mais tranquilo. Depende do momento, do que estão promovendo. É claro que se trata da promoção de um filme que estão muito apaixonados, que deram o máximo, um filme que pode ganhar prêmios, eles são mais generosos, mas tem alguns que nunca são generosos… Os melhores entrevistados são os mais velhos, porque têm muita história para contar e não precisam mais provar nada para ninguém”.

Favoritos para o Oscar

Aposto em Nasce uma Estrela, Bohemian Rhapsody, Green Book. Eu apostaria no Green Book, mas o filme está tendo muita polêmica em torno dele, mas depende muito como de como a equipe que produziu o filme vai conduzir a narrativa. Tecnicamente, Green Book, se souber jogar bem as suas cartas, será como o The Millionaire. O ano que o filme ganhou ninguém esperava. O Vigo Mortensen, um dos protagonistas de Green Book, me contou que da outra vez que ele foi indicado ao Oscar, não fez muita campanha e o pessoal reclamou para ele”.

Morar no Brasil

“Gostaria muito de morar no Brasil! Um país jovem, com grande energia e potencial enorme, um país onde se fala uma língua maravilhosa, que tem uma tradição cultural própria, única. Quantas coisas podem ainda ser feitas no Brasil! Gosto muito de Florianópolis, gostaria de passar muito mais tempo aqui. A cidade tem um potencial enorme! Outro dia, num sábado, com tempo nublado, queríamos ver um filme japonês que ganhou Cannes e fomos ao Paradigma e o cinema estava cheio, 11h da manhã! Se você faz as coisas, tem público. Eu passo pelas livrarias dos shoppings e estão vazias, mas porque não têm eventos. Convidem pessoas para falar de um livro, tocar uma música, uma palestra. Uma das coisas que falta mais aqui em Florianópolis é política cultural. Mas eu amo cada árvore aqui na Capital!”