Sustentável e politicamente correto: conheça o movimento slow fashion que veio para ficar


Você tem ideia que aquela blusa de tricô feita à mão pela sua mãe nunca esteve tão em alta na moda? Seja pelo trabalho artesanal, pela criatividade, exclusividade ou por ela ter durado, e você guardado até hoje. Existe algo mais sustentável? E isso, lógico, não é nem um terço do que o movimento representa para a indústria do setor. O Slow Fashion prima pela conscientização na moda, dá ênfase aos processos e recursos necessários para confeccionar roupas e acessórios com foco especial, e sintonia, para a sustentabilidade. O movimento envolve a compra de peças de melhor qualidade, que durarão por mais tempo e que valorizam o tratamento justo das pessoas, dos animais e do planeta. O termo foi usado pela primeira vez por Kate Fletcher, do Centre for Sustainable Fashion, da LondonCollege of Fashion. Ela é uma das maiores referências na discussão sobre conexões possíveis e impossíveis, entre moda e sustentabilidade.Por Lise Crippa -13 de julho de 2019

Bolsa Donatela Eco e vestido Ro Fumagalli. Foto Dari Luz, especial

Nos primórdios

No período da revolução pré-industrial, o vestuário era produzido localmente. As pessoas compravam roupas duráveis que serviam por muito tempo, ou faziam seus próprios looks com os têxteis e recursos disponíveis. As roupas refletiam o lugar e a cultura das pessoas e acredito que a atual postura slow fashion possa ser um reflexo daquele tempo. Nos últimos anos, uma onda de mudanças tem dado um novo tom para a indústria da moda. Esta nova era chega alimentada por verdades reais sobre as implicações deste setor na vida do planeta.

Moda em movimento

Óculos Dior, bolsa Donatela Eco, saia e blazer Rina e sapato Cris Felipetti. Foto Dari Luz, especial

Um número crescente de marcas e cidadãos está rejeitando os princípios da fast fashion, à medida em que tem surgido uma abordagem mais politicamente correta de fazer a roupa. Acredito que seja um esforço consciente para se afastar do consumismo excessivo, na maioria das vezes incentivado pela indústria da moda rápida e temporal. Já consigo enxergar uma mudança brusca no comportamento do consumidor, forçando as marcas a abraçar a causa e produzir moda de alta qualidade. O foco é o compromisso de criar menos coleções por ano, mas com peças feitas com materiais de alta qualidade.

Por aqui, as amigas Beatriz Freitas Ribeiro, 27 anos, e Camila Yumi Kawata, 30 anos, ambas manezinhas e formadas em Design de Moda pela Udesc, decidiram unir forças e lançar um espaço para abrigar e dar visibilidade para mulheres que empreendem no setor em Santa Catarina. Acabam de abrir a Local Colab, com marcas com design local e autoral e que apresentam o conceito slow fashion em Florianópolis. Movimentar o setor da moda e empreender também são algumas das premissas das lojas colaborativas.

No endereço das meninas, encontrei 14 marcas, todas produzidas por mulheres, que apresentam roupas, acessórios, cosméticos e itens de decoração. Entre elas estão, Atelier 4797, Be.Cult, Cora Oestrem, Donatelo Eco, Rina Lab, RV Swimwear, Sabrina Melo, The Lilled Small Town e Vanille. A grande maioria destas labels são de Floripa, mas há marcas de Gaspar e Massaranduba. Na coluna desta semana mostrarei algumas para vocês.

Na Capital há cerca de cinco outras lojas colaborativas que comercializam os mais diversos produtos, desde vestuário, acessórios, beleza e itens para decoração e casa. As sócias explicam que, diferente da loja tradicional, nesses espaços é possível consumir e ter uma garantia sobre a procedência dos produtos – de onde vêm e quem os fez.

Algumas marcas vendidas nestas lojas fazem todo o processo, sem precisar de terceiros para a produção. No entanto, outras fazem algumas atividades como modelar e cortar e terceirizam as costuras, o que acaba movimentando, também, a cadeia produtiva e gerando oportunidade de ganhos para as costureiras da região.

Olha as marcas que descobri

Rina Lab

Saia e blazer Rina, bolsa atelier 4797, tênis Cris Felipetti e colares Cora Oestroem. Foto Dari Luz, especial

Criação das sócias Beatriz e Camila, criadoras do Local Colab, é uma marca com design contemporâneo e moderno, valorizando o movimento e a praticidade da mulher moderna. Peças com bolsos, materiais confortáveis e design atemporal. Tudo é feito artesanalmente.

Atelie Ro Fumagalli

Bolsa Donatela Eco e vestido Ro Fumagalli e sapatos Cris Felipetti. Foto Dari Luz, especial

A Ro é designer de moda e responsável por toda parte criativa da marca e, ocasionalmente, conta com ajuda das costureiras da região. Produzidas a partir de materiais de descarte têxtil, com modelagens amplas e confortáveis, estilo atemporal e simples, as roupas transitam em diferentes corpos e ocasiões.

Vanille

Vestido Vanille, bolsa Donatela Eco e cinto Gucci. Foto Dari Luz, especial

A Vanille é a criação da designer de moda Michelle Grumiche, que traz peças femininas de 100% algodão ou viscose, produzidas regionalmente – desde o tecido, linha, botão e detalhes. A marca acredita em uma moda brasileira autêntica e de qualidade.Suas peças podem ser usadas em qualquer ocasião desde do dia a dia a eventos sociais.

The Lilled

Sapatos Cris Felipetti, vestido The Lilled, tiara Atelier 4797, camisa Sabrina Melo e bolsa Donatela Eco. Foto Dari Luz, especial

Criada pela designer de moda Bruna Nesi, a The Lilled Small Town é uma marca focada no consumo consciente e na valorização do saber. A Bruna utiliza materiais que não seriam mais utilizados nas confecções e fábricas locais. Ela também busca aquilo que as cidades pequenas têm de melhor: o contato com a natureza e o fazer com respeito, carinho e tempo.

RV Swimwear

Tênis Cris Felipetti, mantô acervo, bolsa Donatela Eco, body RVSwimwear, cinto Gucci e calça The Lilled. Foto Dari Luz, especial

A RV Swimwar foi criada em 2016 por duas irmãs, Fernanda e Roberta Velloso, que decidiram unir a paixão pela atmosfera do sol e do mar, onde cresceram com suas vontades de empreender, para juntas mergulharem nesse universo cheio de cores, formas e texturas.

Sabrina Melo

Sapatos Cris Felipetti, vestido The Lilled, tiara Atelier 4797, camisa Sabrina Melo e bolsa Donatela Eco. Foto Dari Luz, especial

Saindo do mundo das finanças para criar sua marca autoral, Sabrina Melo desenvolve peças de maneira artesanal em sociedade com a mãe, Elizete Melo, que costura as peças com muito carinho. A principal matéria-prima é o linho, priorizando o conforto.

Donatelo Eco

Bolsa Donatela Eco e vestido Ro Fumagalli. Foto Dari Luz, especial

Marina Sartori é a “faz tudo” da marca. Produz bolsas e acessórios com materiais diferenciados e menos nocivos ao meio ambiente, pensando na sustentabilidade desde a produção até o descarte.Suas peças transmitem a sua personalidade.

Cora Oestroem

Saia e blazer Rina, bolsa atelier 4797, tênis Cris Felipetti e colares Cora Oestroem. Foto Dari Luz, especial

A designer Cora Oestroem é responsável pelas peças delicadas e atemporais da marca que levam seu nome. Seu ateliê se divide entre sua casa e a casa de seus pais em Florianópolis, onde peças de latão e cobre banhados a ouro, prata, grafite e ouro velho ganham forma.

A casa das fotos

Isadora Rubim e Carolina Moreira, ambas mães, empresárias e feministas, são as idealizadoras da Casa Âme. O espaço colaborativo em Floripa, tem portas e janelas abertas para artistas, artesãos e pessoas que tenham como eixo norteador a vontade de se desenvolver com consciência e autonomia, mas que se reconheçam como parte do todo.

Apesar da formação acadêmica distinta – Isa vem do Direito e das Relações Internacionais, enquanto Carol do Design –, as amigas encontraram um propósito em comum: a possibilidade de desenvolverem um ofício que está à serviço de mudanças positivas para as pessoas e para o planeta. Antes sócias do Ateliê-tinturaria Âme, que agora faz parte da Casa, a dupla sentiu necessidade de expandir o olhar e abraçar nessa jornada outras pessoas que acreditassem nas microrrevoluções como força motriz para as grandes transformações que desejam ver no mundo.

Em meio à natureza, num ambiente iluminado e aconchegante, a agenda do espaço traz mensalmente uma curadoria cuidadosa de parceiros que têm o mesmo desejo, o de oferecer ao público técnicas e conhecimentos que fomentem o bem-estar do corpo e da alma, elevando os valores humanos e que cuidem do meio ambiente.

Puro charme

A paranaense radicada em Florianópolis desde 2002, Cris Felipetti, é quem comanda a marca de sapatos homônima que nasceu há 11 meses de um desejo dela em comercializar produtos que expressassem o DNA da mulher brasileira, através de peças
atemporais, sensuais e ao mesmo tempo femininas.

A preocupação de Cris com a escolha dos parceiros e fornecedores está alinhada a toda uma cadeia produtiva, que é a base do propósito slow fashion da marca, estabelecendo a importância da conexão entre artesãos, indústria e órgãos fiscais. A nova coleção, com detalhes de Pirarucu, peixe criado em cativeiro com registro legalizado pelo Ibama, surgiu para proporcionar um novo conceito de moda e estilo, com uma pegada cool e exclusiva.

Há algum tempo o couro do peixe deixou de ser totalmente descartado para ser reaproveitado como um subproduto. Além de ser um material nobre, com grande maciez e maleabilidade, traz um toque único às produções. Nessa coleção foram usados três tons marcantes – o caviar, o vermelho e o crema –, contrapondo com o nude do couro bovino. Já os saquinhos, onde são colocados os sapatos, são feitos a partir de algodão orgânico e confeccionados em Florianópolis pelas mãos das costureiras Salete e sua mãe de 80 anos. Uma maneira segura e sustentável de guardar os calçados, com puro charme!

Participaram deste editorial

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Juliana Amorim – @julianaamorim
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimento: Casa Âme

Marcas e lojas participantes: Atelier 4797,Cora Oestroem, Cris Felipetti, Gucci, Sabrina Melo, RVSwimwear, Ro Fumagalli , Rina, The Lilled, Vanille e Donatela Eco

Moda catarinense com pegada clássica, elegante, sofisticada e moderna

A marca catarinense Renata Ouro completa quatro anos em 2019 e para celebrar a data participará de um evento fashion no salão nobre do Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, o Sunset Fashion Day, em setembro

A própria Renata é a modelo da marca

Com vendas online e em multimarcas pelo Brasil, todas as peças Renata Ouro são confeccionadas com olhar bem crítico e detalhista da estilista homônima. Renata se inspira no lifestyle das cliente e busca referências em grandes grifes internacionais, como Chanel.

Inspiração em Chanel 

-Frequento os mesmos restaurantes, as mesmas cidades e estudo o lifestyle da persona “Renata Ouro”, para entender as necessidades do meu público.

São oito looks em cada coleção, duas ao ano, divididos em calças, blusas,vestidos, macacões, blazers e saias. Atualmente, os principais mercados da marca são Brasília e São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Rio de Janeiro, Minas e Goiânia. Praticamente sul, sudeste e centro do país.

-Este ano pretendo entrar mais fortemente em São Paulo para consolidar a minha marca e meu nome. Considero o mercado paulista  um “hub” para o restante do país, diz.

Paixão pela moda

Natural de Florianópolis, Renata Ouro tem 33 anos e é formada em Administração e pós graduada em marketing pela Fundação Getúlio Vargas. E como a maioria das meninas, herdou a paixão pela moda na infância, quando “roubava” para brincar, os sapatos e batons vermelhos da mãe e os acessórios da avó paterna. Aos 15 anos começou a carreira de modelo  que perdurou por 10 anos. Durante a faculdade se encantou pelos negócios e depois de formada ficou no mundo corporativo por 11 anos. Foi  neste universo que se reconectou com a moda. Renata participava de reuniões importantes, em ambientes extremamente masculinos e sentia falta, de marcas para um público feminino,extremamente exigente e com independência financeira.

Clássica e atemporal

-Fui atrás de roupas que ajudassem a conectar comigo e com o meu poder pessoal. Para a minha surpresa constatei que no mercado não havia nada com uma pegada clássica, elegante, sofisticada e moderna e que me atendesse. Eu era uma mulher de 26 anos e queria aparentar a idade real, com muita classe, uma pegada fashion e feminina. Nas viagens pelo país, constatei que esta não era somente uma dificuldade exclusivamente minha,mas de outras mulheres em ambiente corporativo, conclui. Foi ai que surgiu a marca Renata Ouro.

Clássicos da moda com arte e expressão


O que você veste diz muito sobre sua personalidade e crenças. Marcas de todo o mundo estão criando maneiras de aderir a algumas causas e manifestações artísticas e políticas, expondo ideias em peças em que a maioria possa usar e que seja acessível. Sempre existe uma forma de contribuir para o que você acredita, se expressando a sua maneira. Inspirada nestes itens fashion, eu escrevo a coluna desta semana. A grande protagonista é a camiseta branca, ou da cor que preferir, clássica e atemporal, que chegou para ficar. Não conheço nada mais democrático, hoje, na moda.Por Lise Crippa -29 de junho de 2019

Camiseta Simone Michielin e saia Le Iris. Foto Dari Luz

Quando Maria Grazia Chiuri, diretora criativa da Dior, colocou na passarela – em sua primeira coleção para a grife francesa em 2016 – a camiseta escrita “Devemos todos ser feministas”, ela reacendeu uma chama no mundo da moda. Desde então, presenciamos um movimento feminista, ou com motivação política, pegando carona nas camisetas, na maior parte das vezes como slogan.

As camisetas

Item unissex começou a vida como uma roupa de baixo usada pelos homens. Na Idade Média eram feitas de tecido de algodão ou linho, que faziam uma camada entre o corpo e as roupas usadas por cima. O modelo sofreu várias mudanças significativas no século 19. A nova tecnologia de malharia deu um start para elas serem produzida em massa. A prática de vestir camisetas como roupas esportivas foi rapidamente adotada por homens da classe trabalhadora.

No momento em que os atores de Hollywood começaram a colocar camisetas brancas para sinalizar a rebeldia de seus personagens, o mais mitológico que lembro foi James Dean em Rebel Without Cause (1955) – a camiseta entrou oficialmente no closet do masculino. Os rappers usaram nos anos 1990, assim como estrelas pop e modelos. T-shirts estão na mira da moda desde os anos 1950 e a peça foi reinterpretada por muitos designers desde Yves Saint Laurent e Dior, até Chanel e Lacoste.

Dior perpetuou as saias

Você anda notando que as saias e vestidos chegaram com tudo nos últimos desfiles e coleções? Na coluna deste fim de semana destaquei também as saias, todas num comprimento midi, fazendo dobradinha com o tema principal, as camisetas. Foi no desfile de moda da Dior, em Paris – mas desta vez busquei lá no passado, em 1947 –, que algo diferente ocorreu nas passarelas. Um novo estilo finalmente entrava para a história, com um apelo nostálgico da sociedade do pós-guerra. E a lenda nasceu, o new look entrou para a cronologia da moda.

A marca não queria criar roupas, mas sim vender um sonho dos bons e velhos tempos, quando as mulheres podiam se dar ao luxo de serem extravagantes e, deliberadamente, glamourosas. O new look foi uma redescoberta da prosperidade, decretada depois do período de guerra, dos trajes utilitários e austeridade das roupas. Apresentou uma imagem de feminilidade radical, obtida por saias e vestidos que tinham que estar 40cm acima do chão.

Feministas protestaram

Nem todo mundo ficou empolgado com o glamour exagerado proposto pela Dior. Segundo as feministas, eram ideias regressivas e contrárias às da época: “Nós abominamos vestidos compridos”!, gritaram elas em protesto. Os designers americanos, que adotaram silhuetas modestas e elegantes e cujos negócios floresciam durante a guerra, também ficaram igualmente chocados com Dior. Coco Chanel, a estrela da moda pré-guerra, comentou com zombaria que, “a Dior não veste as mulheres, as cobre!”

Nos anos 1930, mulheres da classe média e alta usavam basicamente os mesmos looksdevido à Grande Depressão. Em contraste, após a Segunda Guerra Mundial, os trajes exclusivos e luxuosos da Dior ofereceram um símbolo da nova e dividida sociedade. No início dos anos 1960, o new look quase desapareceu da coleção da Maison. Sua revitalização veio na década de 1990, no entanto, quando uma onda de jovens estilistas decidiu desconstruir a história da moda e se apropriar dela para o seu tempo. Hoje o “novo olhar” mais uma vez reina: Thom Browne, Miuccia Prada ou J. W. Anderson atualizaram o estilo de Dior.

Feito na hora

O projeto Eu Q Fiz passeia entre mentes criativas e tendências em constante movimento. As peças e estampas adquirem significado, tornam-se únicas quando encontram indivíduos que valorizam a cultura maker e criam seu próprio jeito de pensar a moda. Percebendo isso, a marca catarinense Colcci dá vida a este novo projeto que traz a tecnologia a favor da unicidade. Leva para o ponto de venda uma máquina de estamparia e convida o público a participar do processo criativo, escolhendo sketches ilustrados pela crew de designers da marca ou sugerindo seu próprio desenho ou frase.

Saia, camiseta e blazer Colcci, bolsa customizada Schutz, pulseira Hermês, tênis Drumond customizado pela artista Simone Michelin

Seja qual for a preferência, a t-shirt é produzida na hora. As camisetas adultas são vendidas a R$ 119 e infantil R$ 79. Na compra de três camisetas, as adulto ficam por R$ 99 e infantil R$ 69, sendo que na loja do Beiramar de Floripa, 15% das vendas – até este fim de semana –, serão revertidas para a Casa de Acolhimento Semente Viva que abriga crianças em risco social.

Em oito anos, o Lar já atendeu mais de 80 crianças que tiveram suas histórias transformadas. Funciona 24 horas por dia, 12 meses por ano, sem parar. Por ser uma organização sem fins lucrativos, depende de doações para manter as portas abertas.

A arte de ser feliz

Bolsa customizada na hora por Simone Michielin Chenson, saia e moleton Tida. Foto Dari Luz, especial

– Eu ‘estive’ advogada por um tempo, mas hoje percebo que sempre fui artista plástica – me contou Simone Michielin, dona do Ateliê que leva o seu nome no bairro Santa Mônica, em Florianópolis.

Foi lá que realizamos as fotos da coluna, e a artista customizou uma bolsa com exclusividade. A saída do mercado formal e o reencontro com a arte, após 15 anos de uma bela carreira na advocacia, marcam a trajetória da artista nascida em Pinhalzinho, Oeste de SC.

Desde muito cedo demonstrou um talento nato pelas artes. Eram cadernos e mais cadernos de desenhos e um número sem fim de lápis de cor, tintas e tudo mais que pudesse ser usado para expressar o que, até pouco tempo na sua infância, parecia ser apenas um hobby. Simone já participou de diversas exposições, além de duas mostras Casa Cor SC, Casa & Cia e três exposições em Florença, Itália.

Saindo das telas, participou da Elephant Parade Brasil, com a pintura de três esculturas que ficaram espalhadas pela cidade. Foi convidada a participar da exposição Bonecas Russas Gigantes, pintando duas delas, uma por encomenda da Embaixada Russa para as Olimpíadas do Rio 2016.

A arte de ser feliz 2

Camisa Tig, saia, casaco cinto Renata Ouro

A coluna aborda muita moda com propósito, customização e destaca a mudança profissional de duas mulheres catarinenses.

Natural de Florianópolis, Renata Ouro tem 33 anos e é formada em Administração e pós-graduada em Marketing. Como a maioria das meninas, herdou a paixão pela moda da infância, quando “roubava” os sapatos e batons vermelhos da mãe e os acessórios da avó paterna para brincar. Aos 15 anos, começou a carreira de modelo, que perdurou por 10 anos. Durante a faculdade, se encantou pelos negócios e depois de formada ficou no mundo corporativo por 11 anos.

Foi neste universo que se reconectou com a moda. Renata participava de reuniões importantes, em ambientes extremamente masculinos, e sentia falta de marcas para um público feminino – hoje extremamente exigente e com independência financeira.

– Quando atendi a minha necessidade de me vestir, as clientes foram aparecendo, porque eu estava preenchendo uma lacuna no mercado. E foi aí que a minha marca começou a sair de Florianópolis para São Paulo, Brasília e Rio. Minhas clientes começaram a sentir a autoestima elevada e com seus problemas resolvidos.

Com vendas online e em multimarcas pelo Brasil, todas as peças Renata Ouro são confeccionadas com o olhar bem crítico e detalhista da estilista, que se inspira no lifestyledas próprias clientes e busca referências em grandes grifes internacionais, como Chanel.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Maria Vitória Giovannini (Ford Models)
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimento: Simone Michielin Arte
Marcas e lojas participantes: Chenson, Colcci, Dumond, Hermès, Le Iris, Tida, Tig, Schutz, Paula Torres, Renata Ouro e Simone Michielin

“Moda é arquitetura, é só uma questão de proporção”

Na coluna desta semana vou linkar moda com arquitetura e trazer à tona uma constatação de Coco Chanel: “Moda é arquitetura, é só uma questão de proporção”. Na década de 1950, a estilista admitiu ao mundo que buscava inspiração para algumas das suas criações em projetos do suíço Le Corbusier. Por sua vez, Yves Saint Laurent utilizou princípios da Bauhaus, uma escola de arte vanguardista da Alemanha, que é uma importante expressão do design, para seus looks.

Conexão

Terno Eva para Strass Acessórios e Roupas, body Animale e bricos LBF. Foto Dari Luz

Você já parou para pensar que moda, design e arquitetura têm tudo a ver mesmo? Esse assunto, e muito mais, estará num bate-papo fashion, na próxima quarta-feira, dia 19, a partir das 19h, na Strass Acessórios e Roupas, em Floripa. O evento contará com a participação da designer de interiores Adri Tiezzi e da consultora de moda Maria Luiza Ramos.

E olha o que eu descobri: o ex-diretor criativo da Dior, Raf Simons, começou a carreira como designer de móveis, mas nunca usou formalmente seu diploma. Sua trajetória na área teve uma influência profunda em seu trabalho na moda e ele apresentou suas criações em passarelas localizadas em edifícios extraordinários como o Palais Bulles, de Antti Lovag, no sul da França.

Já o estilista Tom Ford, formado em arquitetura pela Parsons de Nova York, focou mesmo na disciplina. Isso está implícito em seus modelos para a moda e explícito em seu trabalho cinematográfico e vida pessoal.

O belga Martin Margiela se afastou do ateliê, porém seu envolvimento intelectual com a arquitetura continua vivo no trabalho da equipe de design da marca.

– A semelhança mais importante entre moda e arquitetura é que compartilham o mesmo ponto de partida: o corpo humano, explica o coletivo Maison Martin Margiela à revista Interview em 2008. Ambas as disciplinas têm a função de proteger – se não abrigar – o corpo a carne e a própria pele. finaliza.

Yohji Yamamoto, um dos principais estilistas do mundo, trouxe uma combinação da tradição japonesa e talento técnico para a paisagem da moda moderna, criando peças que são obras-primas. Em 2012, foi homenageado com uma retrospectiva no Design Museum Holon, de Ron Arad, em Tel Aviv, com suas roupas em diálogo com as curvas do museu. Ele revelou à revista W Magazine que: “conflitos e harmonias entre meu trabalho e os arquitetos são interessantes para mim”.

O estilista da Louis Vuitton, Nicolas Ghesquière expressa seu interesse arquitetônico ao definir seus desfiles em alguns dos edifícios mais espetaculares do mundo, do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, de Oscar Niemeyer, e da casa de Bob Hope, em Palm Springs, ao Museu Miho, de I M Pei, em Kyoto.

– Hoje, as pessoas viajam muito pela arquitetura, não apenas pelos monumentos – e eu sempre achei que o lado da exploração e da viagem da Louis Vuitton poderia ser uma jornada arquitetônica, diz ele à Vogue dia desses.

Listras

Vestido Eva para Strass, pulseira Hermès e coturno John John. Foto Dari Luz

As listras fazem parte de um design atemporal que se tornou uma referência nas tendências de moda e na decoração. Recentemente nas passarelas internacionais foram vistas camisetas listradas em preto e branco combinadas com luvas listradas da mesma cor. Além de muitos padrões diferentes, incluindo um pouco de xadrez, uma túnica listrada de mangas compridas amarradas sobre uma saia plissada realmente chamou a atenção. Marc Jacobs, por exemplo, apresentou todos os tipos de estampas, mas as listras mereceram destaque especial.

Um vestido P&B, de alguma forma conseguiu transcender o padrão e parecer romântico, enquanto um volumoso casaco de pele marrom listrado deixou a plateia de queixo caído. Até o final desta coluna “provarei” que as listras andam merecendo status, não só na passarela mas também, na vida real.

Por uma arquiteta catarinense

Tênis Adidas, blazer Iódice, faixa em pelica Fernè e vestido listrado Francesca Loungewear . Foto Dari Luz

E para falar de vida real, vou destacar a marca catarinense Francesca Lougewear, criada há um ano pela arquiteta de Criciúma Mônica Castro. Ela é quem cria todos os looks, aproximadamente 20, a cada coleção. As roupas são inspiradas nas últimas tendências europeias, com o objetivo de trazer peças-chave para reforçar o DNA da marca. A equipe de curadoria e estilo da Francesca tem dado foco aos tecidos e shapes que representem bem a essência trazida dos pequenos refúgios europeus, porém sempre adaptadas ao nosso clima e às necessidades da mulher brasileira.

Combinações com cores neutras, o uso das listras, a malha e o tecido plano caminham em perfeita harmonia, proporcionando versatilidade à cada modelo.

– Para as coleções, me inspiro em pessoas simples e sofisticadas, como elas se expressam, através do que vestem no Instagram, Pinterest, sempre buscando algum tema. Já estamos com três coleções, e pretendo lançar a quarta em setembro. Meu plano é ter duas grandes coleções e ir lançando cápsulas entre elas – destaca Mônica.

As cores da semana

Vestido Alaphia e cinto Moschino. Foto Dari Luz

Os metálicos se destacaram na última temporada e dourado e o prata estão na cartela de tendências do outono / inverno de 2019 na moda e na arquitetura. Um vestido dourado é, inegavelmente, lindo e tenho certeza que as fashionistas e celebridades não vão esquecer deste tom para o próximo evento no tapete vermelho. Nas passarelas vimos também jaquetas e casacos ouro, combinados com estampas de animais, em looks de rua casuais. Este estilo apareceu em Michael Kors, Dries Van Noten, Chanel e, claro, Dolce & Gabbana e se espalharam pelas vitrines mundo a fora.

Blusa Iorane

Outro tom usado nesta coluna, o lavanda, um tom púrpura suave, foi uma das cores principais da última primavera e tem se mantido

como uma das tendências de cores outono / inverno 2019-2020. É uma ótima notícia para qualquer mulher que esteja preocupada em guardar alguns dos itens da última compra. Misturado com as cores escuras desta estação fria, torna-se invernal, enquanto misturado com amarelos e castanhos, torna-se mais outonal. Veja a calça e blazer em alafaitaria desta coluna usados com body listrado.

Cara de terno

Terno Eva para Strass Acessórios e Roupas, body Animale e bricos LBF. Foto Dari Luz

Quando os designers colocaram ternos e blazers nas passarelas, eles efetivamente quiseram tirar a imagem séria dos escritórios e consolidar a imagem de conforto e fluidez. Essa tendência faz parte de uma mudança geral na direção para looks minimalistas, utilitários e não-sexistas no mundo da alta moda, uma saída que, acredito, se adaptará facilmente para a moda mais real.

As irmãs gêmeas Mary Kate e Ashley Olsen, para marca própria, a The Row, também criaram ternos despojados, blazers superdimensionados, bem arrumados na passarela, combinando com suéter de gola alta, com opções de cores neutras escuras e claras. A Proenza Schouler desfilou blazers grandes confortáveis, sofisticados, com opções para homens e mulheres. Muitos outros designers nos deram opções dos ternos na passarela, incluindo Oscar de la Renta, Tibi, Nina Ricci, Roksanda e Alexander Wang.

Colete

Coturno John Jonh, vestido Forever 21, colar LBF, colete Vera Motta para Strass. Foto Dari Luz

O colete surgiu pela primeira vez em Versalhes, na Corte do Rei Sol, num estilo de roupa pomposo. O modelo era mais comprido e desafiava o clima frio dos grandes palácios com seda e brocado. Aos poucos, ficou mais curto e perdeu as mangas.

Nos anos 1920, ostentavam cores primárias, padrões geométricos com inserções de tecido ou ornamentos excêntricos, até mesmo vidro. Enquanto na década de 1950, os jovens e rebeldes usaram coletes irreverentes em brocado inspirados em Edward VII.

No final dos anos 1960, o colete é finalmente incorporado ao closet feminino e designers como Moschino e Yves Saint Laurent criam uma coleção completa sobre o tema. A imagem lembrada é a de Twiggy vestindo bermudas e colete.

Ele volta aos anos 1970, tão boêmio como sempre, e faz parte dos conjuntos hippies, dos quais exemplos encantadores são os coletes bordados e em forma de brocados e usados por um ícone boh, LouLou de la Falaise, a musa do designer Yves Saint Laurent.

Combat boots

Coturno John John, calça Dolce & Gabbana, blusa Iorane. Foto Dari luz

Os coturnos estão na moda há alguns anos mas certamente a roupa de Charlize Theron em Mad Max: Fury Road ajudou a tendência a florescer na passarela e nas ruas. Prada e Valentino lançaram suas versões que vi também em Chanel. Aqui pelo Brasil, Carmen Steffens, Arezzo, Schutz e John Jonh com o modelo usado na coluna com plataforma altíssima! Os millennials passaram a usar marcas mais conscientes do meio ambiente, como Patagonia e North Face.

E assim, as botas, e basicamente qualquer coisa que você gostaria de usar em um acampamento de fim de semana, agora estão em alta na moda. Marcas como Phillip Lim, Acne Studios e Miu Miu lançaram suas próprias versões de botas nos últimos meses e o estilo nunca pareceu tão cool.

Participaram deste editorial

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Natália Bruhl – Ford Models
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimento: Unique MCA Empreendimentos – Soul Residence
Marcas e lojas participantes: Adidas, Animale, Alaphia, Dolce & Gabbana, EVA, Forever 21, Francesca Loungewear, Fernè, Iódice, Iorane, John Jonh, LBF, Moschino, Tida, Vera Motta

A moda inspirada na leveza e na fluidez do balé


Para a coluna deste fim de semana, me inspirei na dança e na última coleção primavera/verão da Dior 2019. E como revelou a própria Maria Grazia, diretora criativa da marca, “a moda fala sobre o corpo, da mesma forma que a dança faz – é como música, é uma linguagem universal”

Vestido Roberto Santos, sapatilhas Capezio e joias Dina Noebauer. Foto Dari Luz, especial

A inspiração

Na coleção primavera/verão 2019 da Dior, desfilada no ano passado em Paris, sua diretora criativa, Maria Grazia, transformou a passarela em praticamente um palco. Loie Fuller, Pina Bausch e Isadora Duncan, grandes coreógrafas que marcaram época, ficariam encantadas com o mood apresentado por Grazia, uma obcecada por balé.

Para a coleção, a estilista substituiu o corpete preto, aquele que andamos vendo nos últimos editoriais de moda e copiado pelo mundo, e mostrou formas de tops translúcidos, transparentes e vestidos de jérsei de seda. Um look foi feito com 90 metros de tule, destacando uma linha de tecidos leves, em tons de degrade, pintado à mão e muito delicado. Um cachecol patchwork de seda, vestidos estilo chiton, estampa tie-dye, denim e ainda penas caleidoscópicas desfilaram na passarela.

Saltos de cunhas, que imitavam o movimento de um bailarino, sapatilhas e um elegante par de tênis que, embora construídos para serem de alto desempenho, provavelmente serão guardados para ocasiões muito mais especiais também se destacaram.

O tule na moda

Sapatilhas Capezio Profissional, saia de tule Movimento Moda Ballet, alças em ouro Dina Noebauer e top Ferné. Foto Dari Luz, especial

Poucas coisas incorporam mais a visão idealizada da feminilidade na cultura ocidental que uma saia de tule. Normalmente associadas às roupas de noiva e de bailarina, a qualidade fluída e transparente dessa rede fina e leve veio para servir como um símbolo das contradições associadas à feminilidade: delicada, mas forte; pura, mas sexy. O tule se tornou parte integrante de vestidos de noiva, vestidos de noite e lingeries. Já foi um tecido proibitivamente caro e luxuoso feito de seda, porém, com o tempo, tornou-se prontamente disponível para as massas – graças à introdução de fibras sintéticas mais baratas, como nylon, rayon e poliéster.

Os historiadores acreditam que, inicialmente, o tule foi meticulosamente feito à mão, usando métodos semelhantes à produção das rendas, por volta do ano 1700. O tecido moderno, também conhecido como bobbinet, foi produzido pela primeira vez depois que uma complexa máquina de tecelagem, que produziu eficientemente o modelo, foi patenteada em 1809.

Tornou-se um marco nas últimas temporadas, aparecendo nas passarelas da primavera de 2018 e 2019 de Saint Laurent, Moschino, Alexander McQueen, Oscar de la Renta, Simone Rocha, Preen e Delpozo, entre outros. Ganhou popularidade por várias razões: é um dos materiais mais comuns usados em vestidos de noite, especialmente depois que a “influencer” Grace Kelly usou uma saia de tule volumosa no filme de 1954, Janela Indiscreta. A leveza do tecido em camadas criou saias maciçamente largas que escondiam as pernas de uma mulher, enquanto acentuava sua cintura e busto.

Autodidata

Vestido Roberto Santos, sapatilhas Capezio e joias Dina Noebauer. Foto Dari Luz, especial

Natural e morador de Santo Amaro da Imperatriz, Roberto Santos iniciou a carreira em 1998. Autodidata, domina todo o processo de criação e execução das suas roupas:
– Acredito que para assinar um belo vestido de festa é necessário dar a ele um padrão de qualidade e personalidade, desde a criação até o arremate final – diz.

Dono de uma mente inquieta, Roberto busca inspiração em tudo que vê, além de se inspirar em quatro grandes nomes da alta costura: Coco Chanel, Christian Dior, Elie Saab e Zuhair Murad. O estilista utiliza alguns métodos de trabalho criados por ele:
– Minha equipe de costureiras e bordadeiras aderiu ao meu padrão. Praticamente tiveram que deixar de lado os seus métodos próprios para se adaptarem ao meu – destaca, sem revelar o segredo e a fórmula.

Desenha desde os seis anos, contra a vontade do pai que era muito conservador. O ponto alto do seu trabalho são os bordados elaborados por ele, com técnicas de corte e costura feitas a sua forma e sem ter aprendido em cursos ou métodos tradicionais. Com uma equipe de 30 profissionais, o estilista trabalha também com alfaiataria masculina de alto nível.

Multifacetada

Vestido Regina Salomão para Strass Acessórios e Roupas, colar em citrino e ouro branco Dina Noebauer e sapatos Le Scarpin. Foto Dari Luz, especial

Dina Noebauer é de Imbituba e há 35 anos mora na Capital. Com formação em design e moda, costuma dizer que já nasceu com vontade de ser criadora.

– Quando eu tinha 15 anos pedi ao meu pai para me colocar em um curso de corte e costura. De quebra ganhei uma super máquina. Foi o meu presente de 15 – lembra.

Dina logo confeccionou o vestido de batismo da irmã e um tailleur para a mãe. Na joalheria, iniciou fazendo experiências com fios em cobre e madeira e aos 20 anos fez um curso de ourivesaria com o mestre Carlos Salem, de São Paulo. Depois vieram especializações em design de joias com a professora Claudio Petrela, além de gemologia. Sobre o que a inspira, Dina me contou que busca elementos na arquitetura, em viagens, na tecnologia e até mesmo em uma letras de músicas.

Hebe Camargo, Amauri Júnior, Vera Loyola – assim que surgiu como socialite emergente – e Jô Soares usaram peças assinadas pela design, que emplacou seu trabalho na Vogue Joias e Joias e Cia. Em 1999 ganhou o prêmio Brazil 500 anos, com um colar em citrino e ouro branco, inspirado nas obras de Juarez Machado. O colar está na imagem desta nota.

Tem ainda no currículo uma exposição em New York e algumas criações para novelas da Rede Globo, como Torre de Babel e Por Amor:

– Estou desenvolvendo uma nova coleção que será mostrada final deste ano em Paris e ainda algumas peças para uma fábrica de calçados – conclui.

Mia

Joias Dina Noebauer, vestido Carol Reginatto e sapatos Le Scarpin. Foto Dari Luz, especial

Maria Carolina Paixão Reginatto se formou em design de moda pela Udesc, em 2019, e apresentou a coleção Mia no Octa Fashion 2018. Os três vestidos fizeram parte do trabalho de conclusão do curso.

– Mia é para mulheres ambiciosas e que almejam o sucesso pessoal e profissional. Pensando nessa figura poderosa e nos desafios cada vez maiores no seu dia a dia, é importante ressaltar sua autonomia e independência em relação onde ela pode chegar – revela Carol.

É por meio de recortes e materiais que as peças destacam o corpo feminino. A coleção se coloca num papel de exaltar a mulher.

– É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta – lembra Carol, citando a frase de Simone de Beauvoir.

Salto alto

Vestido Marie Lafayette Day Wear, calçados Le Scarpin e joias Dina Noebauer. Foto Dari Luz, especial

A designer carioca, que reside em Floripa há seis anos, Vanessa Rouvier, é apaixonada pelos sapatos. E quem não é! Para criar sua marca, a Le Scarpin, uniu a veia empreendedora à curiosidade pelos materiais, acabamentos e técnicas manuais na sapataria. A marca é especializada em scarpins feitos à mão, com materiais nobres e design atemporal. O resultado são coleções limitadas, privilegiando a exclusividade e oferecendo um modelo único, com uma variação de cores precisa.

O processo de criação da Le Scarpin começa pelos traços que a designer idealiza para cada modelo e por meio de ilustração. Todo este processo ocorre antes de ganhar molde e passar pelos processos de corte e costura do couro. Em seguida, a peça é montada, colada, seca, recebe salto e finalmente “descansa”.

Todos os sapatos levam o nome de mulheres inspiradoras, que se identificam com o DNA da marca. O último modelo lançado foi o Penélope – de Penélope Cruz, que brinca com o duo de cores vermelho e rosa. A label também faz collabs com grandes nomes nacionais e internacionais.

A próxima parceria confirmada apresentará um scarpin coberto de paetês, assinado por Vanessa ao lado das irmãs Karen e Katiuscia, da Joulik. A Le Scarpin atende todo o Brasil e tem ponto de venda fixo em Nova Iorque. Por aqui, já vestiu os pés de celebridades como Thassia Naves, Bruna Marquezine, Sabrina Sato e Claudia Abreu.

Mais looks

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Vestido Carol Reginato, sapatilhas Capezio Profissional. Foto Dari Luz, especial
Sapatilhas Capezio Profissional, saia de tule Movimento Moda Ballet, alças em ouro Dina Noebauer e top Ferné. Foto Dari Luz, especial
Joias Dina Noebauer, vestido Carol Reginatto e sapatos Le Scarpin. Foto Dari Luz, especial
Vestido Closet Camila Fraga, sapatos Le Scarpin e joias Dina Noebauer. Foto Dari Luz, especial
Vestido Closet Camila Fraga, sapatos Le Scarpin e joias Dina Noebauer. Foto Dari Luz, especial

Participaram deste editorial

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Milena Scheller – Elite Milão e DN Models
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimento: Bella Catarina Móveis
Marcas e lojas participantes: Atelier Roberto Santos, Carol Reginatto, Capezio Profissional, Closet Camila Fraga, Dina Noebauer Joias, Fernè, Le Scarpin, Movimento Moda Fitness Praia e Ballet, Marie Lafayette Day Wear, Regina Salomão, Strass Acessórios e Roupas.