Toque do cirurgião plástico sobre redução das mamas: cicatrizes, quelóides e recuperação

Parece que ultimamente, só ouvimos falar em aumento das mamas, né? Mas a redução é, ainda, uma das mais comuns dentre as cirurgias estéticas. Além de ser indicada para melhorar  a aparência do corpo, também ajuda como recurso complementar no tratamento profilático de certas doenças e como prevenção de problemas causados por mamas muito grandes. O cirurgião plástico Paulo Mendes, que atua em Florianópolis, é considerado um dos profissionais com maior casuística e experiência cirúrgica de Santa Catarina e hoje irá exclarecer as dúvidas sobre as cicatrizes desta cirurgia, dos resultados e sobre o procedimento em si. Vamos às questões? Imagens: Reprodução e Marcos Medeiros

Atriz Fernanda Souza reduziu as mamas
Regina Casé também optou pela redução
Cirurgião plástico Paulo Roberto Mendes – Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e atual presidente da SBCP – SC

 

 

 

1. A CIRURGIA DE REDUÇÃO DAS MAMAS DEIXA CICATRIZES?

Felizmente, esta cirurgia permite-nos colocar as cicatrizes bastante disfarçadas, o que é muito conveniente nos primeiros meses. Para melhor esclarecê-la sobre a evolução cicatricial, vamos relatar os diversos períodos pelos quais as cicatrizes infalivelmente passarão:

a) PERÍODO IMEDIATO: Vai até o 30º dia e apresenta-se com aspecto pouco visível. Alguns casos apresentam uma discreta reação aos pontos ou ao curativo;

b) PERÍODO MEDIATO: Vai do 30º dia até o 12º mês. Neste período há o espessamento natural da cicatriz, bem como se inicia uma mudança de cor passando para mais escuro (do vermelho para o marrom) que vai, aos poucos, clareando. Este período, o menos favorável da evolução cicatricial, é o que mais preocupa as pacientes. Como não podemos apressar o processo natural da cicatrização, recomendamos às pacientes que não se preocupem, pois o período tardio se encarregará de diminuir os vestígios cicatriciais;

c) PERÍODO TARDIO: Vai do 12º ao 18º mês. Neste período, a cicatriz começa a tornar-se mais clara e menos consistente, atingindo, assim, o seu aspecto definitivo. Qualquer avaliação do resultado definitivo da cirurgia, no tocante à cicatriz, deverá ser feita após este período.

2. ONDE SE LOCALIZAM AS CICATRIZES?

Geralmente as cicatrizes são em formato de “T” invertido ou âncora e cabem dentro do sutiã. Desde os primeiros dias pós-operatórios poderá ser usado um “decote bastante generoso”, pois as cicatrizes ficam bastante disfarçadas. Com o decorrer do tempo (vide item anterior), as cicatrizes vão ficando menos visíveis.

3. OUVI DIZER QUE ALGUMAS PACIENTES FICAM COM CICATRIZES MUITO VISÍVEIS.

Certas pacientes apresentam tendência à cicatrização hipertrófica ou ao quelóide. Essa tendência, entretanto, poderá ser avaliada, até certo ponto, durante a consulta inicial, quando lhe são feitas uma série de perguntas sobre sua vida clínica pregressa, bem como a análise das características familiares, que muito nos ajudam quanto ao prognóstico das cicatrizes. Geralmente, pessoas de pele clara não tendem a esta complicação cicatricial. Pessoas de pele morena têm maior predisposição ao quelóide ou à cicatriz hipertrófica. Isto, entretanto, não é uma regra absoluta. A análise dos antecedentes, como já o dissemos, nos facilitará o prognóstico cicatricial, assim como a análise de eventuais cicatrizes prévias.

4. EXISTE CORREÇÃO PARA AS CICATRIZES HIPERTRÓFICAS E QUELÓIDES?

Vários recursos clínicos e cirúrgicos nos permitem melhorar cicatrizes inestéticas na época adequada. Não se deve confundir, entretanto, com a evolução natural do período mediato da cicatrização. Qualquer dúvida a respeito da sua evolução cicatricial deverá ser esclarecida com o seu cirurgião, que fará a avaliação do estado em que se encontra a cicatriz. 

5-COMO FICARÃO MINHAS NOVAS MAMAS, EM RELAÇÃO AO TAMANHO E CONSISTÊNCIA?

As mamas terão seu volume diminuído através da cirurgia, melhorando sua consistência e forma com a intervenção cirúrgica. Deverá existir uma harmonia entre o volume das mamas e o tamanho do tórax, característica esta que deve ser preservada no planejamento da cirurgia. Deverão ser mantidas as proporções entre o volume da nova mama e o tamanho do tórax de cada paciente, a fim de se obter uma maior harmonia estética. A mama, assim operada, passará por vários períodos evolutivos:

a) PERÍODO IMEDIATO: Vai até o 30º dia. Neste Período, apesar de as mamas se apresentarem com aspecto bastante melhorado, sua forma e volume ainda estarão aquém do resultado planejado. Lembre-se desta observação: “NENHUMA MAMA SERÁ “PERFEITA” NO PÓS-OPERATÓRIO IMEDIATO”;

b) PERÍODO MEDIATO: Vai do 30º dia até o terceiro mês – Neste período, a mama começa a apresentar uma evolução que tende à forma definitiva. É característico deste período um maior ou menor grau de “inchaço” das mamas. Além disso, o aspecto cicatricial encontra-se em plena fase de transição (ver item 1º). Apesar da euforia da maioria das pacientes, já neste período, costumamos dizer às mesmas que seu resultado ficará melhor ainda, pois isto será a característica do período tardio;

c) PERÍODO TARDIO: Vai do terceiro até o 18º mês. É o período em que a mama atinge seu aspecto definitivo (cicatriz, forma, consistência, volume, sensibilidade, etc.) É neste período que costumamos fotografar os casos operados, a fim de compará-los com o aspecto pré-operatório de cada paciente. Tem grande importância no resultado final o grau de elasticidade da pele das mamas. O equilíbrio entre ambos varia de caso para caso. Vai do terceiro até o 18º mês.

6. EM QUANTO TEMPO ATINGIREI O RESULTADO DEFINITIVO?

Apesar de o resultado imediato ser muito bom, somente na fase mencionada como “período tardio” (vide item anterior) é que as mamas atingirão sua forma definitiva.

7. QUAL O TIPO DE MAIÔ DE BANHO QUE PODEREI USAR APÓS A CIRURGIA?

No período imediato, mediato ou tardio, qualquer tipo de maiô, de uma ou duas peças, desde que a peça superior não fique muito justa. É claro que, após o amadurecimento das cicatrizes, os maiôs poderão ser mais “generosos” ao seu critério.

8. NO CASO DE NOVA GRAVIDEZ, O RESULTADO PERMANECERÁ OU FICARÁ PREJUDICADO?

O seu ginecologista lhe dirá da conveniência ou não de nova gravidez. Quanto ao resultado, poderá ser preservado, desde que aquele especialista controle seu aumento de peso na nova gestação.

9. O PÓS-OPERATÓRIO DESTA CIRÚRGICA É DOLOROSO?

Geralmente NÃO. Este pós-operatório é bastante confortável, desde que você obedeça às instruções médicas, principalmente no que tange à movimentação dos braços nos primeiros dias. Eventualmente poderá ocorrer manifestação dolorosa, que facilmente cederá com os analgésicos receitados pelo seu médico. Evite a automedicação.

10. HÁ PERIGO NESTA OPERAÇÃO?

Raramente a cirurgia plástica das mamas determina sérias complicações. Isto se deve ao fato de se preparar convenientemente cada paciente, além de ponderarmos sobre as possíveis eventuais complicações.

11. QUAL O TIPO DA ANESTESIA UTILIZADA?

Anestesia local com sedação, peridural ou geral dependendo do caso.

12. QUANTO TEMPO DURA O ATO CIRÚRGICO?

Em média de 90 minutos até duas horas e meia, se necessário for. Entretanto, o tempo de ato cirúrgico não deve ser confundido com o tempo de permanência do paciente no ambiente de Centro Cirúrgico, pois esta permanência envolve também o período de preparação anestésica e recuperação pós-operatória. Seu médico poderá lhe informar quanto ao tempo total.

13. QUAL O PERÍODO DE INTERNAÇÃO?

De 12 a 24 horas.

14. SÃO UTILIZADOS CURATIVOS?

Sim. Curativos elásticos e modelantes, especialmente adaptados a cada tipo de mama. Serão trocados inicialmente pela equipe cirúrgica.

15. QUANDO SÃO RETIRADOS OS PONTOS?

Geralmente são utilizados pontos que serão retirados em torno de duas semanas.

16. QUANDO PODEREI TOMAR BANHO COMPLETO?

No dia seguinte, sem molhar a área operada. O banho completo será liberado em torno do décimo dia.

17. QUAL A EVOLUÇÃO PÓS-OPERATÓRIA?

Você não deve se esquecer que, até que se atinja o resultado almejado, as mamas passarão por diversas fases (vide itens 1 e 5). Se lhe ocorrer a preocupação no sentido de “desejar atingir o resultado definitivo antes do previsto”, não faça disto motivo de sofrimento. Tenha a devida paciência, pois seu organismo se encarregará espontaneamente de dissipar todos os transtornos imediatos que, infalivelmente, chamarão a atenção de alguma pessoa que não se furtará à observação.

18. QUANDO PODEREI RETORNAR À MINHA GINÁSTICA?

Depende do tipo de exercícios. Aqueles relativos aos membros inferiores poderão ser reiniciados em uma semana, evitando-se o “alto impacto”. Os exercícios que envolvam o tórax, geralmente devem aguardar entre 45 a 60 dias.

Sobre Lise Crippa

Sou formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e Moda. Atuo em assessoria de comunicação e jornalismo de Moda. O universo Fashion faz parte da minha vida e do meu trabalho.

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